por Ed René Kivitz
Meus irmãos, considerem motivo de grande alegria o fato de
passarem por diversas provações, pois vocês sabem que a prova da sua fé produz
perseverança. E a perseverança deve ter ação completa, a fim de que vocês sejam
maduros e íntegros, sem lhes faltar coisa alguma. (Tiago 1.2-4)
Tiago, irmão
de Jesus, escreveu uma carta aos cristãos que estavam sofrendo perseguição.
Eles haviam sido expulsos de Jerusalém e deixado para trás seus bens,
familiares e amigos. Estavam começando vida nova em outro lugar, e precisavam
construir novos relacionamentos, redefinir sua carreira profissional e ainda
por cima se defender dos ataques daqueles que se opunham à sua fé em Jesus
Cristo.
Um dos
conselhos de Tiago para aqueles cristãos em situação tão adversa foi que
deveriam receber com alegria as tribulações e provações que a vida colocava
diante deles. Tiago justificou seu conselho apresentando três conseqüências das
tribulações.
As
tribulações provam a nossa fé, isto é, revelam a qualidade dos alicerces onde
construímos nossas vidas. Outra maneira de dizer isso é que as tribulações nos
mostram quem de fato somos. Muitas pessoas vivem iludidas em relação a si
mesmas, e por esta razão constroem suas vidas em alicerces falsos – e
vice-versa. Cedo ou tarde estes alicerces são desmascarados e tudo o que está
sobre eles pode ruir, como por exemplo: auto-estima, esperança, prazer de
viver, relacionamentos, sonhos de futuro, carreira profissional. As situações
da vida que confrontam nossos alicerces existenciais são de fato oportunidades
extraordinárias para nos reinventarmos, tanto substituindo o que identificamos
como inadequado, quanto no desenvolvimento do que identificamos frágil.
As
tribulações produzem perseverança, isto é, nos fortalecem para enfrentar a
vida. O ditado popular diz que “Deus dá o frio conforme o cobertor”. Acredito
nisso. Acredito que o exercício de viver nos coloca diante de desafios
proporcionais à maturidade. Uma é a dificuldade da criança, outra, do
adolescente, e outra, dos adultos que já não acreditam em Papai Noel e já
deixaram a prepotência juvenil de lado. As dificuldades que enfrentamos no
caminho nos ajudam a encarar a vida e continuar andando rumo ao futuro
desejado. À medida que vamos encarando e superando as tribulações, vamos
perdendo o medo de cara feia, até que a vida mostra sua face mais terrível e se
surpreende com nossa capacidade de superá-la.
Finalmente,
as tribulações nos fazem pessoas maduras e íntegras, sem falta de nada.
Atravessar tempos difíceis exige de nós a descoberta e o desenvolvimento de
recursos interiores. As tribulações nos tiram todos os pontos externos de
apoio: nos sentimos solitários, incompreendidos e injustiçados; perdemos
posição, status e privilégios, além de dinheiro e conforto; e descobrimos que
as bases onde escorávamos nossa identidade e as fontes de onde tirávamos forças
para viver eram falsas ou insuficientes.
Nesse
momento, olhamos para dentro e para o alto. E descobrimos uma fé mais
amadurecida, que nos aproxima mais de Deus, e recebemos a coragem de continuar
vivendo. Estranhamente, vamos percebendo que precisávamos de bem menos do que
imaginávamos para a nossa felicidade, até que surpresos, nos deparamos com a
sensação de que muito embora o mundo lá fora esteja em convulsão, o mundo de
dentro do coração, está em paz e serenidade.
Quando
chegamos nesse ponto de integridade (integralidade) é que passamos a desfrutar
dos poucos recursos, dos amigos raros e das pequenas alegrias do dia-a-dia como
suficientes para a felicidade. Aí sim, somos homens e mulheres de verdade.
Construídos na forja das tribulações. Livres das ilusões. Prontos para viver,
dar e construir.
Fonte: Blog Editora Mundo Cristão

2 comentários:
Sensacional!!! Me abriu os olhos para o momento que estou passando e de como vou encarar a vida a partir de agora. Obrigado!
Muito verdadeira essa mensagem. Tem muito a ver com meu momento.
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