Muitos juízes me consideram estranho porque também sou um empreendedor. Entre empreendedores, alguns me acham um estranho, por ser um juiz. Muitos cristãos me acham liberal demais, e alguns ativistas me acham conservador demais. Entre brancos, alguns estranham que eu seja do movimento negro; no movimento negro já fui discriminado por ser... branco! Já até me falaram para ficar calado, que era bem-vindo mas que devia ficar apenas ouvindo. Aliás, o movimento negro tem alguns ativistas que prejudicam o povo negro só para sustentar suas teorias. Já ouvi: “Branco, fica calado!”.
Muitos se apresentam como cristãos, mas discriminam e odeiam tanto que fazem por merecer as palavras de Jesus: “ os publicanos e as meretrizes entrarão primeiro que vós no reino de Deus” (Mateus, 21:28-31). Por que ser tão radical na religião sem ser radical no amor que a própria religião recomenda? Um mistério. Nem por isso ficam atrás alguns ativistas do movimento gay, vez que nos espaços onde são maioria agem igualzinho aos “fanáticos religiosos” que tanto criticam. Repito: a disputa hoje é não pela igualdade, mas pelo “privilégio” de exercer a tirania.
O exagero dos religiosos que sempre se recusaram a legislar sobre a união homoafetiva obrigou o STF a proferir decisão que, com o bom efeito de atacar a discriminação, certamente teve origem em Poder da República a quem não compete legislar. E este é um perigoso precedente. Isto não tem a ver com o mérito da causa, mas com o respeito à Constituição. Pênalti marcado de forma equivocada deveria incomodar até aos torcedores do clube favorecido. Não no futebol? Ok, futebol é paixão, mas uma República não se faz com acomodações nem favoritismos.
Alguns ativistas gays exageram na redação das leis anti-homofobia, ou nas campanhas que a pretexto de evitar a discriminação se transmutam em apologia de opção. No afã de defender suas teses prejudicam até sua causa, e não menos os interesses comuns, de tantos cristãos e tantos ativistas, de termos um país menos injusto e menos discriminador, onde se respeite a diversidade. Nessa questão, é óbvio que os casais homossexuais precisam ser respeitados e a homofobia combatida. Igualmente, devemos evitar a teofobia, a apologia (de qualquer dos lados) paga pelo erário e a intenção de muitos de definir como deve ser o pensamento e opinião alheios.
As ações afirmativas raciais são outro espaço onde os exageros podem atrapalhar o consenso e o progresso das lutas sociais, que são dever moral de nosso tempo. E sobre elas quero pontuar o exagero da vez e, por isso, um desserviço à causa. Sou defensor das cotas raciais há tempos, já por duas vezes as defendi em audiências públicas no Senado Federal. Escrevi inúmeras vezes artigos em defesa delas, e publiquei, como editor, livros em sua defesa. Invariavelmente ouço ou leio amigos e leitores magoados comigo por eu defender as cotas raciais. Me perdoem, defendo sim.
Pois bem, exatamente por defendê-las venho aqui dizer que quem as conseguiu está perto de começar a destruí-las. Como sempre, pelo exagero. Pela mania humana de, podendo, ir além do que deve. Volto a citar: “A lei, ora a lei, o que é a lei se o Major quiser?” – O que é bom-senso, justiça, razoabilidade, autolimitação dos próprios atos quando o detentor temporário do poder pode ir além?
A meu ver, o exagero só atrapalha. O equilíbrio salvaria a Humanidade.
Segundo li, setenta por cento dos beneficiados pelo Bolsa Família são negros. Nesse sentido, as cotas sociais, se aprovadas, iriam beneficiar mais negros do que os pretendidos 50% dos quais tanto se fala quando o assunto são as cotas raciais. Vendo os percentuais de negros mais pobres, isso é evidente. Já sustentei essa tese, mas falaram para eu não insistir nela porque alguns ativistas do movimento negro preferem a tese da “cota racial”. Vejam, a cota social teria o mesmo ou até mais aprofundado efeito, mas o que são mais irmãos negros na faculdade em face da minha tese?
Vale anotar que insistirei nas cotas raciais pelo menos até que venham as cotas sociais com o devido financiamento e estrutura. Até lá, as cotas raciais ajudam a responder pela urgência de se consertar um país que ainda precisa de alforria. Ou seja, até que se implante um sistema melhor de modo eficiente, não podemos abrir mão dos outros instrumentos possíveis, mesmo que não sejam os ideais.
E onde chegamos agora? Nas cotas raciais nos concursos. Eis o homem, outra vez, abusando. Abuso grave. Já que passaram as cotas nas universidades, porque não também nos concursos? E nas empresas? “Exageremos outra vez! Façamos o que podemos! Aproveitemos o poder para inverter a mão dos abusos!”
Reparem: uma coisa é colorir de todas as nossas cores todos os lugares. Ver negros nos restaurantes finos, ver negras desfilando nas Fashion Weeks, isso será ótimo. Outra coisa é, no afã de acelerar este, de fato, vagarosíssimo processo, errar a mão e prestar um desserviço a todos, inclusive à própria causa.
Não devemos ter cotas raciais nos concursos, como se propõe. Uma coisa é ter cotas nas escolas, nas universidades, nos estágios. Aí sim, pois estamos falando de preparação para a vida e para o mercado. Essas cotas devem ser mantidas, aperfeiçoadas e, com o passar do tempo, obtido seu bom efeito, suprimidas. Mas as cotas nos concursos pervertem o sistema do mérito. Para o direito e oportunidade de estudar, é razoável dar compensações diante de um país e sistema ainda discriminadores, mas não para se alcançar os cargos públicos.
Nesse ponto, as críticas que os contrários às cotas fazem irão fazer sentido: aquilo de se dizer que “Fulano está aqui só por causa das cotas”. Isso pode ser tolerado em uma faculdade, de onde o cotista saia e mostre que, quando tem oportunidades, compete de igual para igual, acha seu espaço ao sol. Contudo, quando estamos diante de um concurso público, ou igualmente de seleção para empresas, influir no sistema de avaliação é uma perversão inadequada. Querer isso é ir além do razoável e, ao se insistir na tese, presta-se um desserviço ao país e à causa.
Os motivos são bem claros: é lícito dar a quem quer estudar algum diferencial competitivo, compensador de uma ou outra circunstância. De modo diametralmente oposto, é abusivo repetir tais privilégios quando o assunto é o ingresso definitivo no mercado de trabalho. Simples assim. Cotas: para estudar, pode; para arrumar emprego, aprenda como todo mundo. Venha disputar sua vaga em condições de igualdade, e que passe o melhor preparado: branco, preto, pobre, rico, gay, hetero, bonito ou feio.
Como disse um professor de Direito Constitucional que conheço, “daqui a pouco quem se sente ‘normal’, quem não for negro, índio, gay, cadeirante, obeso mórbido, filho de bombeiro ou PM morto em serviço” estará em risco de extinção, sem poder disputar as vagas públicas e privadas, loteadas por toda sorte de regalias para quem se articulou nos Legislativos ou nos órgãos de “promoção da igualdade” de quem quer que seja. Pior que tudo, cada vez menos se estimulará o estudo e o trabalho, o mérito e o esforço, porque a partir de agora para entrar nos cargos, ou nos empregos, bastará ter carteira de espoliado. Será o tempo em que quem não tiver nenhum argumento para ser prestigiado ingressará com ação judicial onde pedirá apoio, e algum juiz ou tribunal deverá, em um “salto triplo carpado hermenêutico”, provavelmente rasgando algum texto legal, proteger por fim a última classe a não ter algum favor legal que substitua o mérito. Será um país onde o estudo e o trabalho serão substituídos pelo, já anunciado antes, “princípio do coitadinho”.
As políticas afirmativas acolhidas pela Constituição são aquelas direcionadas ao fim da desigualdade, e não à sua perpetuação. Contudo, a forma como está se promovendo a igualdade é equívoca e tacanha, vez que não cria mecanismos para que a realidade social mude nem estímulo pessoal para o esforço. Existem muitas portas para se ingressar em programas sociais, cotas, gentilezas públicas, verbas a serem mal versadas, e poucas portas para que as pessoas saiam dos favores do governo, ou das situações onde os favores são justificáveis.
Prefiro um país onde os espoliados sejam amparados e onde tenham oportunidade de estudar, de aprender, mas que na hora de se definir de quem é uma vaga, que ela seja do mais bem preparado. Será um país de sonho. Parafraseando o Pastor Martin Luther King Jr, um país onde todos possam estudar, mas em que, na hora de as pessoas conseguirem um emprego ou cargo público, “elas não serão julgadas pela cor da pele, mas pelo conteúdo de seu caráter”. Para ingressar nos cargos, nem valerá ser negro, ou índio, ou bonito, ou feio, ou gay, ou hetero, ou do partido, ou muito amigo. Para ingressar nos cargos, competência. E isso fará com que todos estudem.

23 comentários:
Que maravilha de texto, quanta lucidez! Roberto Wagner
www.observatoriodavida1.blogspot.com
Excelente artigo!! Tenho a mesma opinião. So porque é negro nao tem competencia para ser aprovado num concurso ou sao menos inteligentes?? Isso nao é vestibular!
Meu caro William Douglas,
Sei que não irá publicar meu comentário e tampouco irá respondê-lo (possivelmente, Vossa Excelência faz parte do grupo que toma uma crítica como ofensa pessoal).
Porém, como novamente Vossa Excelência fez referências ao "extremismo" do movimento social, atacando os supostos "exageros" dos mesmos, gostaria de fazer duas ponderações:
1)Todo movimento social é "exagerado" na origem, na medida em que é reflexo de uma opressão igualmente "exagerada". Se os gays são exagerados, trata-se de um genuíno efeito do exagero das religiões judaico-cristãs que, durante séculos, transformaram dogmas religiosos em normas morais coercitivas. Se os negros são exagerados, trata-se de uma reação natural, lídima e positiva aos desmandos de uma nação que, até o final do Século XIX, orgulhava-se de seu escravagismo e, mesmo com o advento da "Lei Áurea", abandonou uma classe trabalhadora totalmente despreparada e sem cultura à sorte de seu próprio destino.
2) Em se tratando de movimentos sociais, não é possível chegarmos a um meio-termo: ou se adere às justas reivindicações ou se mantém na condição de racista, conservador e homofóbico. Vossa Excelência quer criar uma terceira via: a via da hipocrisia, dos que ficam em cima do muro. No dia em que Vossa Excelência redigir um artigo criticando as mazelas da religião no nosso país (abuso do poder econômico, crimes eleitorais e sexuais, corrupção, discriminação etc., terá talvez credencial para atacar a "tirania das minorias". Por enquanto, não passa de um religioso que não sabe se assume com veemência suas convicções fundamentalistas ou se adere à lógica jurídica de não-discriminação e de transformação social. Em suma: saia de cima do muro, meu caro. Sua conduta aborrece a todos: aos militantes homossexuais e aos fundamentalitas, aos militantes do movimentos negros e aos racistas, aos conservadores e aos revolucionários.
Sobre a sua conduta, já que Vossa Excelência é cristão, leia "Apocalipse 3: 5 ao 8":
"Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente; quem dera foras frio ou quente!
Assim, porque és morno, e não és frio nem quente, vomitar-te-ei da minha boca.
Como dizes: Rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta; e não sabes que és um desgraçado, e miserável, e pobre, e cego, e nu;
Aconselho-te que de mim compres ouro provado no fogo, para que te enriqueças; e roupas brancas, para que te vistas, e não apareça a vergonha da tua nudez; e que unjas os teus olhos com colírio, para que vejas."
Bom dia, caro Magistrado
Amigos, peço que enviem seus comentários para assistente@williamdouglas.com.br para que eu possa respondê-los.
Abraço fraterno!
Prezado William, li seus livros "Como Passar...", "Manual..." e outro sobre memória com Felipe.,agradeço, pois aprendi muito com sua experiência. O que trata-se aqui no entanto é discordância de seu ponto de vista. Penso que bateste no teto. Sua posição é insustentável, prolixa, e como tal é inconsistente. Quando falas a favor das cotas na Universidade me vem imediatamente à cabeça "na - UNIVERSIDADE - casa dos outros é refresco". Quando dizes um sonho de país - à Luther King - penso num espaço em que meritocratas regozijando-se, olham de longe o "princípio do coitadismo", ao qual conseguiram ignorar solenemente; em suas opiniões, claro, não há nada à ver entre os que estão bem nutridos de alimento e aferto, têm livros, fazem cursos, etc.,e os outros...
Na linha de arrancada, o processo histórico não conta. Aqui, exatamente, deixamos de ser ativistas, conscientes, bacanas, etc., O primeiro mundo vai aplaudir, e eu estarei satisfeito com minhas companhias competentes no entorno, casualmente brancos em sua maioria esmagadora.
Neste mundo de concorrência, competição atroz, do salvar-se ou morrer, penso que seja difícil manter a coerência. Entendo qdo dizes das reclamações que ouve, que trata-se apenas de mais um capítulo, ou espaço onde nosso reconhecido reacionarismo associado a reserva de mercado manifesta-se. Melhor assim. São opinões feias - penso - mas melhor à luz do dia, claro, na medida em que possamos fazer algum ou outro refletir um pouquinho mais.
Abraço!
Graco Antonio Segobia Mintinguel/POA
RESPOSTA AO COMENTÁRIO: Graco, me perdoe, mas não entendi sua posição. Vc poderia
me explicar melhor? No texto sou a favor das cotas, você parece
contra, mas sustento q elas não cabem nos concursos. então,
nesse passo estaríamos concordes, não?
Bem, me explique melhor sua posição, e desde já obrigado por
opinar.
Obrigado também pelos elogios aos livros.
Vlw.
Qualquer que seja o mundo, e quaisquer que sejam as injustiças,
saiba que nada resiste a alguém que trabalha com fé e método.
Nada pode impedir o seu sucesso, portanto, se você fizer
sua parte.
Grande abraço, seu colega
William Douglas
Posto aqui minha mensagem em pleno acordo ao que pensa o caro colega William Douglas, eu que vim de escola pública, sou branco e estudo para concursos públicos, me coloco em plena igualdade com negros ou qualquer etnia que possa existir, me sinto mais do que indignado ao ver meu direito de concorrer a 100% das vagas ser MASSACRADO por ideologias mais do que infundadas e com cunho eleitoral, pois devem só agora que perceberam que negro vota? Mesmo não sendo um jurista acho inconstitucional, me referindo ao principio da Isonomia e pior ao ver nosso Poder Legislativo juntamente com o Poder executivo esquecer do Ato administrativo que se baliza no princípio da capacidade para exercer o cargo público e que também foge ao mérito e a finalidade da administração pública, que quer o servidor mas capacitado para exerçer as funções do cargo a que se propõem exercer. Proponho a qualquer tempo uma passeata em protesto contra tal cota racial nos concursos público e aqui peço que a adminitração pública ao ver seu ato eivado de ilegalidade e com tal discrepância referente a igualdade, anule seus atos ou melhor, que nosso querido Governador Sergio Cabral não erre, pois nos brancos também votamos.
Diego Arena
COMENTÁRIO: bom dia William, sobre essa questão concordo em parte com vc, sou Jefferson Paulo, acadêmico de geografia da UFPI, negro e não cotista. Sabe amigo apesar de ser negro nunca me utilizei dos programas assistencialistas do governo, não pq tivesse repousa dos mesmos pelo contrario, acho-os louvaveis mas sempre preferi competir de igual para igual para provar para mim mesmo que poderia mesmo estando em situação desigual, obter exito. Contudo william devo relata-lo que o meu esforço foi infinitamente maior do que muitos que não se encontram em minha situação, negro e oriundo de uma familia de baixo poder aquisitivo, olha william já enfrentei situações dificeis,já fui confundido com assaltantes ao regressar da universidade e etc. Mas tudo bem isso não me abala pelo contrario me fortalece agradeço a Deus por ter nascido negro,pois atraves dessa condição tenho a oprtunidade de enfrentar o mundo e suas inposiçoes esteticas e socias e provar para mim mesmo que apesar das adversidades sou capaz. Mas devo dizer que os obstaculos são enormes,eu william tenho o sonho de ser diplomata, contudo percebi que tal carreira apesar do auxilio que o governo tem dado aos afrodescendentes que pleiteiam ingresar no serviço diplomatico, o mesmo ainda é muito restrito a uma classe "nobre". Pelo simples fato de o processo de preparação para a realização do concurso ser um processo muito oneroso, no qual eu e muitos outros que se encontram na mesma situação encontrarem-se inpossibilitados de arcar. Sendo assim amigo n será somente o mais preparado que obtera exito, mas tambem oq tem como arcar com essa preparação. Não é facil william mas eu n desiste e nem vou ate conseguir mas para isso sei que meu caminho sera arduo e talves eu consiga obter exito somente quando tiver por volta de 27 a 29 anos hoje tenho 21. Bem sei que as cotas em concurso não resolve pelo contrario, destroi e dissimina o preconceito, contudo sei que um outro artificio que deve ser proposto que garanta para nos a oprtunidade de poder competir de forma menos desigual. Obrigado por ser ativista da maior causa do povo brasileiro. Deus o abençoe e quarde e que a sabedoria dele o quie por toda a vida.
RESPOSTA do COMENTÁRIO: Caro amigo,
Acho louvável sua atitude de não querer as cotas. Entendo e respeito. Mas gostaria de ver você aceitando este tipo de ajuda porque precisamos de gente como você no serviço público. E o país precisa de diplomatas negros! Acho que existem tantas desigualdades que ter algumas compensações está dentro do conceito de justiça. Seja como for, estou certo que se vc não desanimar irá conseguir realizar o seu sonho. E, insisto: aceitar as medidas do governo em favor do povo negro não retira um milímetro de sua dignidade. Elas são muito pouco dentro da situação de injustiça histórica que vivemos. Então, pense nisso. Se houver alguma biblioteca pública perto de vc, por favor me avise para eu mandar alguns livros legais. Um deles é de um procurador do MPT, negro, genial, ativista, gente da melhor qualidade, Wilson Prudente, sobre Direito Constitucional dos oprimidos. E mandarei o meu também, sobre concursos. Que a gente consiga mudar o quadro. Eu, vc, Wilson, todos os que querem um país melhor. Abraços, William Douglas
RESPOSTA ao COMENTÁRIO (ALEX - Parte I):
Caro Alex,
Primeiro, quero agradecer seus comentários. Vou te responder sim. Saiba que considero uma gentileza sua vir aqui conversar, criticar etc. Mesmo que você seja um pouco ácido comigo, achei educado. Você é duro com as palavras, mas está aqui dialogando. Agradeço. Me darei ao direito de responder com a mesma veemência, e considere o fato de eu responder como uma demonstração de meu apreço por sua presença e comentários aqui. Vamos lá.
"Meu caro William Douglas, Sei que não irá publicar meu comentário e tampouco irá respondê-lo"
W - Não sei se você disse isso por crer mesmo que eu não publicaria ou responderia, ou como forma de me incentivar a fazer a publicação. Seja como for, aqui vai a publicação e minha resposta.
"(possivelmente, Vossa Excelência faz parte do grupo que toma uma crítica como ofensa pessoal)."
W- Também não sei de onde você tirou essa suposição.
"Porém, como novamente Vossa Excelência fez referências ao 'extremismo' do movimento social, atacando os supostos 'exageros' dos mesmos, gostaria de fazer duas ponderações:"
W - Ok, vamos a elas.
RESPOSTA ao COMENTÁRIO (ALEX - Parte II):
"1)Todo movimento social é 'exagerado' na origem, na medida em que é reflexo de uma opressão igualmente "exagerada". Se os gays são exagerados, trata-se de um genuíno efeito do exagero das religiões judaico-cristãs que, durante séculos, transformaram dogmas religiosos em normas morais coercitivas. Se os negros são exagerados, trata-se de uma reação natural, lídima e positiva aos desmandos de uma nação que, até o final do Século XIX, orgulhava-se de seu escravagismo e, mesmo com o advento da 'Lei Áurea', abandonou uma classe trabalhadora totalmente despreparada e sem cultura à sorte de seu próprio destino."
W- Sim, é verdade. O exagero se torna necessário para romper com o status quo. Daí, entende-se que soutiens sejam queimados em público por feministas. Mas, depois de um momento inicial de exagero, vale lembrar da utilidade dos soutiens e que eles podem responder pela feminilidade que tanto orna as mulheres. Assim, concordo que tem que haver um rompimento e exagero. Daí, no movimento negro, temos "invasões" (ou ocupações) de agências bancárias e coisas parecidas. No movimento gay, as marchas de orgulho gay e por aí vai. Concordo com você. O que espero que perceba é que chega um momento em que sentar para conversar é mais produtivo do que queimar soutiens.
Quanto à cultura judaico-cristã, gostaria que você se juntasse a mim em uma homenagem à mesma. Apesar de todos nossos erros, nós, judeus e cristaos, legamos ao mundo uma cultura das mais tolerantes. Os ateus (Stalin, PolPot e Mao Tse Tung) mostraram que não são apenas os religiosos que abusam. O Islã tem meninas de 9 anos sendo casadas à força, burkas e pena de morte para homossexuais. Israel dá cidadania a árabes, enquanto os palestinos declaram abertamente que querem exterminar Israel. Temos hospitais e orfanatos, universidades e obras sociais em grande número, todos movidos por essa cultura judaico-cristã tao ofendida e atacada. Em nenhuma outra cultura, de origem materialista ou não cristã, temos tantos exemplos positivos de combate à discriminação, machismo, pedofilia etc. Ninguém pode negar que o combate à escravidao recebeu grande contribuição dos cristaos, e, nao esqueçamos, a origem histórica da defesa dos direitos humanos também tem no cristianismo um vetor inegável. Em suma, você, ao criticar tanto a cultura judaico-cristã, deveria reconhecer que se ela não foi tão boa quanto deveria, à luz dos ensinamentos da Torá e da Biblia, ao menos se saiu bastante bem em comparação com outras religiões ou a falta dela. Quanto às "normas morais coercitivas", vale lembrar que elas não são privilégio das religiões judaica e cristã. Estão em todos os lugares. E que países que seguem o ateísmo e materialismo também editam leis com a cristalização de normas morais. Então, por favor, vamos dar um aplauso para a cultura judaico-cristã, porque inegavelmente ela tem se mostrado mais tolerante com as mulheres, crianças e diversidade. Volto a dizer: é bem menos do que a Torá e a Bíblia determinam, mas temos nos saído bem quando olhamos outras linhas e propostas.
RESPOSTA ao COMENTÁRIO (ALEX - Parte III):
"2) Em se tratando de movimentos sociais, não é possível chegarmos a um meio-termo: ou se adere às justas reivindicações ou se mantém na condição de racista, conservador e homofóbico."
W - Discordo veementemente. O meio-termo nao só é possível como também é o recomendável. É preciso diálogo e bom senso para saber o que são as "justas reivindicações". Repare que se no item anterior você mesmo diz que tem que haver exagero, a conclusão lógica é que as reivindicações serão exageradas. E o exagero atrapalha. E gera até mais reação dos "conservadores". Então, procurar a serenidade por entre os dois lados é útil e necessário. Repare (e nisso seu comentário aqui nesse artigo é ótimo) que as cotas raciais são boas até certo ponto, e por certo prazo, e depois são contraproducentes. Nao sou homofóbico porque não tenho medo nem raiva de homossexuais, mas não aceito que usem meu dinheiro, dos meus impostos, para ensinar homossexualidade aos meus filhos. O exercício da homossexualidade é um direito de quem quer ser gay. E o exercício da religião não é direito de menor valor. Assim, os gays tem o direito de sê-lo, e os religiosos idem. O religioso tem o dever de respeitar o homossexual, e o homossexual tem o dever de respeitar o religioso.
Eu tenho o direito de ter uma religião, de escolher qual é e de exercê-la, bem como de ensinar meus filhos a minha crença sem ter ninguém invadindo, com meu dinheiro e usando o poder estatal, um assunto privado.
Eu sou racista? Você realmente acha? Se você soubesse o quanto gasto de meu tempo e dinheiro, de meu prestigio e poder, para ajudar a causa negra, acho que você não me chamaria de racista. Sugiro que leia meus artigos aqui no blog e verá uma parte onde digo que alguns brancos me chamam de maluco por ser do movimento negro, e negros me chamam de conservador por ser contra algumas propostas do movimento. E por aí vai. Você é que é preconceituoso ao achar que todas as reivindicações dos movimentos sao "justas" e que querer encontrar um ponto de equilibrio torna a pessoa racista, conservadora e homofóbica. Sou conservador para algumas coisas, como para conservar o direito de opiniao como uma conquista da Humanidade, e para outras sou "liberal", como para investir em politicas afirmativas para a educação. Engraçado você dizer isso, porque como juiz muitos me consideram "liberal", vez que não tenho medo de conceder liminares e antecipações de tutela, mesmo quando isso incomodará aos governantes e aos detentores do poder economico. Enfim, não dá para se rotular alguém como "conservador" ou "liberal". Raramente alguém é de todo uma coisa ou outra.
RESPOSTA ao COMENTÁRIO (ALEX - Parte IV):
"Vossa Excelência quer criar uma terceira via: a via da hipocrisia, dos que ficam em cima do muro. "
W - Esta terceira via não é a da hipocrisia, mas a do diálogo, equilibrio, moderação etc. Quem fica "em cima do muro" é quem não se posiciona. E se tem uma coisa que eu faço é tomar posição. Pode não ser a sua posição, nem agradar a você, mas é uma posição. Não estou em cima do muro. Eu digo o que penso, me posiciono, opino. Ocorre que minha posição é: não cerrar fileiras com os extremistas nem de um lado nem de outro.
"No dia em que Vossa Excelência redigir um artigo criticando as mazelas da religião no nosso país (abuso do poder econômico, crimes eleitorais e sexuais, corrupção, discriminação etc., terá talvez credencial para atacar a "tirania das minorias". "
W- Primeiro, vivo falando disso, você é que ainda não teve a oportunidade de me ver atacando as mazelas da religião. Aliás, se ler meus ultimos artigos sobre a questão gay verá que ataco os religiosos que embairreram a edição de leis que regulem as uniões civis entre pessoas do mesmo sexo. É só ler com atenção os meus artigos. Você está tão de um lado que não consegue sequer ler o que eu escrevi. Está escrito, amigo! Leia de novo e verá que nos próprios textos sobre o tema, e onde você me critica, eu critico as mazelas de alguns religiosos. Se tiver a oportunidade de ver meus videos no youtube, verá o mesmo. Um deles, onde falo de riqueza, é sede de várias críticas à chamada "teologia da prosperidade", por exemplo. Enfim, meu caro amigo, vc está equivocado na crítica. Eu me posiciono contra as mazelas da religião sim, até porque elas causam mais danos do que os causados pelos ataques que vêm de fora dos arraiais religiosos.
RESPOSTA ao COMENTÁRIO (ALEX - Parte V):
"Por enquanto, não passa de um religioso que não sabe se assume com veemência suas convicções fundamentalistas ou se adere à lógica jurídica de não-discriminação e de transformação social. "
W - Eu sou fundamentalistamente cristão, fundamentalistamente seguidor da Bíblia e fundamentalistamente a favor dos direitos humanos e do prestígio à Constituição como ponto de partida para um grande acordo de convivência entre os habitantes de nosso país. Saiba o amigo que sou fundamentalista sim, em muitas coisas, e assumo. Quanto à "lógica jurídica da não discriminação e de transformação social", considero comungar da mesma. A questão é que você não é titular da representação dessa lógica. Nem você, nem eu. De onde você tirou a convicção que sua visão de como lidar com a discriminação e transformação é a lógica correta? Quem elegeu sua visão como a correta e a minha como inadequada? Eu também quero mudar a sociedade para melhor, Alex. Quem disse que sua lógica é melhor que a minha? Você dá aulas de graça? Abre mão de direitos autorais? Doa livros? Faz artigos defendendo as coisas que acredita mesmo que isso vá gerar críticas? Eu estou aqui, fazendo minha parte. A primeira decisão determinando a gratuidade do ENEM foi minha, assim como a decisão de reabrir o piscinão de Sao Gonçalo. O MPF queria que a Justiça mandasse refazer um mangue, eu mandei refazer noutro lugar e ser retomada a área de lazer pelo povo. A única área pública de lazer para 1,2 milhão de pessoas predominantemente de baixa renda. Para mim, isso é LÓGICA DE TRANSFORMAÇÃO SOCIAL. Só para dar outro exemplo, fui para a Faculdade de Direito da USP debater com Demetrio Magnoli, ele contra as cotas e eu a favor. Não ganhei nada com isso senão o prazer de lutar pelas cotas. Já fui duas vezes ao Senador para ser ouvido em audiências públicas para, mais uma vez, defender as cotas. ISso me toma tempo, me arruma inimigos etc. E você vem dizer que eu sou racista, conservador e homofóbico? Quem? A pessoa que escreveu que temos que editar as leis que regulem a união civil? O cara que defende as cotas? Seja no meu cotidiano como juiz como no meu tempo livre, faço bastante coisa para construir o país que acredito e sonho. Peço que considere que não é porque não concordo com tudo o que você quer, que você tem o direito de me acusar de estar "em cima do muro". Repito: em cima do muro é uma coisa, ficar no meio de dois lados extremistas que não dialogam é outra.
Enfim, meu caro amigo, gostaria que você entendesse que venho fazendo as coisas que acredito para transformar a sociedade. Não as faço da forma que você prefere, mas é direito meu escolher a forma como exercitar minha cidadania. E, modéstia à parte, faço bastante coisa.
RESPOSTA ao COMENTÁRIO (ALEX - Parte VI):
"Em suma: saia de cima do muro, meu caro."
W - Volto a dizer: em cima do muro fica quem não diz o que pensa para não se "queimar" nem comprometer. Não é meu caso. Considerando que vivemos uma democracia, temos que aprender a conviver com a diversidade, sem tiranias de ninguém, nem da maioria, nem da minoria.
RESPOSTA ao COMENTÁRIO (ALEX - Parte VII):
"Sua conduta aborrece a todos: aos militantes homossexuais e aos fundamentalitas, aos militantes do movimentos negros e aos racistas, aos conservadores e aos revolucionários."
W - Ótimo. Que aborreça a todos. Que aprendam a conviver com um cidadão que tem opinião e que a coloca na mesa. Quem não sabe lidar com isso que aprenda a viver em democracia. Não abro mão do direito de ter opinião e de expressa-la, e de me associar com quem pensa como eu (outro direito previsto no art.5º da CF, anote-se). Aliás, como cristão, devo dizer que temos 2.000 anos de experiência em fazer isso. Como protestante, alguns séculos igualmente sofrendo por dizer que somos contra algo. Claro que cristãos e protestantes também fizeram lambanças. E ainda fazem. Mas, e este é o contraponto, cristãos não erraram mais que ateus, materialistas, hindus e por aí vai.
Em suma, estou acostumado - historicamente falando - a ter problemas com ter opinião. A intepretação pessoal da Bíblia, um postulado protestante, sempre gerou celeuma. E creio nisso. E isso aborrece a muitos. Pessoalmente, sou muito branco, nerd, protestante, torcedor do Fluminense e péssimo jogador de futebol, acostumei-me a incomodar e ser incomodado. Faz parte da democracia.
Assim, em 1º lugar, deixo claro que se minhas posições incomodam e aborrecem, aceito de bom grado esse ônus, tendo-o como ônus de exatamente não ficar em cima do muro. Em cima do muro ficaria se não tivesse opinião sobre as cotas ou sobre o PLC122. Poderia fugir disso! Não falar no assunto. Tomaria menos tempo e traria menos rejeição de um ou outro. Não foi o que fiz.
Quero crer que irá admitir que me posicionei em questões onde boa parte das pessoas não se importa, ou passa ao largo. Em especial por serem "vespeiros". Vespeiros onde meto a mão crendo ser um dever cívico, democrático e, ao se lutar contra a discriminação e injustiça, também um dever cristão.
Dito isso, venho pedir que olhe as manifestações nas redes sociais e repare que a larga maioria das pessoas elogia meus posicionamentos. Sou bemquisto e homenageado, por gays, cristãos, negros, ativistas etc. Embora protestante, já tive artigo meu publicado em site católico, fiz palestra onde o ingresso eram alimentos que foram destinados a uma entidade espírita. Não sou espírita, mas comungo com espíritas e católicos no cumprimento das recomendações do Cristo. Claro que protestantes, católicos e espíritas possuem "n" divergências, a começar por definir se Jesus é Deus ou "apenas" um espírito iluminado. Mas quando o assunto é ajudar os pobres, ninguém discorda do que Jesus recomenda. Então, não é porque sou protestante que não ajudarei .
Ao olhar nas redes verá que ao contrário do que sustenta, muitos são aqueles que preferem uma posição moderada. É esse o meu time: o caminho do meio. Claro que em alguns pontos exerço meu direito constitucional e meu direito humano de ir por um ou outro caminho: sou teísta, cristão, protestante. Um teísta que convive e crê que se deve e pode conviver com ateus, e por isso tenho ateus amigos íntimos. Não os queimo em fogueiras, nem eles a mim. Sou cristão e comungo com judeus, muçulmanos. E sou um protestante que quando vai falar na Educafro, em Sao Paulo, dorme no convento franciscano.
Isso me faz reprovável? Se faz, ok, aceito de bom grado. Mas, sinceramente, não acho que tenha razão na crítica de que incomodo a todos. Creio que incomodo apenas aos que se colocam mais para os extremos dessas discussões. E, anote-se, colocar-se no extremo dessas questões é um direito. Um direito que, se exercido, dificulta o dialogo e acordos, e a convivência possível. Eu abri mão de ser extremista, prefiro o acordo. Mas, confesso, sou extremamente branco, extremamente cristão, extremamente protestante, extremamente heterossexual, extremamente tricolor. E isso não me impede de fazer refeições, sorrir e conversar - como costumeiramente faço - com negros, ateus, católicos, judeus, gays, travestis, lésbicas, flamenguistas e vascaínos.
RESPOSTA ao COMENTÁRIO (ALEX - Parte VIII)
"Sobre a sua conduta, já que Vossa Excelência é cristão, leia 'Apocalipse 3: 5 ao 8'."
W - Este texto é maravilhoso, e um constante alerta para que a pessoa analise a si mesmo. Gosto bastante dele.
Considerando o que deveria ser como cristão, o texto se aplica a mim: estou muito longe do que deveria ser. Este texto foi escrito para pessoas de uma região rica, conhecida por suas roupas finas e por sua avançada medicina oftalmológica, de modo que a admoestação contida no texto é ainda mais veemente.
A considerar o que eu deveria ser, e as limitações da minha condição humana, e minha incapacidade de evitar que um simples virus leve de mim uma pessoa que amo, ou de evitar uma bala perdida ou que o carro de um bêbado na contramao me mate, posso afirmar para você que, de fato, sou miserável, pobre, cego e nu. Só não sou desgraçado porque já fui alcançado pela graça de Cristo.
Nesse passo, e quanto a mim, se quer saber outros textos que se aplicam a minha pessoa, eis dois deles:
"eu sou pobre e necessitado; contudo o Senhor cuida de mim." Salmos 40:17
"(Deus) levanta o pobre do pó, e do monturo levanta o necessitado, Salmos 113:7
Apesar de tudo, Deus me tem levantado e protegido, cuidado e amparado. E esse Deus que eu quero que meus filhos conheçam, para que tenham o mesmo cuidado do qual fui objeto e que fez toda a diferença. Me reservo o direito de ensinar aos meus filhos sobre esse Deus e sobre Sua Palavra, a Bíblia. E se alguém não acredita nem nesse Deus nem em que a Bíblia é sua Palavra, inerrante e única regra de fé e conduta, tudo bem. Jesus foi bom exemplo de quem não obriga ninguém a segui-Lo. Segue quem quer.
E nesse ponto, não sei se o amigo é cristão. Embora eu seja acusado de estar em cima do muro, não tive o privilégio de saber se você compartilha dessa fé. Se a tiver, fico muito feliz; se não for, convido-o a continuar a lendo o texto que me recomendou para, ali, nos versos seguintes, encontrar outro texto bem bacana, quando Jesus fala:
"Eis que estou à porta, e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele comigo."
Jesus, Alex, está à sua porta, batendo, chamando, desejando ansiosamente que você abra a porta do seu coração e deixe Ele entrar. Se fizer isso, Ele ceará contigo, e você com Ele. Então, fica o convite.
Eu aceitei tal convite e isso tornou minha vida totalmente diferente. Jesus me salvou, e me ajuda a cada momento. Não fez de mim, ainda, e por culpa minha, um bom cristão, mas com certeza Jesus fez de mim alguém muito menos ruim do que seria sem Ele.
Fica o convite, portanto, caso não o seja, para que se torne um discípulo e seguidor de Jesus Cristo.
"Bom dia, caro Magistrado"
W - Bom dia, caro Alex.
Parabéns!!!William sua resposta foi DEMAIS...Duvido muito que esse ai seja cristão...Alex gostaria de saber sua opnião? pois em seu comentaria não lhe apresentou nenhum vestígios [ e quem esta em cima do muro?não é vc?]
Você pode ser conhecido como "o mago dos concursos", mas a cada post seu que leio vejo que você é, na verdade, um mestre.
Não um mestre nas matérias jurídicas ou restrito à um campo de conhecimento. Você é um mestre da vida, um sábio mesmo.
Agora pensei que se estivesse na Grécia antiga e pudesse seguir um filósofo e com ele aprender, certamente seria você.
Sua filosofia de vida, seu senso de justiça, sua sabedoria e seu equilíbrio me emocionam através de suas palavras, me tranquilizam e me dão esperança.
Obrigada, muita felicidade na sua vida e um grande abraço!
Lorena
P.S. Sou leitora assídua, nunca comento mas hoje, após ler um tanto de posts "acumulados", me vi na obrigação de te escrever algo.
Caro amigo william Douglas nunca tinha visto ou lido uma resposta a uma acusação em tão alto nivel, não só na escrita mas em seu conteúdo, espero que os demais que leiam seu blog o interpretem e vejam a pessoa que vc é saibam analizar antes de fazer acusações blasfemicas, mentirosas ou pior fugindo do proposito do debate que é a cota racial e não o modo de vc agir em suas particularidades pois cada um sabe de seus erros e acertos. Caro W pelo menos neste bate papo vc consiguiu uma coisa muito boa dar uma aula de civilidade não só para ele mas para os demais que lhe acompanham.Grato por ter lido este post e saber mais sobre vc caro colega.
Grande mestre, concordo plenamente não só com esse, mas com TODOS seus textos de argumentos sempre brilhantes,abs
Muita vergonha tenho eu de observar pessoas se diferenciando pela aparência. Onde está o caráter, a fraternidade, o amor, a própria inteligência e outras grandes virtudes e talentos que encontram-se nos seres humanos de maneira tácita?
Todos possuímos dificuldades que devemos vencer. Aqui estamos julgando as dificuldades aparentes, aquelas que todos enxergamos sem qualquer esforço. Agora vos pergunto: e as pessoas que passam por problemas psíquicos como a depressão, o transtorno bipolar e muitos outros. Pessoas que passam por dificuldades e sofrimentos que nem imaginamos e mesmo assim trabalham, cuidam de seus filhos, estudam para concursos, etc.
Seres humanos temos essa mania de acreditar sinceramente que nossos problemas são maiores do que os de nossos irmãos. Temos de encarar a vida como nos foi destinada e pararmos de lamentar nossas condições.
Se nos discriminam negativamente por nos considerarem menos capazes devido à nossa aparência, não é aceitando as cotas que resolveremos nossas desigualdades, pois aceitando as cotas estamos assinando um atestado de menos capacidade dos negros e índios. Temos (seres humanos) na verdade é que mostrar que somos iguais e que temos capacidade de conquistar nosso espaço com nossos esforços.
Duas perguntas:
Qual é o critério utilizado para uma pessoa comprovar ser negra?
No caso de irmãos, filhos dos mesmos pais, um ser branco e o outro negro, o negro faz jus às cotas e o branco disputa com os não cotistas?
É isso que julgam como correto?
Caio.
Lorena, fiquei muito lisonjeado com a comparação com a Grécia antiga, valeu mesmo. Abç fraternos
William, em primeiro lugar quero dizer que o admiro muito e acho suas obras essenciais na vida de todo concursando. Ganhei de presente o livro Maratona da vida e ... amei.
Partindo para a questão das cotas, sou totalmente a favor, e acho sim, que estas deveriam existir também nas empresas, pois não vejo diferença de oportunidades entre um vestibular, concursos ou empregos. Não acho que estas inferiorizam o negro. Vejo as cotas como uma forma de tirar anos de discriminação racial que colocou o negro no último ponto da largada. Concordo que a faculdade prepara para a vida e que depois... boa sorte a todos! Só que a meu ver, não adianta conseguir um diploma e depois continuar tendo portas fechadas em muitos campos com diploma na mão.A discriminção não cessa na faculdade, por isso, acho justo sim, ok?
Grande abraço, Adriana Lyra !
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