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terça-feira, 8 de julho de 2014

Escolhas de vida (por Nelson Bomilcar)





por Nelson Bomilcar

Nossas escolhas provocam resultados a curto, médio e longo prazo. Prazos que, aliás, nunca sabemos de fato, já que a vida, segundo um escritor bíblico, é como a neblina que por um instante existe e logo se dissipa. A existência humana é curta e efêmera, com o que concordam filósofos, religiosos e pensadores de todas as épocas. A vida requer significados e propósitos para que seja justificada e, de fato, desfrutada no melhor que pode oferecer.
Fazer escolhas, talvez, seja o exercício racional e emocional mais intenso e constante durante nossa jornada como seres humanos. É experiência cotidiana da qual não podemos fugir e não temos como negar. Na infância, recebemos de pais ou responsáveis as referências que tendem a nos acompanhar pela vida afora. A partir dali, o que escolhemos e plantamos trará consequências que irão escrever nossas histórias. Deus já as conhece no tempo e espaço, mas não nos poupa ou priva de tomar as decisões que nos levará ao crescimento como seres humanos e como pessoas, para que vivamos uma fé adulta e responsável.
Fomos criados com consciência, com um mínimo de senso de certo ou errado – como Paulo esclareceu à igreja de Roma –, que ora nos acusa, ora nos absolve. Esta consciência sensibilizada pela ação do Espírito Santo em nós é que nos dá a compreensão do pecado, da justiça e do juízo; do bem e do mal. Ela traz para cada ser humano a capacidade de entender e discernir a vida no seu sentido espiritual e existencial mais profundo, que influencia nossas decisões e os relacionamentos que vamos construindo na família, na profissão, na vida em comunidade e na sociedade.
Para fazer boas e significativas escolhas, precisamos construir uma espiritualidade com raízes, alicerces bem construídos, feita com sabedoria que vem do alto e que está disponível a todos, dada liberalmente por Deus: um Deus que se apresenta, que se revela, que se relaciona, que deseja comungar conosco e partilhar com intimidade e amizade nossa existência. Isso traz repercussões éticas, morais e espirituais em nosso dia a dia, fazendo que o que somos e realizamos repercuta em nós, na nossa família, nas nossas atividades profissionais, em nosso ministério e na sociedade onde vivemos.
Escolher seguir o Deus triúno é a primeira boa escolha, reconhecendo nossa incapacidade de corresponder ao seu amor e conduzir nossa vida refletindo seu caráter, já que compartilhou conosco sua imagem e semelhança. Sem ele, não conseguimos manifestar sua glória, e nada podemos ser e fazer de forma a agradá-lo, principalmente por causa de nossa natureza caída e da nossa desistência de levá-lo a sério, vivendo inicialmente para nós mesmos. Escolher a Cristo como Senhor, Salvador, pastor e amigo é, também, uma escolha vital e inteligente, com repercussões no presente e na eternidade. Conhecer seu Evangelho e sua vontade para nós, como seres humanos, vivendo uma vida de fato significativa e relevante perante o próximo, deixará boas e profundas marcas, cuja magnitude jamais conseguiremos avaliar no todo.
Escolher valorizar a família e sua preservação em aliança, em amor e em perdão, mesmo com todos os fortes ventos contrários e lutas do caminho, é e será sempre uma escolha sábia, madura e com visão de futuro. Por outro lado, não valorizar a família e os absolutos inegociáveis de Deus – verdade, justiça, dignidade, amor e retidão –, é engano que trará tristeza, ruína e morte.
Escolher fazer o bem e o que é certo aos olhos de Deus, isto é, diante de sua Palavra revelada, do Verbo que se fez carne, do Cristo que se identificou conosco como homem, e com todas as implicações radicais de sua mensagem, será uma escolha correta, fascinante, desafiadora e abençoadora. Não nos arrependamos de fazer o bem e o que é certo para Deus; confirmaremos, assim, que estamos dispostos a amá-lo em primeiro lugar, amando ao próximo como a nós mesmos.
Escolhamos, sempre, os caminhos e valores que promovam a vida! Com nossas boas e corretas escolhas, podemos viver com alegria, esperança, profundidade e rico significado, abençoando aos que nos cercam numa saudável dinâmica comunitária. Assim, alinhamos o que somos e fazemos dentro da missão de implantar o Reino de Deus, ajudando as pessoas a seguirem, servirem e amarem o Mestre e doador da vida.


Enviado por: Blog Editora Mundo Cristão

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Enfrente o futuro com Deus (por Max Lucado)




por Max Lucado


Para tudo há uma ocasião certa; há um tempo certo para cada propósito debaixo do céu. (Eclesiastes 3.1)

Que pessoa passa pela vida livre de surpresas? Lembra do resumo de Salomão? “Para tudo há uma ocasião certa; há um tempo certo para cada propósito debaixo do céu” (Ec 3.1).
Deus concede vida da maneira como administra o cosmo: por meio de períodos. Quando pensamos no planeta Terra, entendemos a estratégia de bom dia_MaxLucadogerenciamento de Deus. A natureza precisa do inverno para descansar e da primavera para despertar. Não entramos apressadamente em abrigos subterrâneos ao ver os brotos das árvores na primavera. As cores do outono não disparam sirenes de alarme. As estações terrestres não nos perturbam, mas as situações pessoais inesperadas sim…
Você está prestes a passar por uma mudança? Você se vê analisando um novo capítulo? A folhagem do seu mundo está mostrando sinais de nova estação? A mensagem do céu para você é clara: quando tudo o mais mudar, a presença de Deus não mudará. Viajamos na companhia do Espírito Santo, que “lhes ensinará todas as coisas e lhes fará lembrar tudo o que eu lhes disse” (Jo 14.26).
Deus Pai, o próximo minuto ou a próxima hora podem trazer um capítulo totalmente novo para minha vida. Pode não ser aquele que eu escolheria, mas será um que escolheste para mim por amor.


terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Alegria fora de hora (por Ed René Kivitz)




por Ed René Kivitz

Meus irmãos, considerem motivo de grande alegria o fato de passarem por diversas provações, pois vocês sabem que a prova da sua fé produz perseverança. E a perseverança deve ter ação completa, a fim de que vocês sejam maduros e íntegros, sem lhes faltar coisa alguma. (Tiago 1.2-4)
Tiago, irmão de Jesus, escreveu uma carta aos cristãos que estavam sofrendo perseguição. Eles haviam sido expulsos de Jerusalém e deixado para trás seus bens, familiares e amigos. Estavam começando vida nova em outro lugar, e precisavam construir novos relacionamentos, redefinir sua carreira profissional e ainda por cima se defender dos ataques daqueles que se opunham à sua fé em Jesus Cristo.
Um dos conselhos de Tiago para aqueles cristãos em situação tão adversa foi que deveriam receber com alegria as tribulações e provações que a vida colocava diante deles. Tiago justificou seu conselho apresentando três conseqüências das tribulações.
As tribulações provam a nossa fé, isto é, revelam a qualidade dos alicerces onde construímos nossas vidas. Outra maneira de dizer isso é que as tribulações nos mostram quem de fato somos. Muitas pessoas vivem iludidas em relação a si mesmas, e por esta razão constroem suas vidas em alicerces falsos – e vice-versa. Cedo ou tarde estes alicerces são desmascarados e tudo o que está sobre eles pode ruir, como por exemplo: auto-estima, esperança, prazer de viver, relacionamentos, sonhos de futuro, carreira profissional. As situações da vida que confrontam nossos alicerces existenciais são de fato oportunidades extraordinárias para nos reinventarmos, tanto substituindo o que identificamos como inadequado, quanto no desenvolvimento do que identificamos frágil.
As tribulações produzem perseverança, isto é, nos fortalecem para enfrentar a vida. O ditado popular diz que “Deus dá o frio conforme o cobertor”. Acredito nisso. Acredito que o exercício de viver nos coloca diante de desafios proporcionais à maturidade. Uma é a dificuldade da criança, outra, do adolescente, e outra, dos adultos que já não acreditam em Papai Noel e já deixaram a prepotência juvenil de lado. As dificuldades que enfrentamos no caminho nos ajudam a encarar a vida e continuar andando rumo ao futuro desejado. À medida que vamos encarando e superando as tribulações, vamos perdendo o medo de cara feia, até que a vida mostra sua face mais terrível e se surpreende com nossa capacidade de superá-la.
Finalmente, as tribulações nos fazem pessoas maduras e íntegras, sem falta de nada. Atravessar tempos difíceis exige de nós a descoberta e o desenvolvimento de recursos interiores. As tribulações nos tiram todos os pontos externos de apoio: nos sentimos solitários, incompreendidos e injustiçados; perdemos posição, status e privilégios, além de dinheiro e conforto; e descobrimos que as bases onde escorávamos nossa identidade e as fontes de onde tirávamos forças para viver eram falsas ou insuficientes.
Nesse momento, olhamos para dentro e para o alto. E descobrimos uma fé mais amadurecida, que nos aproxima mais de Deus, e recebemos a coragem de continuar vivendo. Estranhamente, vamos percebendo que precisávamos de bem menos do que imaginávamos para a nossa felicidade, até que surpresos, nos deparamos com a sensação de que muito embora o mundo lá fora esteja em convulsão, o mundo de dentro do coração, está em paz e serenidade.
Quando chegamos nesse ponto de integridade (integralidade) é que passamos a desfrutar dos poucos recursos, dos amigos raros e das pequenas alegrias do dia-a-dia como suficientes para a felicidade. Aí sim, somos homens e mulheres de verdade. Construídos na forja das tribulações. Livres das ilusões. Prontos para viver, dar e construir.


terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Frustração: uma guerra interior (por Tais Machado)



por Tais Machado

Frustração é o estado que fico quando não tenho o que gostaria, quando me deparo com um obstáculo, externo ou interno, que me priva de satisfazer um desejo acalentado.
Frustro-me quando mergulho na ilusão, enganando-me com a expectativa, defraudando meus próprios castelos de areia.
Não gosto da frustração, pois ela me remete às falhas que nego ou tento esconder. Engasgo com o desgosto, ao ver que as coisas não saíram como eu pretendia, e o resultado é algo aquém dos meus sonhos, quase sempre infantis.
Lidar com a frustração é encarar uma guerra, de quem pretende ser onipotente, mas perde. Perder é amargar uma derrota do orgulho, é ferida narcísica, é manha de ser um ser mimado que não quer deixar esse lugar.
Pensar na frustração é ter que rever minhas idealizações. Trata-se de enfrentar o espinhoso trabalho de desidealizar, desmascarar a ingenuidade preguiçosa e covarde a que me apeguei, e ter que lidar com a realidade dura, por vezes cruel. Aí não há espaço para nutrir perfeccionismos doentios, alimentado pelo autoengano do “eu consigo”, “só os fracos desistem” torna-se o mantra da infeliz teimosia.
Apesar de eu evitar com toda minha força a colisão com o muro das ilusões, ela acontece, e aí sobram ruínas. E aí, tomo fôlego pra construir novos muros parecidos? Mais do mesmo?
“Pretensiosos e arrogantes vestem-se com os insultos da última moda. Mimados e fartos, enfeitam-se com as tiaras da tolice” (Sl 73.6-7 – A Mensagem). Quem sou eu de fato? Por detrás de dispositivos internalizados, disfarces e ataduras, o que sobra?
Desejo olhar, mas desejo também um olhar misericordioso. Quero a coragem de não fechar os olhos, mas também a audácia de não me acomodar na autocontemplação vaidosa. Que a compaixão e a sabedoria me guiem, afinal, como dizia Martin Buber, “existe uma autocontemplação estéril, que não leva a lugar nenhum, somente à tortura de si mesmo”.

Fonte: Blog Editora Mundo Cristão