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sexta-feira, 5 de março de 2010

Algumas gostam de nerds

William Douglas, 27/02/2010, 21:04h
Numa entrevista, me surpreendem com uma pergunta nova: “O que eu diria para o William que fez a prova do Colégio Naval, lá pelos 13 anos de idade, com a experiencia do William de hoje, caminhando para os 43?”. A pergunta não era o aprendizado, mas o que eu diria. Boa pergunta, anoto. Então pensei, pensei, pensei... e dei duas respostas. A séria: que eu diria para ele que é possível ir mais devagar, curtindo um pouco mais a vida, que também daria para chegar. Talvez um pouco depois no prazo, mas com mais alegrias. E concluí com um comentário que parece brincadeira, mas é sério: eu diria para ele que algumas meninas gostam de nerds.
Gostam mesmo! Não é por falta de opção não; é porque é o "tipo" delas. Eu não imaginava isso naquele tempo, e só fui descobrir meio tarde. Uma falou, achei que era generosidade, um carinho; depois outra, e outra... e algumas colocavam em prática comigo essa preferência. Só passei a lidar melhor com a "guerra" entre atletas e nerds depois de ver o clássico "A vingança dos Nerds" que, confesso, me ajudou muito. Este e o filme "De volta às aulas" realmente ajudaram o menino confuso com algumas coisas que eu era.
Por falar em confissões, continuo confuso. Resolvi umas dúvidas, amealhei outras, algumas permanecem. Mas, pelo menos, já sei que algumas garotas, e bem interessantes, preferem os nerds. Até os "oclinhos" (sim, dito dessa forma), elas gostam. Como eu precisava dessa informação antes! Como teria sido útil! Bem, para mim chegou meio tarde. Va bene!
Respondi a entrevista, e repeti isso agora, no início de fevereiro de 2010, numa palestra onde gravávamos o novo DVD do livro “Como passar em provas e concursos” (24ª edição).
Hoje, quase um mês depois, saindo de um Shopping, um rapaz bonito, simpático, carinha de nerd, mais alto que eu, meio fofinho (não é gordo, é cheinho; musculoso, mas redondinho, meio "bolo fofo"), abriu a porta para mim no "aquário" do estacionamento VIP. Cara de bom menino. Ele me lembra um pouco o Zezinho, amigo de tempos antigos, mas personagem de outras histórias. Vou chamar o jovem de Tício (para não identifica-lo, apenas).
Enquanto eu pagava, o rapaz se aproxima, me chama por "Dr. William" e eu o cumprimento. Ele, então, me conta:
- Estive em sua palestra em tal lugar, gostei muito. Lembra que o senhor disse que tem meninas que gostam de nerds?
- Sim, respondi sorrindo.
- Pois é, nesse carnaval eu fiquei com uma menina linda, superbacana! Estamos namorando! O senhor tem razão!
Vocês não têm noção de como fiquei feliz, emocionado, gratificado, tudo o que você imaginar de bom. Indaguei a idade e a resposta foi 18. Um menino, volto a dizer, muito bonito, simpático e com planos. Mais alto que eu uns poucos centímetros, e muito, muito forte (repito, no estilo "bolo fofo" que, se ele não sabe, também é opção bem apreciada por aí afora, rsrs).
Conversamos um pouco, ele falou dos planos (bons planos) e estava bem feliz. Perguntei se o fato de ele saber que tinha chances, confiando no que eu havia dito, não teria melhorado seu aproach, sua chegada, acrescentando-lhe atitude (coisa que é, no final das contas, o mais importante). A resposta foi um "com certeza".
Por saber que era possível, ele foi em cima e, por ter ido, conseguiu. Conseguiu porque é um cara interessante, porque algumas gostam mesmo de nerds e porque quem tenta vai conseguir algumas vezes, bem como perder outras. Mas ele foi. E está namorando. Ficou com a garota que parecia impossível.
Algumas vezes troco ideias como quem fala com um irmão mais novo, mas hoje foi quase como que lidando com um filho. Fiquei feliz por, embora a informação não ter vindo a tempo para mim nessa idade, eu ter conseguido passar a notícia para aquele garoto. A informação, e informação é poder, deu a ele uma namorada que eu perdi. E não falo isso com qualquer mágoa. Nada melhor que poder melhorar o tempo ao passar o bastão para o corredor seguinte.
Aos meus filhos desejo o melhor. Não quero ser personagem de mitologia grega, desses que não lidam bem com o sucesso do filho ou sobrinho. Eu quero que meus filhos sejam maiores do que eu em tudo. E aos meninos que estão vindo, meus filhos ou não, amigos ou não, desejo o mesmo. Se eu puder fazer parte disso, me alegro.
Então, hoje, compartilho: fiquei muito feliz pelo Tício, um bom sujeito... realmente um bom sujeito. Que ele sempre encontre as informações a tempo e não como eu, que tenho a impressão que sempre chego nelas com um atraso de, pelo menos, quinze minutos.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Passarela com curvas

Fico me perguntando como deveriam sofrer as mulheres magrinhas naquela época em que os pintores consideravam musas apenas as mulheres mais portentosas. É... os tempos mudam! Veio o tempo das modelos altas e magras, e até mesmo o das macérrimas, anoréxicas, literalmente morrendo de fome. Mas o pior da modernidade nem foi isso, mas o photoshop: esse recurso tecnológico que leva a todos os não “photoshopizados” a sensação de feiura, débito plástico e imperfeição física. Quantas pessoas não se sentiram feias na hora da nudez só porque a nudez, ou semi-nudez, da mídia não é sincera? Quantas não são as modelos e atrizes que, mesmo nuas, ou semi-nuas, estão a vestir na pele inteira o photoshop?
Devia haver uma lei proibindo o photoshop, talvez, para redimir a autoestima dos homens e mulheres que não andam nas capas das revistas.
Quantos meninos e meninas andam fazendo bobagens, ou operações, para se colocarem no formato adequado, como se a raça humana fosse assim: peças de encaixar, como ovos padronizados que precisam ficar no tamanho exato da caixa de isopor?
Num mundo tão complicado, onde a tirania da beleza esquálida e dos padrões não humanos que alguns estilistas engendraram faz tanto mal, é uma alegria ver que nem tudo está perdido. Falo do Fashion Weekend Plus Size, onde desfilarão moças lindas, livres - elas e nós - da ditadura da anorexia.
Abaixo todas as ditaduras que pretendem impor um padrão de beleza: são bonitas as altas e as baixinhas, são bonitas as claras, as negras, são bonitos todos os tipos de cabelo, todas as formas de mulher. Quem escolhe que só é bonita uma mulher alta, macérrima não entende nada de diversidade e, aposto, muito menos ainda de mulher.
Entre as maldades feitas com quem foge ao padrão de beleza propugnado há a falta de cuidado com o desenho das roupas. O problema é que aqueles que desenham as peças para pessoas plus size não parecem tão esmerados, e seguem linhas como se todas tivessem que se vestir quase com uniformes.
Além de ser um mercado numeroso e em crescimento - razões comerciais e capitalistas suficientes para levar essas pessoas a sério - creio que aprender a desenhar com estilo e graça para todas é algo que refere-se à civilidade e ao respeito à dignidade da pessoa humana.
Erra quem pensa que “direitos humanos”, “democracia”, “respeito” etc são termos meramente jurídicos e que só interessam em alguns cenários ou espaços sociais. Respeitar a diversidade e ver a beleza que há em cada uma das formas e cores de cada ser humano é um valor que se tem ou não dentro da gente. Se ele existir, vai valer em tudo, desde fazer roupas até aprovar um candidato numa seleção de emprego; se não existir, vamos continuar a discriminar pessoas tanto nas passarelas quanto nas ruas, empregos e empresas.
Por tudo, então, o Fashion Weekend Plus Size é o mais bonito dos desfiles. Bonito porque mostra gente bonita, e as magras também o são, e bonito porque mostra para todo mundo que a beleza não tem regra, peso ou altura. Assim como o feio também não.