quinta-feira, 29 de maio de 2014

Um minuto só (por Tais Machado)


por Tais Machado


Fiquei novamente impressionada com a diferença que faz um minuto.

No sábado (24/05), foi a final da Liga dos Campeões, importante campeonato no futebol europeu. Pela primeira vez dois times da mesma cidade, digamos, um primo rico e outro pobre, disputaram essa final. A cidade é Madri, embora a disputa tenha sido em Lisboa. Os dois times eram Atlético de Madri e Real Madri.

O Atlético venceu por 1 a 0 no tempo de 90 minutos, tempo oficial de uma partida. Campeão? Não, geralmente os juízes dão alguns minutos de prorrogação. Aquele juiz resolveu dar 5 minutos. Passado os 4 minutos, onde o Atlético já sentiu o gostinho da vitória, praticamente com a taça na mão, ainda tinha o minuto final e nesse, tão somente um minuto, o Real empatou. E na próxima meia hora de prorrogação o abatimento e cansaço do Atlético fez com que ele encerrasse aquela partida perdendo pelo placar de 4 a 1. Que virada!

Chamou-me a atenção a diferença que um minuto fez na vida daqueles jogadores. Sobretudo, para os jogadores do Atlético, fiquei a imaginar o quanto eles lamentariam e carregariam para sempre na memória a diferença que esse 1 minuto fez. Tão perto e tão longe de ser campeão por causa de um tempinho tão curto…

A expressão “espere um pouco, só um minutinho” é comum. Dizemos para expressar que não estamos prontos, que haverá necessidade de esperar, que agora não. São filhos que dizem às mães, esposas que dizem aos maridos, empregados que dizem a seus chefes, e por aí vamos, banalizando 1 minuto.

Lembrei também de outro minuto final. Quando Jesus já estava crucificado, outros dois criminosos foram crucificados com ele. Um deles insultava Jesus nos minutos restantes de vida. Preferiu terminar sua vida com xingamentos, com reclamações e blasfêmias. Essa foi sua escolha do que fazer com seu minuto, com seu fim. Já o outro o repreendeu, depois, virou-se a Jesus e disse: “Jesus, lembra-te de mim quando entrares no teu Reino” (Lc 23.42). Ele, assim, preferiu investir ao invés de desperdiçar seu último minuto. Optou por um diálogo significativo, boa reflexão sobre a vida e arrependimentos possíveis. Soube bem aproveitar, e mesmo perdendo a vida, ainda a ganhou.

Uma linda canção, de um dos maiores poetas que já tivemos dentro da música cristã brasileira – Sérgio Pimenta, também salienta o momento (que pode ser de um minuto só): “Nem um momento só deixou sua mão/Deixou-me o seu olhar/Nem quando eu dava dó/Negou-me o seu amar”. Como essa convicção faz toda a diferença em cada minuto que se vive!

Um minuto não é pouco, dependendo do contexto, ele pode fazer toda a diferença. Como olhamos para uns poucos minutos? Eles lhe são preciosos ou tem sido desperdiçados? Já calculou a sua vida não em anos, mas em minutos? Talvez tenha até a impressão maior de que envelheceu mesmo. Mas o ponto é considerarmos como lidamos com o tempo, ainda que curto. Aproveitamos ou banalizamos?

Não sei quantos minutos gastou para ler esse breve texto, mas que lhe ajude a pensar sobre suas escolhas em relação ao tempo, sem esbanjar insensatamente. Que tal prestar mais atenção em seu próximo minuto, e no outro, e no que vem a seguir, enfim, na vida?

Fonte: Ultimato


sexta-feira, 23 de maio de 2014

CORUJICE COM FILHO



Permitam-me a corujice.

Chegou o 1º Boletim de um dos meus filhos...

Ciências 95,4
Educ. Artística 94,5
História e Geografia 95,4
Inglês 100,0
Português 98,1
Matemática 98,1

Não está um luxo?rsrs
Bem melhor do que eu era. E isso me confirma a graça de eu estar conseguindo cumprir um de meus planos/sonhos: que meus filhos, nos bons assuntos, me superem em tudo.

Que Deus guarde a ele, aos outros dois, e também aos filhos de cada cada um de vocês.

terça-feira, 20 de maio de 2014

O que fazer? "Minha fé está menor que um grão de areia..."




“O que fazer quando você acha que não tem mais o que fazer? Esperança zero!!! Minha fé esta menor que um grão de areia...”

Acredito que o cansaço e o desânimo estão impedindo você de analisar melhor as circunstâncias. Creio que se reparar bem, verá que tem muita coisa boa na sua vida e muito o que fazer. Eu começaria lendo a Desiderata, depois veria meus vídeos, daria um dia de descanso sem pensar em problemas, uma boa caminhada e no dia seguinte pensaria no assunto. Ao fazer isso, seja mais sereno na análise. Se você acha que não tem mais o que fazer... então faça uma nova avaliação, uma análise melhor, pois sempre tem o que ser feito. 
Você diz que sua fé é menor que um grão de areia. Ok. Uma fé do tamanho de um grão de mostarda move montanhas. Se não tem esta, mova montinhos.
Um de cada vez. Em algum tempo serão montes. Dê passos de bebê, pequenos, talvez vacilantes, mas que serão mais fortes e firmes a cada dia. Baby Steps. Baby Steps. E lembre-se que fé nem sempre é crer, às vezes, fé é fazer o que tem que ser feito mesmo não crendo. Veja o caso de Simão Pedro, em Lucas 5. Leia o texto e depois assista meus vídeos sobre como aumentar a pescaria, versão laica e, se for o caso, a versão cristã também. Vamos em frente, amigo.

sexta-feira, 16 de maio de 2014

Rachel Sheherazade e a Liberdade de Imprensa



Rachel Sheherazade. Pronto, falei o nome dela, e você, leitor, já a ama ou detesta. E quer saber se eu a apoio ou deploro, se quero que ela fale, ou que se cale. Porém, meu ponto aqui é anterior ao debate sobre os comentários que ela fez a respeito dos chamados "justiceiros" do Rio de Janeiro, que, indignados por causa da insegurança no seu bairro, prenderam um rapaz, apontado como assaltante, em um poste. Um passo atrás, leitor! Há um debate anterior a este. 

Em um primeiro momento, não preciso saber se você gosta ou não da Rachel, ou se concorda com ela. Até prefiro não saber, pois não é este o objeto dessa conversa. Meu ponto é que existam conversas.

Jornalistas são pessoas que, além de bem informadas, informam. Eu quero viver em um país onde eles possam fazer seu trabalho. Quero ouvir o que eles contam e pensam. Isso é um direito deles, expressar opinião, e um outro, meu, de ouvi-las. Nem sempre concordarei com o que o jornalista diz, mas uma democracia não se faz de opinião única. Posição única tem nomes: ditadura, tirania, arbítrio. Até mesmo se devem apenas informar, ou se podem ou devem opinar, é tema com mais de uma opinião, e espero que cada um defenda aquela na qual acredita.

Concorde ou discorde de Rachel, indago se concordamos com o princípio de que devemos garantir a todos o direito de pensar e de expressar seu pensamento, mesmo quando diferentes dos nossos. Saudades de Voltaire, que disse: “Eu discordo do que você diz, mas defenderei até a morte o seu direito de dizê-lo." No Brasil, há quem queira que Rachel seja processada, amordaçada, até estuprada alguém já propôs (vejam onde chegamos, caro leitor!). Se não concorda com as liberdades de imprensa e de pensamento, por favor, vá tentar mudar a Constituição, mas não tente calar nem Rachel, nem gays, nem pastores, nem políticos ou jornalistas que pensam diferente de você.

O caso de Rachel me faz lembrar sua quase “xará” Sherazade, da Pérsia. Lá, um rei – depois de ter sido traído pela esposa – decidiu casar com uma nova mulher a cada dia, matando a sua noiva pela manhã. Matar a fonte do problema é uma tendência autoritária antiga, perceba-se. Pois bem, Sherazade, que se ofereceu como nubente, começou a contar uma história, mas não o seu final. Então, para ouvir seu desfecho, Shariar, o rei, não a matou pela manhã. E contar histórias salvou Sherazade e mais centenas de outras moças. O contar histórias, e conhecer a história, salva pessoas e países, anote-se.

A estratégia de Sherazade para evitar aquelas mortes deu certo. Daí, surge a obra Mil e Uma Noites. Ali, quem contava as histórias ficava viva, pois o rei queria ouvir histórias. Lamento pela nossa She(he)razade, pois aqui querem matá-la para que não conte suas histórias. Triste país, onde as pessoas morrem por falar, ao invés de serem deixadas vivas para fazê-lo. As tentativas para calar Rachel, ou qualquer outro jornalista, são sentenças de morte. Não física, mas civil, profissional, social. Ainda existem pessoas que, quando alguém não compartilha de seus desejos ou pensamentos, preferem que o outro seja morto. Ou calado, o que é um tipo de morte também.

Além desse pesar, viver em um país onde a opinião divergente é atacada virulentamente, registro uma outra perplexidade. Conta-se, com menos garbo, que não nas fábulas da Pérsia, mas aqui no nosso país mesmo, um homem chegou em casa de surpresa e encontrou sua mulher no sofá, tendo sexo com outro. Sua providência foi simples e cabal: no dia seguinte, tirou o sofá da casa. Em relação ao assunto da polêmica, parece que muitos preferem tirar a Rachel, que fala sobre o que parte das pessoas pensa, do que enfrentar de verdade o problema da violência, da insegurança, do racismo e da injustiça social nesse país.

Tirem o sofá, matem a She(he)razade que fala, mantenham a opinião única usando a mordaça... e voltaremos aos tempos em que um rei, Shariar ou qualquer outro, tem o direito de matar quem vier a desagradá-lo.

Ocorre que fazer-se de surdo, ou mesmo amordaçar quem discorda, ou reclama, é prática autofágica: silenciar sem resolver apenas adia o problema, assim como o torna mais grave. Precisamos deixar as pessoas, em especial os jornalistas, expressarem o que pensam. Podemos discordar, sim, mas não proibir a fala.

Até gostaria de dar minha opinião sobre a polêmica, mas isto nos desviaria do ponto mais importante: garantir que existam opiniões divergentes, e as polêmicas, em esperada aplicação da Constituição da República. Nela, assegura-se a liberdade de pensamento (art. 5º, IV), expressão (5º, IX), acesso à informação (5º, XIV), liberdade de informação jornalística (220, § 1º) e vedação de censura de natureza política ou ideológica (220, § 2º).

Espero que, concordando ou discordando da jornalista Rachel, o país aprenda a ouvir e a respeitar quem pensa diferente. Parafraseando as palavras de Jesus em Mateus 5. 43-48, “Se deixarmos falar apenas aqueles que dizem o que nós mesmos pensamos... não fazem os ditadores também o mesmo?”


quarta-feira, 14 de maio de 2014

Igrejas Pequenas e Grandes



No início do mês, fui preletor na 14ª Conferência Inspire Brasil 2014, realizada na PIB de São José dos Campos, em São Paulo. É uma igreja enorme, linda, com espaço para 1.800 pessoas sentadas confortavelmente e agora em construção para ter 6.500 lugares. Tem um colégio belíssimo, um complexo esportivo para 15 diferentes modalidades, centro de convenções com três restaurantes, rádio, programas de TV, editora, produtora, uma linda instituição social ABAP, que atende mais de duas mil pessoas carentes por mês, missionários pelo mundo, acampamento, abrange todas as faixas etárias, acabou de realizar o Auto de Páscoa para 31 mil pessoas da cidade etc. E a conferência realizada atingiu os seguintes números: 1.282 inscritos de 20 Estados e do DF, seis preletores de plenárias e 20 workshops. Eles levaram preletores do Brasil e do exterior, dando oportunidade a todos os participantes de ter treinamento sobre liderança de alto nível.
Como disse no texto anterior, infelizmente existe um vezo no Brasil de se desconfiar genericamente de igrejas grandes, e de se louvar, de forma acrítica, igrejas pequenas. Os que assim agem não percebem que, em alguns casos, igrejas são grandiosas por conta da Graça de Deus, e outras, pequenas, justamente pela falta Dela. Cada caso é um caso. Existem bons e maus motivos para ser “grande” ou “pequeno” no tamanho. Cada tamanho de igreja envolve suas vantagens e desvantagens e, qualquer que seja ele, o que faz a verdadeira grandeza de uma igreja não é seu porte, mas o quanto cumpre suas missões, aquelas dadas por Jesus Cristo. Não acredito que existam igrejas grandes ou pequenas simplesmente, porque uma igreja é um organismo vivo, segundo as Escrituras (Ef. 4:12), portanto ela pode ser grande e flácida ou pequena, atrofiada e inoperante! E assim ambas estarão doentes! Qual é o caminho?  A saúde de uma igreja consiste em sua multiplicação e movimento. Nem tudo que cresce é saudável, mas o que é saudável cresce e se reproduz, como o nosso corpo. Se uma igreja é saudável, ela vai crescer seja na sede ou plantando novas igrejas, porque com a saúde virão as conversões. 
Conheço, como esta, excelentes megaigrejas brasileiras, que fazem um trabalho de excelência, e assim inspiram outras. Entendo que as saudáveis são as que desejam crescer não pelo crescimento em si, ou seja, por vaidade ou foco apenas em si mesmas, mas como forma de levar Jesus e o Evangelho, e a transformação e serviço, ao maior número de pessoas. São e querem ser excelentes e brilhar, mas pelos motivos e para os fins propostos em Mateus 5.16.
Então, aqui fica o elogio àqueles que, com entusiasmo, fé e dedicação, e seguindo os parâmetros cristãos,  conseguem criar estruturas grandes e, por isso, capazes de realizar projetos de larga envergadura em prol do Reino.