(por Isabelle Ludovico)
Vivemos numa época
marcada por numerosas fontes de estresse. A violência, o desemprego, a corrupção,
a crise do relacionamento homem/mulher são alguns dos fatores que geram muita
insegurança. Somos alimentados por uma avalanche de notícias ruins, dramas
acontecendo ao redor do mundo, guerras, terremotos, tsunamis etc… que aumentam
ainda mais o nosso desânimo.
Temos medo dos
nossos sentimentos, medo de outras pessoas, medo de perder o que temos e medo
do desconhecido. Pessoas com medo tendem a construir mecanismos de defesa,
armas e carapaças para se proteger dos perigos.
Algumas se tornam
irritáveis a ponto de qualquer transtorno desencadear explosões
desproporcionais, mostrando que a panela de pressão já ultrapassou o seu
limite. Foi o que aconteceu com o motorista que matou o homem que o interpelara
no trânsito por causa de uma fechada.
Outras pessoas
ficam paralisadas diante da mínima ameaça e vão limitando seu espaço interior e
exterior para evitar situações conflitivas. Vivem trancadas emocionalmente e
privam-se, desta forma, do que é a essência do ser humano: amar e ser amado. A
maior parte busca esquemas de fuga no ativismo, no trabalho, nas compulsões por
bebida, comida, remédios ou outros vícios, e no consumismo, para citar apenas
alguns.
Pessoas movidas
pelo medo estão mais propensas a se comportar de maneira agressiva. Qualquer
sensação de ameaça gera reações impulsivas que não passaram pelo crivo da
razão. Ficamos na defensiva, desconfiados, preocupados apenas em nos proteger,
em preservar e acumular bens para nos garantir. Custamos a admitir que não
temos controle sobre o nosso futuro. Não escolhemos nascer nem decidimos a hora
da nossa morte, a menos que desistamos de viver.
Quando finalmente
admitimos a nossa própria impotência e reconhecemos as nossas limitações,
podemos então nos voltar para o Criador de todas as coisas que sustenta o
universo e nos afirma que não cai um só fio dos nossos cabelos sem o seu
consentimento.
Esperar em Deus é
confiar na sua promessa de estar conosco sempre. Esta espera não é uma atitude
passiva, acomodada ou resignada. Pelo contrário, trata-se de uma parceria que
nos leva a fazer o melhor para usufruir, multiplicar e compartilhar os recursos
que Ele nos confiou. Significa viver ativamente o presente e investir nele,
sabendo que o mal já foi vencido na cruz e, por isto, não prevalecerá.
Esperar é confiar
na perspectiva de Deus que é mais ampla que nossos desejos finitos e parciais.
Abrir mão de nossa visão estreita e de nossas expectativas limitadas permite
deixar-se surpreender pelas soluções extraordinárias de Deus. Pegar a sua cruz
é aceitar a vida, abrindo-se a todas as possibilidades. É desistir de tentar
exercer um controle ilusório sobre o nosso futuro e abrir-nos ao novo na
convicção de que Deus, como diz Henri Nouwen, nos trata de acordo com o seu
amor e não de acordo com o nosso próprio medo.
Assim, podemos ter
a coragem de afirmar, como Dietrich Bonhoeffer na prisão, que Deus é um Deus de
amor mesmo quando à nossa volta vemos apenas rancor. Podemos proclamar que a
vida suplanta a morte como a luz invade a escuridão enquanto a escuridão não
consegue se impor onde há luz. Quando descobrimos que nada pode nos separar do
amor de Deus, encaramos o medo de perder o que já temos e o medo do
desconhecido e os transformamos em coragem de acolher com fé o futuro, sabendo
que “todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus”. E,
parafraseando a música famosa, afirmo: “Quem sabe tem esperança, por isso faz a
hora, não espera acontecer”.
Esperar em Deus é
sair dos nossos esconderijos para encarar a vida de peito aberto, com suas
alegrias e tristezas, na certeza de que cada detalhe ocorre diante do olhar
amoroso de um Deus que nos quer bem. Assim, em vez de fugir ou refugiarnos numa
atitude egoísta, podemos nos tornar agentes de transformação e sinais de
esperança, como pontuou tão bem Agostinho: “A esperança tem duas filhas lindas,
a indignação e a coragem; a indignação nos ensina a não aceitar as coisas como
estão; a coragem, a mudá-las”.
Fonte: Blog Editora Mundo Cristão

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