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quarta-feira, 14 de maio de 2014

Igrejas Pequenas e Grandes



No início do mês, fui preletor na 14ª Conferência Inspire Brasil 2014, realizada na PIB de São José dos Campos, em São Paulo. É uma igreja enorme, linda, com espaço para 1.800 pessoas sentadas confortavelmente e agora em construção para ter 6.500 lugares. Tem um colégio belíssimo, um complexo esportivo para 15 diferentes modalidades, centro de convenções com três restaurantes, rádio, programas de TV, editora, produtora, uma linda instituição social ABAP, que atende mais de duas mil pessoas carentes por mês, missionários pelo mundo, acampamento, abrange todas as faixas etárias, acabou de realizar o Auto de Páscoa para 31 mil pessoas da cidade etc. E a conferência realizada atingiu os seguintes números: 1.282 inscritos de 20 Estados e do DF, seis preletores de plenárias e 20 workshops. Eles levaram preletores do Brasil e do exterior, dando oportunidade a todos os participantes de ter treinamento sobre liderança de alto nível.
Como disse no texto anterior, infelizmente existe um vezo no Brasil de se desconfiar genericamente de igrejas grandes, e de se louvar, de forma acrítica, igrejas pequenas. Os que assim agem não percebem que, em alguns casos, igrejas são grandiosas por conta da Graça de Deus, e outras, pequenas, justamente pela falta Dela. Cada caso é um caso. Existem bons e maus motivos para ser “grande” ou “pequeno” no tamanho. Cada tamanho de igreja envolve suas vantagens e desvantagens e, qualquer que seja ele, o que faz a verdadeira grandeza de uma igreja não é seu porte, mas o quanto cumpre suas missões, aquelas dadas por Jesus Cristo. Não acredito que existam igrejas grandes ou pequenas simplesmente, porque uma igreja é um organismo vivo, segundo as Escrituras (Ef. 4:12), portanto ela pode ser grande e flácida ou pequena, atrofiada e inoperante! E assim ambas estarão doentes! Qual é o caminho?  A saúde de uma igreja consiste em sua multiplicação e movimento. Nem tudo que cresce é saudável, mas o que é saudável cresce e se reproduz, como o nosso corpo. Se uma igreja é saudável, ela vai crescer seja na sede ou plantando novas igrejas, porque com a saúde virão as conversões. 
Conheço, como esta, excelentes megaigrejas brasileiras, que fazem um trabalho de excelência, e assim inspiram outras. Entendo que as saudáveis são as que desejam crescer não pelo crescimento em si, ou seja, por vaidade ou foco apenas em si mesmas, mas como forma de levar Jesus e o Evangelho, e a transformação e serviço, ao maior número de pessoas. São e querem ser excelentes e brilhar, mas pelos motivos e para os fins propostos em Mateus 5.16.
Então, aqui fica o elogio àqueles que, com entusiasmo, fé e dedicação, e seguindo os parâmetros cristãos,  conseguem criar estruturas grandes e, por isso, capazes de realizar projetos de larga envergadura em prol do Reino. 




terça-feira, 13 de maio de 2014

Resgatando a esperança (por Isabelle Ludovico)






(por Isabelle Ludovico)
Vivemos numa época marcada por numerosas fontes de estresse. A violência, o desemprego, a corrupção, a crise do relacionamento homem/mulher são alguns dos fatores que geram muita insegurança. Somos alimentados por uma avalanche de notícias ruins, dramas acontecendo ao redor do mundo, guerras, terremotos, tsunamis etc… que aumentam ainda mais o nosso desânimo.
Temos medo dos nossos sentimentos, medo de outras pessoas, medo de perder o que temos e medo do desconhecido. Pessoas com medo tendem a construir mecanismos de defesa, armas e carapaças para se proteger dos perigos.
Algumas se tornam irritáveis a ponto de qualquer transtorno desencadear explosões desproporcionais, mostrando que a panela de pressão já ultrapassou o seu limite. Foi o que aconteceu com o motorista que matou o homem que o interpelara no trânsito por causa de uma fechada.
Outras pessoas ficam paralisadas diante da mínima ameaça e vão limitando seu espaço interior e exterior para evitar situações conflitivas. Vivem trancadas emocionalmente e privam-se, desta forma, do que é a essência do ser humano: amar e ser amado. A maior parte busca esquemas de fuga no ativismo, no trabalho, nas compulsões por bebida, comida, remédios ou outros vícios, e no consumismo, para citar apenas alguns.
Pessoas movidas pelo medo estão mais propensas a se comportar de maneira agressiva. Qualquer sensação de ameaça gera reações impulsivas que não passaram pelo crivo da razão. Ficamos na defensiva, desconfiados, preocupados apenas em nos proteger, em preservar e acumular bens para nos garantir. Custamos a admitir que não temos controle sobre o nosso futuro. Não escolhemos nascer nem decidimos a hora da nossa morte, a menos que desistamos de viver.
Quando finalmente admitimos a nossa própria impotência e reconhecemos as nossas limitações, podemos então nos voltar para o Criador de todas as coisas que sustenta o universo e nos afirma que não cai um só fio dos nossos cabelos sem o seu consentimento.
Esperar em Deus é confiar na sua promessa de estar conosco sempre. Esta espera não é uma atitude passiva, acomodada ou resignada. Pelo contrário, trata-se de uma parceria que nos leva a fazer o melhor para usufruir, multiplicar e compartilhar os recursos que Ele nos confiou. Significa viver ativamente o presente e investir nele, sabendo que o mal já foi vencido na cruz e, por isto, não prevalecerá.
Esperar é confiar na perspectiva de Deus que é mais ampla que nossos desejos finitos e parciais. Abrir mão de nossa visão estreita e de nossas expectativas limitadas permite deixar-se surpreender pelas soluções extraordinárias de Deus. Pegar a sua cruz é aceitar a vida, abrindo-se a todas as possibilidades. É desistir de tentar exercer um controle ilusório sobre o nosso futuro e abrir-nos ao novo na convicção de que Deus, como diz Henri Nouwen, nos trata de acordo com o seu amor e não de acordo com o nosso próprio medo.
Assim, podemos ter a coragem de afirmar, como Dietrich Bonhoeffer na prisão, que Deus é um Deus de amor mesmo quando à nossa volta vemos apenas rancor. Podemos proclamar que a vida suplanta a morte como a luz invade a escuridão enquanto a escuridão não consegue se impor onde há luz. Quando descobrimos que nada pode nos separar do amor de Deus, encaramos o medo de perder o que já temos e o medo do desconhecido e os transformamos em coragem de acolher com fé o futuro, sabendo que “todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus”. E, parafraseando a música famosa, afirmo: “Quem sabe tem esperança, por isso faz a hora, não espera acontecer”.
Esperar em Deus é sair dos nossos esconderijos para encarar a vida de peito aberto, com suas alegrias e tristezas, na certeza de que cada detalhe ocorre diante do olhar amoroso de um Deus que nos quer bem. Assim, em vez de fugir ou refugiarnos numa atitude egoísta, podemos nos tornar agentes de transformação e sinais de esperança, como pontuou tão bem Agostinho: “A esperança tem duas filhas lindas, a indignação e a coragem; a indignação nos ensina a não aceitar as coisas como estão; a coragem, a mudá-las”.