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terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Quatro Coisas ASSUSTADORAS sobre Concursos [CONCURSOS]

Não siga as técnicas! Não estudar é estudar!
A matéria não reprova ninguém! Saber a matéria não adianta!

1. NÃO SIGA AS TÉCNICAS!
Mas como assim?
A partir do momento em que lancei o livro “Como passar em provas e concursos”, que acabou dando início a uma nova disciplina, que é “Como estudar”, surgiram ótimos professores ensinando o mesmo assunto, mas também muitos curiosos e pessoas, algumas até bem-intencionadas, querendo ensinar técnicas, dicas e segredos. E ensinam muitas coisas erradas. Então, é preciso ter técnica, mas cuidado com elas!
A recomendação para você se sair bem é simples: personalização! Tão importante quanto só ouvir técnicas de pessoas experientes em concursos, você precisa testar o que está sendo dito. Veja se funciona para você. Há técnicas que funcionam para todos, outras apenas para alguns. Por exemplo, há quem renda mais ouvindo, outros copiando, outros assistindo, quem renda mais pela manhã, e outros de noite. Descubra como você rende melhor e que técnicas são mais úteis. E lembre-se: algumas coisas funcionam para todo mundo, como organização, dedicação, muito treino, fazer revisões periódicas da matéria e estudar com silêncio ou música clássica (jamais com outras músicas, com pressa ou pensando noutras tarefas).
Enfim, não siga as técnicas dos outros. Teste-as e, se funcionarem, passarão a ser as suas técnicas. Se funcionam para você, siga-as. Também não tente ficar seguindo 300 técnicas, vá devagar, vá melhorando-as aos poucos. A direção correta é mais importante que a velocidade.
Outras técnicas que funcionam: estudar entre 50 a 80 minutos e descansar entre 10 a 15 minutos (sua resistência aumenta com o tempo, mas faça sempre os intervalos). E claro: prestar atenção nas aulas e nas dicas dos professores, responder questões de vestibulares ou concursos anteriores.
Conselho errado muito comum: “A pessoa que não estudar X horas não passa”.  Conselho errado, porque o estudo vale mais pela qualidade do que pela quantidade e porque com revisões periódicas e técnicas de memorização a pessoa que tem menos tempo para estudar também consegue aprender e passar.

2. NÃO ESTUDAR É ESTUDAR!
Ok, parou, parou, parou... Não ache que sem estudar você terá sucesso nem pegue essa frase e vá para a praia sem culpa... Não, a ideia não é esta. É que existem duas coisas que farão muita diferença para você.
2.1. Quando você está descansando ou fazendo atividades como sono e lazer, não está estudando, mas tais atividades podem aumentar sua produtividade no estudo.
2.2. Para render mais no estudo, precisa estar “presente” naquilo que está fazendo.
Sono e lazer – A fixação da memorização ocorre durante o sono profundo. Por isso, é importante ter um bom sono. Relaxar e... dormir! Claro que isso não é desculpa para dormir demais, mas não dormir o mínimo necessário vai prejudicar o aprendizado.
Lazer – os momentos de lazer fazem a pessoa recuperar suas energias, relaxar, “recarregar a pilha”. Eles  também não devem ter carga horária exagerada, mas são essenciais. Uma das técnicas é estudar seis dias e descansar um. Um bom lazer é a atividade física já que exercícios aumentam a oxigenação do cérebro, a disposição e melhoram o humor (a atividade física faz o cérebro liberar endorfina, substância que combate a depressão e faz a pessoa se sentir melhor). Sempre falo sobre o "shabat" diário e semanal, não deixe de levar isso a sério.
Estar presente naquilo que estiver fazendo. Tem gente que estuda pensando no lazer e vai para o lazer sentindo culpa porque devia estar estudando. Outros estão estudando a matéria X e começam a perder rendimento porque ficam preocupados com a matéria Y. E há pessoas que na hora de dormir ficam pensando em problemas e rodando a TV sem ver nada... e deixam de ir descansar, que é o que precisam. Enfim, tome cuidado quando for fazer alguma coisa, seja estudo, lazer ou ficar com a família: esforce-se para fazer essa coisa bem-feita. Isso aumenta seu rendimento.

3. A MATÉRIA NÃO REPROVA NINGUÉM!
Isso mesmo! Os concursos e vestibulares dizem tudo o que vai cair na prova e não faltam ótimos professores, cursos e livros ensinando a matéria. O que reprova mesmo é a incapacidade de organização e método de estudo por parte dos alunos, vestibulandos e concurseiros.
Se você listar as coisas que mais atrapalham seu estudo, verá que as dificuldades pessoais como preguiça, medo, desorganização etc., e circunstanciais, como família, amigos, problemas, trabalho etc. são o que realmente atrapalham. A pessoa que aprende a administrar seu tempo, amizades, telefonemas, lazer etc. conseguirá estudar bastante, e bem. Estudo é uma questão de organização, qualidade e administração do tempo. Aprenda a fazer isso e não será reprovado. Passar, ser aprovado, é uma questão de tempo para quem aprendeu a estudar e a fazer provas.

4. SABER A MATÉRIA NÃO ADIANTA!
É preciso saber a matéria e saber transmitir a matéria para a prova. Vários são aqueles que estudam muito e até aprendem, mas como não treinam fazer simulados, provas anteriores e concursos e vestibulares reais, não sabem passar o conhecimento para o papel. E se você não passar o que sabe para o examinador, ele vai achar que você não sabe.
Imagine uma pessoa com um caminhão-pipa cheio de água para matar a sede de uma multidão, mas apenas com um canudinho de refrigerante para tirar a água de lá. Não adianta ter a matéria toda na cabeça e não ter treinado como fazer as provas, não saber nenhuma técnica de realização de provas. O melhor jeito de aprender tais técnicas é fazer simulados e provas anteriores, e aprender a fazer provas reais “por esporte”. Eu ensino várias técnicas de realização de provas no livro e na internet, recomendo que você as conheça melhor. Elas fazem muita diferença.

Conclusão
Você pode passar, se quiser, se pagar o preço, se seguir os conselhos certos. Então, vamos buscar o sonho. Ele pode ser seu, faça por merecer. 
Espero ser útil a você nessa caminhada e desejo força e sorte. E também oro para que Deus o abençoe.
Att.,
William Douglas

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Papeando com Pamplona [CONCURSOS]

http://bit.ly/YVzQm5


Já está no ar o programa Papeando com Pamplona #10 em que sou entrevistado e falo sobre concursos públicos, carreira, oportunidades, motivação e metas. Confira clicando na foto ou aqui.

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Costume de Casa

Enquanto moderador em diversas redes sociais e leitor frequente de mensagens de concurseiros, tenho notado alguns problemas no que diz respeito à leitura, redação e interpretação de texto de grande parte das pessoas. Preocupado com a precarização da língua e crendo que, apesar dela, as redes sociais e a web, de maneira geral, podem ser ferramentas importantes para a preparação, resolvi “puxar as orelhas” dos concurseiros neste artigo que apresento com muito carinho e preocupação.
Para isso apontarei alguns comportamentos prejudiciais, não apenas nas redes sociais, mas também nos concursos que vêm sendo cometidos por ai. Vamos a eles:

- Não ler o enunciado. Cada publicação, por menor ou maior que seja, é como o enunciado de uma prova ou uma questão levantada por seu chefe ou cliente na hora do fechamento daquele importante serviço. Muitas vezes são dadas indicações do que fazer/como participar/qual link seguir e, não raro, surgem comentários perguntando algo que já está escrito no corpo da publicação. Em publicações mais longas as pessoas não buscam complementar a informação. É preciso ATENÇÃO e DISPOSIÇÃO! Não desista de ler só porque é grande, o texto pode conter a chave e as orientações para um trabalho mais eficiente. Ler tudo é essencial, e percebemos que muitos não estão tomando esse cuidado indispensável.

- Erros de ortografia. Redigir de forma correta é importante para as redações, provas discursivas e para ser bem compreendido. Na vida virtual não é diferente. Muitas pessoas têm deslizado no português na hora de escrever só porque é “na internet”. O risco é transferir o erro para uma prova/redação. Como melhorar? Primeiro, ler muito; segundo, tanto quanto puder, estudar português.

- Cuidado com sua letra. Escrever bem é importante, mas tão importante quanto é ter a letra legível! Nas redes sociais também é possível ter uma “letra bonita”, um exemplo disso foi trazido por minha assessoria, em média, 4 comentários em cada publicação são marcados como SPAM – pela própria rede social – por escreverem TUDO EM CAIXA ALTA.

- Abreviações. Embora normais dentro da internet, elas são totalmente proibidas em redações e provas. Exemplos: "ñ", "tb", "q", "vc", "pq" e por aí vai. Como examinador em concursos, estou acostumado a ver esse tipo de vacilo. Portanto, se você não tomar muito cuidado com as abreviações, aos poucos elas são incorporadas a sua escrita corriqueira e daí para a prova é um pulo. Cuidado para não cometer esse deslize tão prejudicial na prova. 

Sempre procuro apontar melhorias que os concurseiros podem obter com um pouco mais de atenção aos detalhes de sua preparação, este é apenas mais um exemplo de que mudando a postura, mudam também os resultados. Como diziam nossas mães “costume de casa, vai à praça” então, tome cuidado com o “não vou fazer isso em uma prova”, se essa modalidade de escrita já faz parte de seu cotidiano.

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Cotas para Negros: porque aposto meus olhos azuis




Roberto Lyra, Promotor de Justiça, um dos autores do Código Penal de 1940, ao lado de Alcântara Machado e Nelson Hungria, recomendava aos colegas de Ministério Público que “antes de se pedir a prisão de alguém deveria se passar um dia na cadeia”. Como gênio visionário que era, Lyra informava que apenas a experiência viva permite compreender bem uma situação.
Quem procurar meus artigos sobre este assunto, verá que, no início, era contra as cotas para negros, defendendo – com boas razões, eu creio – que seria mais razoável e menos complicado reservá-las somente para os oriundos de escolas públicas. Escrevo hoje para dizer que não penso mais assim. As cotas para negros também devem existir. E digo mais: a urgência de sua consolidação e aperfeiçoamento é extraordinária.
Embora juiz federal, não me valerei de argumentos jurídicos. A Constituição da República é pródiga em planos de igualdade, de correção de injustiças, de construção de uma sociedade mais justa. Quem quiser, nela encontrará todos os fundamentos de que precisa. A Constituição de 1988 pode ser usada como se queira, mas me parece evidente que a sua intenção é, de fato, tornar este país melhor e mais decente. Desde sempre as leis reservaram privilégios para os abastados, não sendo de se exasperar as classes dominantes quando, umas poucas vezes ao menos, sesmarias, capitanias hereditárias, cartórios e financiamentos se dirigirem aos mais necessitados.
Também não me valerei de argumentos técnicos, dado que ambos os lados – o técnico e o jurídico – os têm em boa monta, e o valor pessoal e competência dos contendores deste assunto comprovam que há gente de bem, capaz, bem-intencionada, honesta e com bons fundamentos dos dois lados da cerca: os que querem as cotas para negros e os que a rejeitam, todos com bons argumentos.
Por isso, em texto simples, quero deixar clara minha posição como homem, cristão, cidadão, juiz, professor, “guru” dos concursos e qualquer outro adjetivo a que me proponha: as cotas para negros devem ser mantidas e aperfeiçoadas. E meu melhor argumento para isso é aquele que me convenceu a trocar de lado: “passar um dia na cadeia”. Professor de técnicas de estudo, há nove anos venho fazendo palestras gratuitas sobre como passar no vestibular para a EDUCAFRO,  pré-vestibular para negros e carentes.
Mesmo sendo, por ideologia, contra um pré-vestibular “para negros”, aceitei o convite para dar aulas como voluntário nesta ONG por entender que isso seria uma contribuição para a formação destes jovens, e que poderia, enfim, ajudar com, além de  aulas, doação de livros, incentivo. Sempre foi complicado chegar lá e dizer minha antiga opinião contra cotas para negros, mas fazia minha parte. E nessa convivência fui descobrindo que: se ser pobre é um problema, ser pobre e negro é um problema maior ainda.
Meu pai foi lavrador até seus 19 anos; minha mãe, operária de “chão de fábrica. Fui pobre quando menino, remediado quando adolescente. Nada foi fácil, e não cheguei a juiz federal, a 900.000 livros vendidos e a palestrante com público de mais de 1.300.000 pessoas por um caminho curto, ou fácil. Sei o que é não ter dinheiro, portas,  ou espaço. Mas tive heróis que abriram a picada esse matagal onde passei. E conheço outros heróis, negros, que chegaram longe, como Benedito Gonçalves, Ministro do STJ, Angelina Siqueira, juíza federal. Conheço vários heróis, negros, do Supremo à portaria de meu prédio.
Apenas não acho que temos que exigir heroísmo de cada menino pobre e negro deste país. Minha filha, loura e de olhos claros, estuda há três anos em um colégio onde não há um aluno negro sequer, no qual há brinquedos, professores bem remunerados, aulas de tudo; sua similar negra, filha de minha empregada, e com a mesma idade, entrou na escola este ano, uma escola sem professores, sem carteiras, com banheiro quebrado. Minha filha tem psicóloga para ajudar a lidar com a separação dos pais, foi à Disney, tem aulas de Ballet. A outra, nada, tem um quintal de barro, viagens mais curtas. A filha da empregada, que ajudo o quanto posso, visitou minha casa e saiu com o sonho de ter seu próprio quarto, coisa que lhe passou na cabeça quando viu o quarto de minha filha, lindo, decorado, com armário inundado de roupas de princesa. Toda menina é uma princesa, mas há poucas das princesas negras com vestidos compatíveis, e armários, e escolas compatíveis, neste país imenso. A princesa negra disse para sua mãe que iria orar para Deus pedindo um quarto só para ela, e eu me incomodei por lembrar que Deus ainda insiste em que usemos nossas mãos humanas para fazer Sua Justiça. Sei que Deus espera que eu, seu filho, ajude nesse assunto. E, se não cresse em Deus como creio, saberia que, com ou sem um ser divino nessa história, esse assunto não está bem resolvido. O assunto demanda de todos nós uma posição consistente, uma que não se prenda apenas a teorias e comece a resolver logo os fatos do cotidiano: faltam quartos e escolas boas para as princesas negras, e também para os príncipes dessa cor de pele.
Não que tenha nada contra o bem-estar da minha menina: os avós e os pais dela deram (e dão) muito duro para ela ter isso. Apenas não acho justo nem honesto que, lá na frente, daqui a uma década de desigualdade, ambas sejam exigidas da mesma forma. Eu direi para minha filha que a sua similar mais pobre deve ter alguma contrapartida para entrar na faculdade. Não seria igualdade nem honesto tratar as duas da mesma forma só ao completarem dezoito anos, mas, sim, uma desmesurada e cruel maldade, para não escolher palavras mais adequadas.
Não se diga que possamos deixar isso para ser resolvido só no ensino fundamental e médio. É quase como não fazer nada e dizer que tudo se resolverá um dia, aos poucos. Já estamos com duzentos anos de espera por dias mais igualitários. Os pobres sempre foram tratados à margem. O caso é urgente: vamos enfrentar o problema no ensino fundamental, médio, cotas, universidade, distribuição de renda, tributação mais justa e assim por diante. Não podemos adiar nada e nem aguardar um pouco.
Foi vendo meninos e meninas negros e pobres, tentando uma chance, sofrendo, tentando manter brilhando nos olhos uma esperança incômoda diante de tantas agruras, que fui mudando minha opinião. Não foram argumentos jurídicos, embora eu os conheça; foi passar não um, mas vários “dias na cadeia”. Na cadeia deles, dos pobres, o lugar de onde vieram meus pais, de um lugar que experimentei um pouco só, quando mais moço. De onde eles vêm, as cotas fazem todo sentido.
Se alguém discorda das cotas, me perdoe, mas não devem fazê-lo olhando os livros e teses, ou seus temores. Livros, teses, doutrinas e leis servem a qualquer coisa, até ao nazismo. Temores apenas toldam a visão serena. Para quem é contra, com respeito, recomendo um dia “na cadeia”. Um dia de palestra para quatro mil pobres, brancos e negros, em que se vê a esperança tomar forma e precisar de ajuda. Convido todos que são contra as cotas a passar conosco, brancos e negros, uma tarde num cursinho pré-vestibular para quem não tem pão, passagem, escola, psicólogo, cursinho de inglês, Ballet, nem coisa parecida, inclusive professores para todas as matérias no ensino médio.
Se você é contra as cotas para negros, eu o respeito. Aliás, também fui contra por muito tempo. Mas peço uma reflexão nessa semana: na escola, no bairro, no restaurante, nos lugares que frequenta; repare quantos negros existem ao seu lado, em condições de igualdade (não vale porteiro, motorista, servente ou coisa parecida). Se há poucos negros ao seu redor, me perdoe, mas você precisa “passar um dia na cadeia” antes de firmar uma posição coerente; não com as teorias (elas servem pra tudo), mas com a realidade deste país. Com nossa realidade urgente. Nada me convenceu, amigos, senão a realidade, senão os meninos e meninas querendo estudar ao invés de qualquer outra coisa, querendo vencer, querendo uma chance.
Ah, sim, “os negros vão atrapalhar a universidade, baixar seu nível”, conheço esse argumento e ele sempre me preocupou, confesso. Mas os cotistas já mostraram que sua média de notas é maior, e menor a média de faltas do que as de quem nunca precisou das cotas. Curiosamente, negros ricos e não cotistas faltam mais às aulas do que negros pobres que precisaram das cotas. A explicação é simples: apesar de tudo a menos, por tanto tempo, e talvez por isso, eles se agarram com tanta fé e garra ao pouco que lhes dão, que suas notas são melhores do que a média de quem não teve tanta dificuldade para pavimentar seu chão. Somos todos humanos, e todos frágeis e toscos: apenas precisamos dar chance para todos.
Precisamos confirmar as cotas para negros e para os oriundos da escola pública. Temos que considerar não apenas os deficientes físicos (o que todo mundo aceita), mas também os econômicos, e dar a eles uma oportunidade de igualdade, uma contrapartida para caminharem com seus coirmãos de raça (humana) e seus concidadãos, de um país que se quer solidário, igualitário, plural e democrático. Não podemos ter tanta paciência para resolver a discriminação racial que existe na prática: vamos dar saltos ao invés de rastejar em direção a políticas afirmativas de uma nova realidade.
Se você não concorda, respeito, mas só se você passar um dia conosco “na cadeia”. Vendo e sentindo o que você verá e sentirá naquele meio, ou você sairá concordando conosco ou, ao menos, sem tanta convicção contra o que estamos querendo: igualdade de oportunidades ou, ao menos, uma chance. Não para minha filha, ou a sua, elas não precisarão ser heroínas, e nós já conseguimos para elas uma estrada. Queremos um caminho para passar quem não está tendo chance alguma ao menos uma chance honesta. Daqui a alguns poucos anos, se vierem as cotas, a realidade será outra. Uma melhor. E queremos você conosco nessa história.
Não creio que esse mundo seja seguro para minha filha, que tem tudo, se ele não for ao menos um pouco mais justo com os filhos dos outros, que talvez não tenham tido minha sorte. Talvez seus filhos tenham tudo, mas tudo não basta se os filhos dos outros não tiverem alguma coisa. Seja como for, por ideal, egoísmo (de proteger o mundo onde vão morar nossos filhos), ou por passar alguns dias por ano “na cadeia” com meninos pobres, negros, amarelos, pardos, brancos, é que aposto meus olhos azuis dizendo que precisamos das cotas, agora.
E, claro, financiar os meninos pobres, negros, pardos, amarelos e brancos, para que estudem e que, pelo conhecimento, mudem sua história e a do nosso país comum, pois, afinal de contas, moraremos todos naquilo que estamos construindo.
Então, como diria Roberto Lyra, em uma de suas falas, “O sol nascerá para todos. Todos dirão – nós – e não – eu. E amarão ao próximo por amor próprio. Cada um repetirá: possuo o que dei. Curvemo-nos ante a aurora da verdade dita pela beleza, da justiça expressa pelo amor.”
Justiça expressa pelo amor e pela experiência, não pelas teses. As cotas são justas, honestas, solidárias, necessárias. E, mais que tudo, urgentes. Fique a favor ou, pelo menos, visite a cadeia.