por Tais Machado
Frustração é
o estado que fico quando não tenho o que gostaria, quando me deparo com um
obstáculo, externo ou interno, que me priva de satisfazer um desejo acalentado.
Frustro-me
quando mergulho na ilusão, enganando-me com a expectativa, defraudando meus
próprios castelos de areia.
Não gosto da
frustração, pois ela me remete às falhas que nego ou tento esconder. Engasgo
com o desgosto, ao ver que as coisas não saíram como eu pretendia, e o
resultado é algo aquém dos meus sonhos, quase sempre infantis.
Lidar com a
frustração é encarar uma guerra, de quem pretende ser onipotente, mas perde.
Perder é amargar uma derrota do orgulho, é ferida narcísica, é manha de ser um
ser mimado que não quer deixar esse lugar.
Pensar na
frustração é ter que rever minhas idealizações. Trata-se de enfrentar o
espinhoso trabalho de desidealizar, desmascarar a ingenuidade preguiçosa e
covarde a que me apeguei, e ter que lidar com a realidade dura, por vezes
cruel. Aí não há espaço para nutrir perfeccionismos doentios, alimentado pelo
autoengano do “eu consigo”, “só os fracos desistem” torna-se o mantra da
infeliz teimosia.
Apesar de eu
evitar com toda minha força a colisão com o muro das ilusões, ela acontece, e
aí sobram ruínas. E aí, tomo fôlego pra construir novos muros parecidos? Mais
do mesmo?
“Pretensiosos
e arrogantes vestem-se com os insultos da última moda. Mimados e fartos,
enfeitam-se com as tiaras da tolice” (Sl 73.6-7 – A Mensagem). Quem sou eu de
fato? Por detrás de dispositivos internalizados, disfarces e ataduras, o que
sobra?
Desejo
olhar, mas desejo também um olhar misericordioso. Quero a coragem de não fechar
os olhos, mas também a audácia de não me acomodar na autocontemplação vaidosa.
Que a compaixão e a sabedoria me guiem, afinal, como dizia Martin Buber,
“existe uma autocontemplação estéril, que não leva a lugar nenhum, somente à
tortura de si mesmo”.

Um comentário:
Perfeito!!!
Postar um comentário