sexta-feira, 26 de julho de 2013

Sobre Mães...

“Sempre dei mais valor ao que já havia partido, sempre entendi o filme só depois do término. Para mencionar só um caso, talvez o mais candente, veja só o de minha mãe. Minha mãe... e eu só fui perceber tarde.

Só descobri o valor que tem a mãe vendo a minha, no CTI, vomitando sangue. Quando ela finalmente partiu é que saí às ruas para dizer aos filhos: compreendam, corram, visitem-nas, ...abracem-nas, ouçam suas vozes enquanto não estiverem sofrendo dor intensa. Conversem com suas mães enquanto não estiverem mortas ou entubadas. Saibam todos, cujas mães não tiverem câncer, que a gente nunca visita a mãe o suficiente.

Tudo o que elas nos dão, por um preço bem barato, não pode ser pago com poucos sorrisos nem com raras visitas. Não haverá no mundo abraços que bastem para quitar as noites de insônia, nem as vezes em que elas nos procuraram em delegacias e hospitais, só porque não avisamos a hora de chegar ou porque estávamos com alguma menininha, ali perto da cidade. Nem que levássemos gerânios e flores, um bouquet a cada dia, pagaríamos o seio dolorido ou em carne viva com que elas nos amamentavam, as noites mal dormidas, as noites no hospital, a comida na mesa, o banho na hora. Nada paga as molecagens, a ingratidão, as ofensas, a incompreensão ou qualquer outra coisa que elas, em silêncio, suportaram anos a fio. Nada paga, na contabilidade do dever de filho, as contas que a mãe saldou, os parcelamentos que fez, as vezes em que foi ao colégio, os tombos que levou, os sacrifícios, a solidão, as renúncias e as brigas com o marido, tudo pelos filhos.

Todos os que não estiverem com a mãe morta ou em um CTI, fiquem atentos! Corram, ainda é tempo!”
(A última carta, William Douglas, Ed Impetus, 2012)

Um comentário:

Silvânia disse...

É verdade. A minha está no céu. Porém, pela graça de Deus, pude dizer a ela, durante toda a sua existência, o quanto a amava. Senão em palavras, mas em gestos concretos. Ah! Quanta saudade! Quando ela se foi, pareceu que o chão me tinha sido tirado. Mãe, daí do céu, me abençoe sempre! Amor eterno!