Só descobri o valor que tem a mãe vendo a minha, no CTI,
vomitando sangue. Quando ela finalmente partiu é que saí às ruas para dizer aos filhos: compreendam, corram, visitem-nas, ...abracem-nas,
ouçam suas vozes enquanto não estiverem sofrendo dor intensa. Conversem com
suas mães enquanto não estiverem mortas ou entubadas. Saibam todos, cujas mães
não tiverem câncer, que a gente nunca visita a mãe o suficiente.
Tudo o que elas nos dão, por um preço bem barato, não
pode ser pago com poucos sorrisos nem com raras visitas. Não haverá no mundo
abraços que bastem para quitar as noites de insônia, nem as vezes em que elas
nos procuraram em delegacias e hospitais, só porque não avisamos a hora de
chegar ou porque estávamos com alguma menininha, ali perto da cidade. Nem que
levássemos gerânios e flores, um bouquet a cada dia, pagaríamos o seio dolorido
ou em carne viva com que elas nos amamentavam, as noites mal dormidas, as
noites no hospital, a comida na mesa, o banho na hora. Nada paga as molecagens,
a ingratidão, as ofensas, a incompreensão ou qualquer outra coisa que elas, em
silêncio, suportaram anos a fio. Nada paga, na contabilidade do dever de filho,
as contas que a mãe saldou, os parcelamentos que fez, as vezes em que foi ao
colégio, os tombos que levou, os sacrifícios, a solidão, as renúncias e as
brigas com o marido, tudo pelos filhos.
Todos os que não estiverem com a mãe morta ou em um CTI,
fiquem atentos! Corram, ainda é tempo!”
(A última carta, William Douglas, Ed Impetus, 2012)
Um comentário:
É verdade. A minha está no céu. Porém, pela graça de Deus, pude dizer a ela, durante toda a sua existência, o quanto a amava. Senão em palavras, mas em gestos concretos. Ah! Quanta saudade! Quando ela se foi, pareceu que o chão me tinha sido tirado. Mãe, daí do céu, me abençoe sempre! Amor eterno!
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