segunda-feira, 8 de julho de 2013

Nota Pública da AJUFERJES - A Luta pela Justiça


A LUTA PELA JUSTIÇA

 Os Juízes Federais associados da AJUFERJES acompanham com atenção os movimentos sociais acontecendo no Brasil, neste momento renovando seu juramento de guardar e fazer cumprir a Constituição do país.

Constituição que funda nosso Estado Democrático de Direito sob os preceitos da cidadania e do pluralismo político e na certeza de que  “todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente” (art. 1°).

São e serão sempre legítimas as manifestações populares reivindicando o respeito aos direitos individuais, coletivos e sociais consagrados na Carta da República, como os relativos à liberdade de consciência, de crença e de expressão do pensamento, à saúde, educação, segurança e moradia, à eficácia do sistema penal, com o fortalecimento do combate à corrupção, a que os serviços públicos sejam probos e eficientes e a que as Casas Legislativas efetivamente representem os anseios dos cidadãos. Legitimidade que se mantém enquanto o direito de reunião, ainda que para justa expressão de indignação, seja exercido pacificamente.

Numa palavra: cidadania, que é desejo e direito de todo brasileiro e também dever de todo Juiz salvaguardar.

A força da vontade popular já ecoou no Congresso Nacional para a derrubada da PEC 37, que dificultaria o combate a crimes. Mas, a guerra contra a cultura da impunidade não termina com essa vitória da cidadania.

Há mais batalhas a serem travadas. E o próximo front deve ser a defesa da Justiça. É sintomático como, percebendo a concreta possibilidade de condenações e prisões de Senadores e Deputados por seus malfeitos, o Congresso ensaia série de medidas tentando enfraquecer a magistratura.

É então oportunidade para igualmente abater a malsinada PEC 33, que também visa a possibilitar impunidades, desta feita pelo ataque à independência do Juiz, pretendendo submeter a decisão judicial ao crivo de políticos.

Outro ataque à Justiça se dá por meio da nefasta PEC 53, que da mesma forma intenta solapar a independência da magistratura retirando-lhe a garantia fundamental da vitaliciedade. Ora, como qualquer servidor, o Juiz já perde o cargo por decisão judicial. O objetivo da PEC é então claro e único: poder-se intimidar o Juiz com a pena de demissão por decisão meramente administrativa, tomada por indicados pelos políticos.

Por outro lado, a ocasião propicia uma atuação legislativa realmente positiva de combate à impunidade, lutar pela aprovação da PEC 15 (PEC dos Recursos), que possibilitará maiores celeridade e efetividade no cumprimento das decisões judiciais.

O momento é ainda oportuno para gritar em defesa da magistratura federal, vítima de uma política de desrespeito e achatamento que igualmente lhe ataca a independência e que já vem provocando assustadora evasão de seus quadros de Juízes.

Para a seriedade do Estado de Direito, nada adianta Polícia e Ministério Público investigarem e acusarem se não houver Juiz independente para assegurar a observância do devido processo penal, para condenar ou absolver o acusado. Ou, em seara cível, assegurar o direito das pessoas mesmo diante do poder estatal.

Põe-se então à reflexão: a quem interessa o enfraquecimento da magistratura federal, que é responsável pelo julgamento dos crimes de colarinho branco, ambientais, tributários, de fraudes e corrupções na administração pública federal e de tráfico internacional de pessoas, drogas e armas?

A quem interessa haver Juízes submissos quando tiverem que julgar todas as causas relativas a direitos trabalhistas, a benefícios do INSS, a reajustes do FGTS, aos salários e aposentadorias de servidores, a prestações de serviços públicos e a todos os tributos federais?

Não às PECs 33 e 53 !

Sim à PEC 15!

Pelo resgate da magistratura federal !

Porque sem Juiz independente não há Justiça e, sem Justiça, não há democracia.




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