Fico me perguntando como deveriam sofrer as mulheres magrinhas naquela época em que os pintores consideravam musas apenas as mulheres mais portentosas. É... os tempos mudam! Veio o tempo das modelos altas e magras, e até mesmo o das macérrimas, anoréxicas, literalmente morrendo de fome. Mas o pior da modernidade nem foi isso, mas o photoshop: esse recurso tecnológico que leva a todos os não “photoshopizados” a sensação de feiura, débito plástico e imperfeição física. Quantas pessoas não se sentiram feias na hora da nudez só porque a nudez, ou semi-nudez, da mídia não é sincera? Quantas não são as modelos e atrizes que, mesmo nuas, ou semi-nuas, estão a vestir na pele inteira o photoshop?
Devia haver uma lei proibindo o photoshop, talvez, para redimir a autoestima dos homens e mulheres que não andam nas capas das revistas.
Quantos meninos e meninas andam fazendo bobagens, ou operações, para se colocarem no formato adequado, como se a raça humana fosse assim: peças de encaixar, como ovos padronizados que precisam ficar no tamanho exato da caixa de isopor?
Num mundo tão complicado, onde a tirania da beleza esquálida e dos padrões não humanos que alguns estilistas engendraram faz tanto mal, é uma alegria ver que nem tudo está perdido. Falo do Fashion Weekend Plus Size, onde desfilarão moças lindas, livres - elas e nós - da ditadura da anorexia.
Abaixo todas as ditaduras que pretendem impor um padrão de beleza: são bonitas as altas e as baixinhas, são bonitas as claras, as negras, são bonitos todos os tipos de cabelo, todas as formas de mulher. Quem escolhe que só é bonita uma mulher alta, macérrima não entende nada de diversidade e, aposto, muito menos ainda de mulher.
Entre as maldades feitas com quem foge ao padrão de beleza propugnado há a falta de cuidado com o desenho das roupas. O problema é que aqueles que desenham as peças para pessoas plus size não parecem tão esmerados, e seguem linhas como se todas tivessem que se vestir quase com uniformes.
Além de ser um mercado numeroso e em crescimento - razões comerciais e capitalistas suficientes para levar essas pessoas a sério - creio que aprender a desenhar com estilo e graça para todas é algo que refere-se à civilidade e ao respeito à dignidade da pessoa humana.
Erra quem pensa que “direitos humanos”, “democracia”, “respeito” etc são termos meramente jurídicos e que só interessam em alguns cenários ou espaços sociais. Respeitar a diversidade e ver a beleza que há em cada uma das formas e cores de cada ser humano é um valor que se tem ou não dentro da gente. Se ele existir, vai valer em tudo, desde fazer roupas até aprovar um candidato numa seleção de emprego; se não existir, vamos continuar a discriminar pessoas tanto nas passarelas quanto nas ruas, empregos e empresas.
Por tudo, então, o Fashion Weekend Plus Size é o mais bonito dos desfiles. Bonito porque mostra gente bonita, e as magras também o são, e bonito porque mostra para todo mundo que a beleza não tem regra, peso ou altura. Assim como o feio também não.
7 comentários:
é, respeito e sensibilidade é algo q anda em falta mesmo...
hoje em dia toda menina que veste 44 fica complexada a toa, uma bobagem
a andrea boschin (uma das organizadoras gordinhas) é linda e com certeza veste bem mais que isso
"Passarela com Curvas"...
Belo título,
Belo artigo,
Bela abordagem...
Que vc receba sempre essa inspiração, essa vontade de nos agraciar com seus textos...
obrigaaaada!
Helena
Prezado William:
vejo que temos várias outras coisas em comum, além de sermos ambos servidores públicos aprovados em concursos honestos, professores de cursinhos preparatórios e autores de livros auxiliares para concurseiros.
Há muito me irrita profundamente a ditadura da magreza nas passarelas da moda mundial. Jocosamente, costumo brincar dizendo que "mulher pra mim não pode ser tão gorda que pareça uma almofada, mas também não pode ser tão magra que pareça um cabide". Você, usando termos mais elegantes, chegou ao mesmo ponto: o interesse da ditadura da magreza pela indústria da moda vem de que vestir um cabide é muito mais fácil do que vestir um ser humano com curvas e volume.
Parabéns pela clarividência e pela clareza.
Carlos Arthur Newlands Junior
Olá Dr. william,
Saúde e paz para o senhor e toda sua família neste ano de 2010.
Gostei do artigo ecompartilho com suas palavras.
"ABAIXO A DITADURA DA BELEZA."
Muito bom artigo!
Algo que devemos sempre considerar é a relação entre ser saudável e estar bem consigo, se aceitar e gostar da forma que é (algo, aliás, difícil de se atingir, confesso).
O ser humano está se tornando cada vez mais artificial, em vários aspectos. O mais notório é todo esse arsenal de meios para modificar o corpo visando se enquadrar num padrão de beleza imposto principalmente pela mídia. A realidade é que magrinhas - as que caminham pelas ruas da vida e não por passarelas - também sofrem muito preconceito e nem sempre se agradam da imagem que veem refletida no espelho.
Eu achei espetacular,uns textos assim elevam a nossa auto estima,essa sociedade é mt hipocrita,quem sabe um dia mudaremos isso se comecarmos a agir diferente! portanto gente sejam felizes do jeito que vcs vieram a esse mundo!!!!
Felicidades
Queridos amigos, li todas as postagens e quero agradecer pelas opiniões!
Que em 2010 nós possamos fazer a diferença nesse mundo cada vez mais estranho!
Abraço a todos!
Postar um comentário