quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Um homem que não aproveita o que tem não é melhor que um aborto


Salomão, considerado o homem mais sábio que já existiu, ensina sobre um problema grave. Ele acomete homens e mulheres de sucesso e sobre o tema posto as lições do autor do livro de Provérbios e Eclesiastes.
Veja o que diz Eclesiastes 6, ao descrever esse mal:

 "Há um mal que tenho visto debaixo do sol, e é mui freqüente entre os homens: Um homem a quem Deus deu riquezas, bens e honra, e nada lhe falta de tudo quanto a sua alma deseja, antes o estranho lho come; também isto é vaidade e má enfermidade. 
Se o homem gerar cem filhos, e viver muitos anos, e os dias dos seus anos forem muitos, e se a sua alma não se fartar do bem, e além disso não tiver sepultura, digo que um aborto é melhor do que ele. Porquanto debalde veio, e em trevas se vai, e de trevas se cobre o seu nome. E ainda que nunca viu o sol, nem conheceu nada, mais descanso tem este do que aquele.
E, ainda que vivesse duas vezes mil anos e não gozasse o bem, não vão todos para um mesmo lugar? Na verdade que há muitas coisas que multiplicam a vaidade; que mais tem o homem de melhor?
Pois, quem sabe o que é bom nesta vida para o homem, por todos os dias da sua vida de vaidade, os quais gasta como sombra? Quem declarará ao homem o que será depois dele debaixo do sol? "

 Diante da vida, o mesmo Salomão faz uma proposta. Ele diz:


"Vai, pois, come com alegria o teu pão e bebe com coração contente o teu vinho, pois já Deus se agrada das tuas obras.
Em todo o tempo sejam alvas as tuas roupas, e nunca falte o óleo sobre a tua cabeça.
Goza a vida com a mulher que amas, todos os dias da tua vida vã, os quais Deus te deu debaixo do sol, todos os dias da tua vaidade; porque esta é a tua porção nesta vida, e no teu trabalho, que tu fizeste debaixo do sol.
Tudo quanto te vier à mão para fazer, faze-o conforme as tuas forças, porque na sepultura, para onde tu vais, não há obra nem projeto, nem conhecimento, nem sabedoria alguma. " (Eclesiastes 9:7 e segs)



Espero que você lute para ter o que sonha,
mas que desde logo aprenda a aproveitar o que já tem.



Abcs
William Douglas

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

O Frio (em 21/13/2013)


A pior frieza não é quieta, mas a explicada. Não é não ter cobertores para o frio, mas vê-los dobrados enquanto você treme na calada da noite. Aprendi a apreciar a frieza assumida, o ódio revelado, a inconsistência explicitada na voz e nos gestos. O que dói mesmo é a frieza com argumentos, aquela que além de deixar você ao relento ainda espera de sua pessoa compreensão e nobreza. É como deixar alguém com fome e dizer que esta fome é justa, que ela se prova por “a” + “b”. Você sente vergonha de ter fome. Isso enquanto seu estômago ronca. 
A pior solidão é a justificada, onde o outro delicadamente desenha um plano cartesiano ilustrado com diagramas e ornado de pesquisas mostrando que a reta tal não encontra o eixo por uma razão e que tudo deve ser assim. E promete que esta sua solidão é meramente temporária, que o frio um dia passa, que a fome será saciada, e que no final – e isso não se diz, apenas se insinua – você é que tem pressa, e frio a destempo, e fome demais. E você morre de qualquer coisa em um oásis pronto que se apresenta como por inaugurar em breve.
Você continua com frio, e fome, e solitário, e tudo isso olhando colchões e cobertores térmicos, e uma mesa completa e farta que alimentaria o mundo, e fica com sede dentro de um aquário sem água posto no meio de um oceano.
Um dia você acorda e descobre que é dono de um oásis gentil que não explora. Você é a criança triste que recebe um brinquedo que não pode sair da caixa.
Por isso tenho certa simpatia pelo ódio revelado. Este lhe permite a luta, a fuga, ou no pior dos casos uma derrota nobre. Se há falta de cobertas, pode se seguir em sua alma uma resignação, a resignação dos pobres, mas como enfrentar o frio diante de um aquecedor que se teima, que alguém teima, deixar no “off”? E então vive-se de migalhas e misérias, de paninhos que não cobrem todo seu corpo, e você sente raiva de si mesmo por ser grande e sentir frio.
Por isso gosto das pessoas que não me amam, pelas que são corajosas de interpor sua frieza sem argumentos, que se puderem me deixarão passar frio. Um frio sincero, um frio inevitável,  um frio assim eu enfrento sorrindo. Mas nada pior que o frio explicado, ao lado de uma montanha de cobertas. E eu me pergunto se quando amo, alimento, aqueço, abraço. Porque qualquer amor que não aqueça não é melhor que o ódio.

Tema: Educação e Grandes Exames Nacionais


Os grandes exames nacionais, tais como ENEM, ENADE, Exame da OAB etc. são instrumentos importantíssimos para que o governo e a sociedade possam melhorar a qualidade da educação e/ou tomar providências, que vão desde o fechamento de instituições ruins até o direito de escolha a ser feito pelos consumidores.
Por tais razões, embora não apenas por elas, há que haver extremo cuidado na realização e divulgação de tais exames. No caso, o INEP "pisou na bola".
Segundo matéria publicada no G1:

"Colégios particulares que tiveram um bom desempenho no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) em 2011, como o Objetivo Integrado (SP), Instituto Dom Barreto (PI), e Colégio Santo Antônio (MG), entre outros, estranharam que seus nomes não apareceram na lista de desempenho no Enem 2012 divulgada nesta terça-feira (26) pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), autarquia do Ministério da Educação.
Segundo o Inep, as escolas podem entrar com recurso até o dia 4 de dezembro e solicitar uma revisão das notas e após análise técnica, se for identificada inconsistência nos dados, elas podem ser inseridas no sistema. As notas que aparecem consideram apenas as escolas que tiveram mais de dez participantes no Enem e com taxa de adesão dos alunos concluintes do ensino médio acima de 50%.
As escolas podem não ter aparecido na lista por algum problema no cadastramento dos dados, como uma diferença entre o número de alunos inscritos no Enem e o número de alunos concluintes do ensino médio segundo o Censo Escolar."


Quem lê a informação dada pelo INEP pode achar que é um mero acertar de equívocos, podendo até ter a impressão de que os mesmos seriam culpa apenas das instituições de ensino. Não é bem assim. No caso do Instituo Gay-Lussac, em Niterói, por exemplo, nota publicada pela instituição informa o seguinte:


"No último dia 25 de novembro o Ministro da Educação anunciou em entrevista coletiva que seriam divulgadas as notas do ENEM 2012. Ao consultar o site do INEP (Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) a nossa escola não constava da lista com os resultados. Imediatamente entramos em contato com o Ministério da Educação, que nos respondeu que havia impossibilidade de calcular a nota por falta de dados dos alunos.


Essa informação é inteiramente improcedente. No ano passado, ENEM 2011/2012, o mesmo ocorreu, entretanto o INEP, de maneira cuidadosa, solicitou antecipadamente às escolas todos os ajustes necessários (no caso, inclusão de CPF dos alunos, o que não era solicitado) para que o resultado pudesse ocorrer sem problemas.
De maneira preventiva, em virtude da solicitação inusitada do CPF no ano anterior, nos antecipamos e incluímos todos os CPFs dos alunos no Censo Escolar.
Já neste ano, o INEP, diferente do ano passado, não requisitou nenhum ajuste e divulgou o resultado sem conferir os dados com as escolas, o que ocasionou a ausência de resultados de inúmeras instituições tradicionais da cidade, do Estado e do Brasil.
Como exemplo, das 25.000 escolas divulgadas no ano passado, este ano contamos com apenas 11.000, evidenciando um problema de cruzamento das informações do Censo Escolar com o resultado do ENEM 2012.
Para solução do caso, conforme orientação do Ministério da Educação, encaminhamos um Requerimento de Reexame em relação às proficiências médias por Área de Conhecimento no Enem 2012 por Escola, que visa à divulgação do nosso resultado na web, segundo eles, num período de 10 dias.
Vale ressaltar que registramos também junto ao Ministério da Educação que a divulgação de dados sem a conferência adequada é um desserviço à sociedade, que gera análises erradas com conclusões precipitadas acerca da educação nacional.
Atenciosamente,
Luiza Sassi
Direção Pedagógica"


Repito, então, o essencial a ser lembrado: "a divulgação de dados sem a conferência adequada é um desserviço à sociedade, que gera análises erradas com conclusões precipitadas acerca da educação nacional."
Espero que o INEP e o MEC consertem logo os erros cometidos e que sejam mais cuidados no futuro.
Abcs a todos,
William Douglas

Link da matéria: http://glo.bo/1ghNh2J


segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Confissões (em 25/11/2013)


Não se engane com meu jeito educado e gentil.
Nem sempre fui assim.  Eu já matei um homem.
Cristo morreu pelos meus pecados.
Aliás, pelos nossos. E eu não desperdicei aquele sacrifício:
ao menos por mim, aquele sangue não foi em vão.
Nunca entendi a maior parte das coisas sobre Ele, mas sei que
sua vinda mudou minha história.
O cristianismo, por culpa minha, ainda não fez de mim um bom cristão,
mas já me tornou muito menos ruim do que eu seria sem ele.
Este homem disse que minha vida é mais do que meus bens,
que qualquer flor se veste melhor do que com Gucci ou Gabbana,
Versace ou Dior. Qualquer lírio do campo está na moda, sempre.
E sussurou que não adianta ganhar o mundo inteiro e perder a alma.
Este homem, que eu mesmo matei com meus pecados, e diz que
amar me torna invencível; servir, grande;
ser fraco me torna forte; dizer “não”, íntegro.
Esse homem que aceita adoração e lava os pés dos outros me enlouquece:
ele diz que quando julgo, me julgo antes, que ao perdoar também antes me perdoo,
me fala para oferecer a outra face a quem me fere, e a andar a milha extra.
E me diz que está sempre à porta, batendo, para me convidar para jantar.
Nunca vou entender esse Deus que se mata, ou, como disse Calvino,
que “se tornou  filho dos homens para os homens se tornarem filhos de Deus”.
Eu nunca vou entender esse homem que diz para eu me negar a mim mesmo e tomar uma cruz, justo ele, que em um mundo de hipocrisias primeiro me tomou a minha.
Receio que nunca irei entender quase nada, mas sei duas coisas:
sei que ele me amava antes de eu me tornar visível para os outros, e que matei esse homem.
William Douglas, 25.11.13, 10h. Niterói, dia com chuva.



O Esquenta é o programa mais conservador da televisão brasileira (por Marcos Sacramento)


É uma versão barulhenta e colorida de velhos costumes. Num primeiro olhar, parece uma grande festa na periferia, na qual as gírias, danças e modas de regiões com IDH baixo e ...criminalidade alta são irradiadas para todo o país pela tevê.
Vemos meninos contorcendo as articulações em performances de passinho, meninas com minissaia e microvocabulário, rapazes negros com cabelos louros e óculos espelhados de cores berrantes rodando o salão felizes e eufóricos. A festa mistura samba, funk, estilo de vida despreocupado e despudorado, concurso de beleza, humor, artistas de novela, enfim, para usar um termo bem periférico, “tudo junto e misturado”.
Essas características, apenas, não me incomodam. Não sou quadrado, respeito e até admiro algumas formas de cultura vindas do gueto e abuso do direito de desligar a TV. O que me irrita, e muito, e faz com que chame o programa de conservador e escravocrata é a cor de pele predominante nessa festa maluca.
Certamente o Esquenta é o programa com o maior percentual de negros da TV aberta. Enquanto as novelas, seriados e telejornais são predominantemente caucasianos, quem manda ali são os negros e pardos.
É esse o ponto. O programa reforça o estereótipo dos negros brasileiros como indivíduos suburbanos, subempregados, mas ainda assim felizes, sempre com um sorriso no rosto, esquecendo-se das mazelas cotidianas por meio da dança, do remelexo, das rimas pobres do funk, do mau gosto de penteados e cortes de cabelo extravagantes.
Sou negro e não sei sambar, não pinto meu cabelo de louro, não uso cordões, não ando gingando nem falo em dialeto. Não sou exceção, felizmente. Sei que há muitos caras e moças como eu. Muitos são poliglotas, outros gostam de música clássica, vários gostam mais de livros do que de pessoas, outros reclamam do calor da Brasil, certamente há os que são introspectivos e de poucas palavras, e há os que nem sentem falta do feijão quando viajam para o exterior.
Embora o Esquenta não tenha a proposta de ser um programa sobre cultura negra, ele ajuda a construir um estereótipo. Por que as novelas não têm galãs negros ou musas negras? Faça a lista dos galãs e das musas televisivas e depois veja quantos são negros. O número será irrisório.
O Esquenta ajuda a manter essa ordem. Em vez de rapazes elegantes, mostra dançarinos com cabelos bizarros. As moças, sempre de shorts minúsculos e prosódias vulgares, nunca serviriam de modelo para capas da Marie Claire ou da Claudia.
Regina Casé e seu programa parecem dizer aos jovens dos guetos: “Ei, isso mesmo, aprendam passinho, aprendam a rebolar até o chão, continuem com seu linguajar próprio, porque tudo isso é lindo, é legal, é Brasil, é tudo junto e misturado, continuem com seus empregos modestos, porque a vida é agora, é para ser vivida, curtida, com alegria, malemolência, sempre com um sorriso no rosto”.
E assim, aquela menina sentada no sofá vai continuar achando o máximo desfilar com pouca roupa e pelos das pernas pintados de loiros pela comunidade. Nunca vai pensar em aprender a falar alemão ou tentar entender os grafites de Banksy, da mesma forma que os rapazes nunca sonharão em trabalhar no Itamaraty e praticarão bullying contra os meninos polidos que não falam em dialeto e inventam de estudar violino, já que um programa televisivo de uma das principais emissoras do país legitima seu estilo de vida mal educado e de poucas perspectivas.
Como um coronel oligarca e cínico, o programa dá uma recado para a garotada negra e parda da periferia: “É isso, dancem, cantem, divirtam-se. Mas não saiam do seu lugar”.

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

25 Leis de capa nova!


Amigos,
Apresento a nova capa do Livro "As 25 Leis Bíblicas do Sucesso", que completou um ano de lançamento ontem, dia 21/11/13.
Já passamos de 120.000 exemplares vendidos. O livro chegou ao 1º lugar em todas as listas de livros mais vendidos e tem recebido muitos elogios. Eu e Rubens Teixeira somos muito gratos por termos sido os intrumentos do bem que o livro está fazendo: muita gente escreve dizendo que o livro mudou a vida delas.
Contamos  com sua ajuda para ajudar a divulgar a obra. O grande mérito dela é ter 176 páginas e 201 citações bíblicas, ou seja, a sabedoria não é apenas a dos autores, mas de um livro excelente, que funciona nao só para falar de relacionamento com Deus mas também orienta, independentemente da religião da pessoa, a como lidar com carreira, trabalho, empresa etc.
Um abraço a todos!
William Douglas



terça-feira, 19 de novembro de 2013

É lucro se o trabalho é escravo? Caso M.Officer.

Estão se tornando cada vez mais frequentes escândalos envolvendo grandes marcas (roupas, eletrônicos etc.) que escravizam sua mão-de-obra ou que oferecem condições degradantes de trabalho para seus funcionários. A bola da vez é a M.Officer que teve bens no valor de 1 milhão de reais bloqueados pela 8ª Vara do Trabalho, por oferecer condições degradantes de trabalho.

Minha opinião é que, obviamente, dá para ter lucro sem trabalho escravo... Acho um absurdo essas lojas de roupas caras explorarem pessoas pobres. O mais grave é que a M.Officer não é a única. Espero que o Ministério Público do Trabalho pegue todo mundo!


"Ai daquele que edifica a sua casa com injustiça, e os seus aposentos sem direito, que se serve do serviço do seu próximo sem remunerá-lo, e não lhe dá o salário do seu trabalho."
(Jeremias 22:13)


quinta-feira, 14 de novembro de 2013

CARTA ABERTA À PRESIDENTA DILMA: PRECISAMOS DE DINHEIRO PARA A EDUCAÇÃO



Ex.ma S.ra Presidenta:
Não podemos esperar o pré-sal. Ele virá, mas até que venha existem soluções que só dependem de V.Ex.a e que podem trazer aumento real de arrecadação, não repercutindo apenas na educação, mas em todos os setores do país.
Em 2007, tínhamos 7.741 Analistas Tributários na Receita Federal do Brasil. Hoje, seis anos depois, mesmo com o incremento da atividade econômica, temos somente 7.449. Isso significa que temos MENOS servidores da receita e MAIS empresas, o que facilita a sonegação e prejudica o país assim como as empresas honestas. Pior, existem 16.999 cargos criados pela Portaria nº 1.953, e somente 7.449 cargos providos até o momento, correspondendo a 44,82% do número total.
Nos últimos três anos houve a vacância de 946 cargos de Analista Tributário, sendo que a reposição de apenas 765 nomeados não é suficiente para recompor o quadro. Em 2013 já houve a vacância de 374 cargos, o que aprofunda o quadro de falta de servidores até o fim deste ano. Ao lado disso, temos candidatos excedentes aprovados do último concurso para o cargo de Analista Tributário e que esperam o momento de serem nomeados.
Senhora Presidenta, temos 736 candidatos aprovados e aptos a assumir o cargo, divididos em 693 da Área Geral e 43 da Área de Informática. A chamada de todos os aprovados não se traduz em um encargo financeiro, mas em um grande avanço para o desenvolvimento nacional nas áreas de controle fiscal e aduaneiro de fronteiras e aeroportos, econômica e de segurança nacional, mesmo que estes servidores não sejam fiscais eles atuam em sintonia. Temos 9.438 vagas em aberto para Analista-Tributário, representando 39,82% de todos os cargos vagos no Ministério da Fazenda. Como não aproveitar estes candidatos já aprovados? Como deixar cargos criados por lei sem preenchimento? 
Cada um desses servidores dará "lucro", pois o que facilitarão no trâmite de arrecadação supera em muito o custo de seus vencimentos. Mais que isso, V.Ex.a estará cumprindo a lei que criou os referidos cargos e não subtraindo do povo brasileiro as verbas que tais servidores irão trazer para os cofres públicos.
Câmara Cascudo disse, com precisão, que o melhor do Brasil é o brasileiro. Nosso povo é nosso melhor "petróleo", nossa maior fonte de energia e de poder para tornar esse país aquele que V.Ex.a e todos nós desejamos.
Por isso, rogo a V.Ex.a que não desperdice nosso melhor petróleo: servidores concursados e competentes querendo ajudar o país a ter a receita que precisamos para enfrentar os desafios do país na educação, saúde e segurança pública.
William Douglas, juiz federal/RJ, professor e escritor.


Continuando o Debate - Cotas nos Concursos


Continuando o diálogo com leitores, segue mais uma mensagem recebida sobre o tema Cotas nos Concursos:

 Olá William, 
Li seus artigos a esse respeito e fiquei surpreso positivamente com sua sensibilidade e desprendimento ao tratar do assunto, além da sua formação como pessoa, creio que esta seja uma das características estimuladas entre os magistrados, desde já lhe parabenizo. 
De qualquer forma gostaria de colocar um ponto, o senhor se diz favorável em certa medida as cotas sociais e raciais para o ensino superior, e contrário a essas mesmas cotas aos concursos públicos, porém analisando o cenário desigual de representatividade dos negros desde o ensino superior, é natural que essa desigualdade se manifeste também nos candidatos e aprovados negros nos diversos concursos públicos, ou seja, um encadeamento de desigualdade que se reflete no mercado de trabalho público (e privado também), gerando evidentemente muitos prejuízos.  
É evidente o predomínio absoluto de indivíduos brancos nos cargos mais altos (e também entre outros cargos) da administração pública, o que levou a presidenta Dilma, estimulada pelo movimento negro, a assinar um (decreto?) que destina 20% da vagas nos concursos públicos no executivo federal para negros. Eu particularmente vejo as cotas para os concursos como uma medida paliativa para aumentar a representatividade do negro nesse setor, visto que existe uma desigualdade que é marcante desde o ensino superior, o que acaba levando uma não visualização do negro como agente contribuinte, importante nas decisões dos órgãos públicos nacionais, sempre limitado a cargos subordinados, subalternos, e sempre em menor proporção.
Compreendo que a questão do mérito é fundamental, mas o mérito do negro não fica sufocado num sistema desigual de representatividade? oriundo de um sistema tão desigual quanto (ensino superior)? Acredito que se aplicado de uma forma consciente e criteriosa, é sim benéfico no que diz respeito a representatividade dos negros em diversas localidades da administração pública federal pelo país. 
Obrigado,
Y


Caro “Y”,
Obrigado por seu e-mail, argumentos e gentileza.
Todos queremos acabar com a injustiça racial em nosso país, estou certo que a grande e esmagadora maioria está de boa fé apesar de caminharem por métodos diferentes. Você já sabe que sou a favor das cotas nas universidades, estágios e bolsas, pois com isso aceleramos o processo de enfrentar a desigualdade. No caso dos concursos, como não é para estudar, mas para tomar posse, creio que o remédio se torna exagerado.
Concordo com você quando diz que: “o mérito do negro fica sufocado num sistema desigual de representatividade". Você tem razão. Porém, se dermos a vaga para um negro por essa condição amanhã, imagine, teremos alguém querendo ser julgado por um juiz não cotista porque "é mais competente que um cotista". Para assumir vaga no cargo público precisamos preparar os negros, assim como qualquer pessoa pobre, para disputar a vaga e vencer "em campo".
A solução real virá com mudanças estruturais, mas eu e você, e muitos, não estão dispostos a esperar por isso: vamos acelerar o processo. Porém, creio que por mais que haja bons argumentos para a cota nos concursos, os ônus e danos colaterais das mesmas são maiores que as vantagens que oferece (e concordo que oferece algumas).
As cotas só fazem sentido no serviço público em casos muito peculiares, como o do Itamaraty, pois precisamos de diplomatas negros. Mesmo assim, há pilantras burlando o sistema. Precisamos tirar os oportunistas desse campo.
Espero que você tenha lido os dois artigos que escrevi, um a favor das cotas para estudar e outro contra as cotas nos concursos.
Se fosse para ter a cota, ela também deveria ser em percentual menor, diminuindo a rejeição à medida. De qualquer forma, creio que o governo deve criar políticas para auxiliar negros e pobres a estudarem e a competirem.
O governo iria melhor dando bolsas para pobres estudarem. No caso dos negros, como têm percentual maior nas classes mais baixas (frente à media de toda a população) as cotas sociais iriam beneficiar mais negros ainda. Infelizmente alguns ativistas do movimento negro preferem defender a bandeira mais bonita (cota para negros) ao invés de defender a mais produtiva e benéfica para o povo negro. Eu, como não tenho compromissos outros que não defender a justiça, vivo batendo nessa tecla. As cotas sociais sofrem menos rejeição e são mais uteis ainda que as raciais. Mesmo assim, defendo as cotas raciais para fins de preparação. Torço para que o governo aja de forma mais inteligente.
Abraço forte,
William Douglas


quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Ainda sobre as Cotas nos Concursos Públicos


Amigos,
Alerto que tenho dois artigos sobre o tema "cotas", um defendendo as cotas nas universidades, outro criticando as cotas nos concursos. Sugiro que os dois artigos sejam lidos para entender a distinção que faço. De qualquer forma, segue um resumo aqui, criado a propósito de responder uma das muitas mensagens que recebi sobre o tema que transcrevo a seguir:

"Prezado Professor Mestre William Douglas,
Respeito muito sua mudança de opinião e, principalmente, sua postura em admitir abertamente esta mudança. Sim, somos todos "metamorfoses ambulantes". Graças a Deus, pois é isso que nos permite reparar nossos erros.
Entretanto, me perdoe, mas seu texto não entrou no mérito do porquê de cotas raciais e não sociais; ele se perdeu na emoção (o que não é nenhum demérito). Não quero aqui fazer uma crítica vazia (típica de quem discorda, mas não tem argumentos), até porque ainda estou um pouco ‘no muro’ sobre o tema, embora eu permaneça mais a favor das cotas sociais do que das raciais. É que, realmente, fiquei com a sensação de que seu novo posicionamento está tão fundado na emoção que experimentou, durante o convívio com pessoas negras em ambientes de extrema miséria e opressão, que o senhor acabou não entrando no mérito da questão. E não me refiro ao mérito jurídico, mas ao mérito retórico mesmo (se é que se pode assim classificá-lo).
Observe que o senhor menciona a realidade que presenciou e diz que foi isso que o fez mudar de posicionamento; mas não explica exatamente o porquê das cotas raciais serem melhores do que as cotas sociais (baseadas em renda).
Faço esta provocação (que, espero, seja recebida positivamente) apenas porque sempre acreditei que as cotas sociais trariam, necessariamente, o efeito positivo buscado com as cotas raciais, porém, sem o problema discriminatório destas (do ponto de vista de necessária classificação das pessoas pela cor da pele). Uma vez que, nas classes mais pobres, predominam as pessoas negras, as cotas sociais trariam o bônus das cotas raciais sem o ônus da separação por cor de pele, não?
Por favor, meu posicionamento não nega o problema grave do racismo no nosso país, cuja origem é cultural e não econômica (suas consequências é que são econômicas). Porém, considero que a cota racial traz diversos outros problemas, os quais o senhor conhece, pois já discorreu sobre eles.
No mais, obrigado por mais uma aula e espero que este e-mail me proporcione outra aula sobre o assunto.
Atenciosamente,
‘X’ | 28 anos | Salvador/BA”

Minha resposta para ele:

Caro “X”,
Agradeço seu e-mail, colocações e elogios. E elogio sua postura, educação e argumentos. Seus argumentos são bons.
Em resumo, sou a favor das cotas econômicas e raciais para universidades e estágios, mas contra quaisquer cotas nos concursos. A lógica é simples: uma coisa é dar condições para competir (estudo), outra é criar, na competição pelas vagas, uma distinção não baseada no mérito. Isso significa a redução do critério do mérito o que, finalmente, leva à acomodação do governo, que, fatalmente, deixará de resolver os problemas reais da estrutura. Ao invés de criar políticas que tornem os segmentos capazes de competir, o governo, ao que parece, prefere fraudar a competição.
Eu também sou um defensor das cotas econômicas (sociais) em detrimento das raciais, mas não acredito que estas últimas, quando bem aplicadas, sejam má ideia, apesar de todas as dificuldades para sua execução. É difícil implementar qualquer ação afirmativa, mas ainda mais difícil é dormir em paz enquanto a injustiça social permanece viva.
Meu principal foco para aceitar as cotas raciais (na educação, universidades e estágios, enfatizo) decorre de reconhecer que o pobre negro, notadamente, tem de enfrentar dois muros ao passo que o pobre branco "apenas" um. Quando digo um "muro", ou dois, me refiro a um conjunto de circunstâncias que vão desde os preconceitos até a estrutura emocional, passando por todo o largo espectro de obstáculos que pobres de todas as raças e cores enfrentam.
As cotas econômicas são bem melhores que as raciais, não tenho dúvida disso. Creio que se deve investir mais nelas, e mais ainda em enfrentar a questão estrutural da precarização da educação, especialmente em áreas mais carentes. Mas enquanto não é feita essa reforma de base, vejo com bons olhos recorrermos às ações afirmativas que funcionam com um paliativo útil. Em meio a tudo isso, no entanto, temo que o governo se acomode com esses paliativos, afinal, não podemos contar só nas ações "emergenciais" e não resolver a questão de fundo. Contudo, creio que por algum tempo podemos acumular modelos diferentes de ações afirmativas quando se acumularem também os motivos que as justificam.
Eu não diria que foi a emoção que me fez mudar de opinião sobre as cotas nas universidades, mas sim testemunhar a realidade. E é como quem testemunha dela que não quero que aqueles heróis que estudam sejam tachados de incompetentes nos concursos por ter acesso diferenciado aos cargos públicos.
Estou certo que resolvendo a questão da educação (onde as cotas têm sentido assegurando que todos tenham o direito e o acesso às informações) o povo negro, e também o povo pobre, de todas as cores, mostrará que é capaz de competir para assumir qualquer cargo.
Repito: alguns ativistas do movimento negro erram quando forçam teses que mais prejudicam do que ajudam, e é nesse ponto que reside o exagero das cotas nos concursos públicos. Nesse campo aponto o seguinte: se entre os mais pobres existem mais negros que brancos, as cotas econômicas (para estudar) alcançarão mais negros ainda.
Apesar disso, repito: tenho pressa, a pressa de que Betinho falava. Quem tem fome de justiça também tem essa pressa. Portanto, que tenhamos ambas as cotas e aceleremos o processo, mas que lutemos por cotas inteligentes e bem aplicadas. E essa razoabilidade se alcança com percentuais melhor estruturados.
Aliás, espero que o Itamaraty já tenha excluído aquele branco de olhos verdes que usou a cota para negros.
Enfim, concordo com você: cotas econômicas (sócias, como diz) são melhores, mas voto em ter as duas. Mas as duas para o estudo, nunca para se escolher quem tomará posse em um cargo público.
Já que devemos provocar, resta uma pergunta: vai valer para o Congresso também? E para a Presidência da República? Que tal seria se após quatro presidentes brancos tivéssemos uma cota racial para Presidente, e fosse obrigatório escolher um negro?
Bem, o debate está posto. Que possamos escolher os melhores caminhos.
Obrigado por sua mensagem, e grande abraço para o amigo.
William Douglas, juiz federal/RJ, professor e escritor, mestre em Direito (UGF), Pós-graduado em Políticas Públicas e Governo (EPPG/UFRJ). William é militante da EDUCAFRO mas nestes artigos está se manifestando no plano pessoal.