quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Sobre as pedras que me jogam


Rosi Fonseca acabou de me mandar a seguinte mensagem: "Dr. William Douglas, não permita que roubem o seu brilho e sua felicidade por mais esta conquista. Este livro, como os outros, será de grande utilidade para os que buscam o crescimento pessoal e profissional." Compartilho com os amigos a resposta que enviei a ela:
"Rosi, muito obrigado pelo carinho e pelas palavras reconfortantes. Agradeço muito. Quero tranquilizar você: estou acostumado a receber pedras. Sou cristão desde novo, e isto na época em que éramos vistos quase como uma seita, e muito discriminados. Já fui pobre, já morei no bairro pobre, sou do movimento negro, já era nerd desde uma época em que isso era motivo de chacota. Torço pelo Fluminense e atualmente não, mas isso já foi bem difícil, rs. Fui Delegado de Polícia e Defensor Público, e sou professor, três profissões honradas e maravilhosas que são pouco valorizadas (bem menos do que deveriam) e que nos permitem lidar com os maiores dramas humanos. Fui advogado, outra profissão criticada, mas sobre a qual se deposita a defesa dos direitos constitucionais sempre que violados. E sou magistrado, o cara que quando decide sempre desagrada alguém (quem perde, e às vezes até quem ganha! rs). Enfim, estou acostumado a receber críticas. Defendo minhas ideias, dou a cara a tapa pelo que acredito. Em um mundo onde as pessoas calam e se omitem, onde para serem promovidas, ou aceitas, eu não me disponho ao "politicamente correto" quando ele veicula a mediocridade ou a injustiça. Seja no concurso, seja na teologia, seja no cotidiano profissional, estou bem acostumado a ser atacado, mal interpretado etc. Até como pensador passo isso: criei a tese da legitima defesa antecipada, fui o primeiro a falar em Juizados Especiais na Justiça Federal... tudo isso objeto de críticas, algumas ácidas. Mas devo confessar: não saberia viver de outro modo, não saberia viver sem professar aquilo em que tenho fé. As pedras me darão, sempre, orgulho, se  eu as receber em meu corpo por um bom motivo. E, claro, como alguém que tenta seguir o Cristo, sempre que houver um apedrejamento, meu dever religioso (e, como cidadão, professor e juiz, também meu dever cívico) é o de que eu esteja do lado certo das pedras: nunca as jogando, se possível protegendo alguém de recebê-las e, se elas estiverem vindo em minha direção, que seja não por meus pecados, mas por condutas minhas que agradem ao Pai ou que tornem o mundo mais justo.
Nesse meio todo, em que tantas pedras existem e voam, também tenho recebido plumas, leves, macias, gentis. Você me jogou algumas. Obrigado. Isso mostra um pouco de sua pessoa. Só quem tem plumas na alma pode jogá-las ao mundo. Ninguém pode dar o que não tem. Que as plumas que você me jogou sejam suas também, que amaciem seu caminho nessa estrada ‒ chamada vida ‒ cheia de pedras, mas de flores também.
Inspirado pelas críticas e elogios, quero pontuar algumas coisas que me parecem relevantes. Em momento algum me acho perfeito ou tenho a ilusão de estar certo sempre. Contudo, certo ou errado, a forma como posso contribuir para a comunidade onde me insiro (esta aldeia chamada Terra), é compartilhar a minha verdade para que ela, somada às demais, em um debate civilizado e de boa-fé, possa produzir uma obra coletiva, uma verdade comum, negociada, democrática. E, noutro caso, quando se trata da verdade bíblica que professo, não irei negociá-la. Contudo, mesmo a verdade bíblica é misteriosa, é uma verdade cuja interpretação é vária e difícil, que precisa de conversa franca para ser compreendida. A verdade da fé não pode ser negociada, mas seu conteúdo só se alcança com estudo, livros, debates, e eu quero participar deles.
Amo o cristianismo, mas não me considero proprietário dele. Neste lugar, sou empregado, não dono ou supervisor. Acho que falta aos cristãos olharem mais para as traves em seus próprios olhos do que para os ciscos alheios. E sobre minhas traves, registro que não sou perfeito, mas posso dizer, como disse Martin Luther King Jr., “Não somos o que deveríamos ser, não somos o que queríamos ser, mas, graças a Deus, não somos mais o que éramos." O cristianismo não fez de mim, ainda, um bom cristão, mas fez de mim alguém muito menos ruim do que seria sem Cristo. Jesus poupou a mim e ao mundo de um William Douglas bem pior, acreditem. Tenho certeza de que as ideias bíblicas podem poupar todos de pessoas, empresas e práticas cotidianas bem ruins para quem as pratica e também ruins para a coletividade. Quem estudar a Bíblia, creia nela ou não como livro de fé, terá que – à luz do atual estado do conhecimento humano – reconhecer que as melhores e mais avançadas ideias de Administração, carreira e negócios já estavam escritas há 2.000 anos. O mais moderno do pensamento laico está apenas confirmando o que profetas da Palestina defendiam nos desertos e pastagens de Israel.
Há ainda mais uma coisa. Informo que não vou parar de defender nem as ideias, nem Cristo, nem o Judiciário, nem a lisura nos concursos, nem o serviço público, nem o magistério, nem a igualdade de oportunidades, nem a livre iniciativa, nem o Estado que não se omite, nem empresas éticas, nem coisa alguma daquelas que estou certo que irão melhorar o mundo. Não mesmo. Se alguém me convencer de que estou errado,  mudarei de lado, mas até lá, e depois disso, ainda repetirei as palavras de Luther King:
A covardia coloca a questão: é seguro? O comodismo coloca a questão: é popular? A etiqueta coloca a questão: é elegante? Mas a consciência coloca a questão: é correto? E chega uma altura em que temos que tomar uma posição que não é segura, não é elegante, não é popular, mas o temos de fazer porque a nossa consciência nos diz que é essa a atitude correta.”
Eis aí minha posição: seguirei minha consciência, e que venham as pedras.
Entre as coisas que minha consciência me obriga está ouvir a todos, sentar à mesa mesmo com os que parecem obtusos, mesmo com os que pensam de forma diametralmente oposta à minha, mesmo com os “pecadores”, e ouvi-los. Jesus foi criticado por comer com prostitutas e publicanos, e eu não sou melhor do que ele. Antes, tenho-o como modelo. Ele, por sinal, foi crucificado por aqueles que não entenderam o que ele veio dizer. Mataram-no, e também a Estevão, Pedro, Gandhi, Luther King, Malcolm X, William Tyndale, Jan Hus, Martin Niemöller, entre outros.
Enfim, meus heróis não morreram de overdose. Morreram porque suas ideias revolucionárias eram fortes demais para as pessoas que os rodeavam. Meus heróis foram a overdose, e das substâncias que eles traziam (traficavam talvez, vez que a liberdade sempre foi proibida, e pensar diferente também), me nutro e as injeto em meu sangue, todos os dias, a fim de viver no mundo de sonho e utopia que meus heróis engendraram. A mim, valeu muito a diferença que Cristo fez em minha vida, que Luther King fez na América, Gandhi, na Índia, Tyndale e Hus, na tradução da Bíblia, e assim por diante. Mandela, na África, e John Wesley, perante a escravidão e discriminação, também me valeram muito, e felizmente um está vivo e outro teve morte menos cruel. Quem mais eu poderia citar? William Wallace, por exemplo. Outro que mataram. A ignorância e a tirania vêm matando todos os meus heróis sistematicamente.
Sobre o tema, quero citar novamente Martin Niemöller, no célebre poema “E Não Sobrou Ninguém”, tratando sobre o significado do Nazismo na Alemanha: "Quando os nazistas levaram os comunistas, eu calei-me, porque, afinal, eu não era comunista. Quando eles prenderam os sociais-democratas, eu calei-me, porque, afinal, eu não era social-democrata. Quando eles levaram os sindicalistas, eu não protestei, porque, afinal, eu não era sindicalista. Quando levaram os judeus, eu não protestei, porque, afinal, eu não era judeu. Quando eles me levaram, não havia mais quem protestasse."
Por razões e lições como essas eu irei protestar quando quiserem, como querem, calar os juízes. Quando quiserem concursos de mentirinha, ou servidores públicos enfraquecidos; quando quiserem impor a todos a homofobia ou a teofobia; quando quiserem mudar o conceito de Estado Laico (pois laico não é o Estado que rejeita o sentimento religioso, é apenas o Estado que escolhe uma religião, seja ela a cristã, a islâmica ou o ateísmo. O Estado Laico não rejeita a fé, respeita-a). Vou protestar quando quiserem me impor a “teologia da prosperidade” ou a “teologia da miséria”, dois equívocos dos mais praticados nas igrejas cristãs, tanto católica quanto evangélica, de meu país. Não é o que está escrito na Bíblia, e irei tocar nesse assunto por mais que ele incomode a uns ou a outros.
O livro “As 25 leis bíblicas do sucesso” é atacado, mas representa uma profissão de fé no modelo bíblico de comportamento no trabalho e na empresa. Estamos, eu e Rubens Teixeira, trabalhando nele há anos e seu estudo de fundo contém mais de 1.000 citações bíblicas. Foi elogiado por teólogos de linhas as mais diversas e por empresários, inclusive alguns não religiosos, por professores e consultores empresariais. Não é um trabalho superficial. O título, o prefácio, a abordagem, tudo foi escolhido para realmente abordarmos temas pouco usuais. E se já não bastasse abordar tema sob ótica incomum, também foi escrito respeitando o leitor ateu e agnóstico, focando em temas de interesse geral (para teístas e ateus) sobre os quais a Bíblia tem algo a dizer. Nesse sentido, expressa o sal e a luz que temos que ser no mundo. E expressa leis inexoráveis que aproveitam a teístas e ateus, a hindus, cristãos e agnósticos. São princípios pouco estudados e eu e Rubens Teixeira nos propusemos, mesmo apesar dos riscos, a sistematizá-los.
Para quem é cristão, vale uma observação a mais. A ideia do livro não é a de que em uma semana se vá ganhar rios de dinheiro e que isso é a coisa mais importante do que Jesus Cristo. O escopo dele é mostrar que ensinamentos que estão na Bíblia, quando aplicados na vida profissional, são bons e muitas vezes nem percebemos isso. Muitas vezes passagens bíblicas como ser prestativo, p. ex., são lidas apenas em um contexto "espiritual" e aí (falando para os cristãos) a pessoa sai, vai evangelizar, ajuda nas tarefas da igreja, mas não percebe que um detalhe de prestatividade, uma gentileza a mais no trabalho pode render boas coisas, como o aumento de salário ou a projeção que a pessoa tanto deseja, ou coisas mais importantes ainda, como o exemplo e o “sal e luz” que os cristãos devem prezar. Como já foi dito, em frase ora imputada a Santo Agostinho, ora a São Francisco de Assis: “Evangelize sempre. Se precisar, use as palavras”. Seja pela evangelização, seja pela obediência, seja pelos resultados práticos, cabe ao cristão praticar o certo não apenas no espaço eclesiástico, mas no seu cotidiano. Isso, se ocorrer, será revolucionário e fará muito bem ao mundo.
Enfim, o livro traz algo muito bom, que é parar de separar "mundo espiritual" de "mundo secular" (coisa que muito cristão faz), de forma que é indicado inclusive para quem não é religioso, pois os princípios ali contidos são eficientes para toda e qualquer pessoa que deseja ter uma carreira ou empresa bem-sucedida. Quem discordar, pedimos que tenha a gentileza de dar uma lida no livro, nem que apenas em uma livraria, sem sequer precisar comprá-lo. Para criticar o que viu. Eu e Rubens estamos abertos às críticas sobre o que pensamos, não sobre o que pensam que pensamos.
Por falar em pensar, escrever é colocar o pensamento no papel. E quem pensa se arrisca, é assim que funciona. E se pensa e escreve, se arrisca mais ainda. Nós, por sinal, somos gratos a todos os que pensaram e disseram, ou escreveram, e até morreram por causa disso. Entretanto, só é livre quem pensa, pois, como ensinou Jesus, a verdade liberta. Eu e Rubens, não donos, mas servos da verdade, colocamos nossas ideias no papel. E, como disse um advogado na época da Revolução Francesa, “trazemos para a corte, numa bandeja, nossa cabeça e nossa verdade. Podereis dispor da primeira depois de ouvir a segunda.”
Espero que aqueles que pedem nossas cabeças se disponham a primeiro ouvir nossa verdade, assim como nós praticamos o princípio – dos Direitos Humanos antes mesmo que democrático e republicano – de ouvir a verdade alheia antes de criticar. Mas, se o fizerem, faz parte: a Humanidade já vem lidando com a crítica surda há milênios. Mas, se em um átimo de tolerância, em um átimo mesmo que de curiosidade, quem nos critica ler o livro e nos fizer alguma crítica centrada, inteligente, coerente, lógica, fundamentada, então ficaremos profundamente gratos. Queremos aprender mais e, apesar de não vir sendo comum ultimamente, estamos bastante abertos a ouvir quem pensa diferente de nós. E aos que nos elogiam e apoiam, mais uma vez nosso muito obrigado. São plumas que nos acalentam. A todos, nossa humilde verdade. Se quiserem discuti-la, obrigado, estamos certos de que aprenderemos alguma coisa. Como sempre, estarão ao dispor nossas cabeças, mesmo o corpo inteiro. Elas sempre entram em jogo quando o assunto é defender o que se pensa, ainda mais quando se pensa o diferente.

9 comentários:

JUREMA ROBERTA disse...

Tive a oportunidade de ir a sua palestra Biblia e concurso aqui em Goiânia e ver o quanto Maravilhosa ela foi... Sabe que quando ouvi a sua palestra pensei: Poderia fazer um livro sobre esta palestra e eis que ele chegou. Tenho 2 livros teus e ansiosa pra comprar este...PARABÉNS AOS DOIS AUTORES MARAVILHOSOS, QUE O SENHOR JESUS CONTINUE ABENÇOANDO SEMPRE AS SUAS VIDAS

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Unknown disse...

Dr. William, há tempos venho acompanhando o seu trabalho.Vejo em você um homem inteligente, comprometido,um homem de fé que acredita em si mesmo e que tem a grande missão de ajudar as pessoas.Que bom que você faz tudo isso por que gosta, faz com amor.Você é um homem de sucesso e todos sabem disso.Um homem de sucesso porque desde o princípio veio fazendo com que tudo desse certo com a ajuda de DEUS.De uns tempos pra cá, resolvi colocar DEUS em minha vida e só tive recompensas.Acredito que quem anda com DEUS só tende a andar na linha, na linha da sabedoria, na linha do sucesso.Pedras, elas vão sempre existir em nossos caminhos e não devemos se queixar delas, pois elas podem fortalecer mais a direção que caminhamos.Considero você William um amigo e desejo muito sucesso a você.Me inspiro em você, pois tu és um homem de DEUS.Todos que percorrerem o caminho de DEUS só terá benefícios.Fique com DEUS e tenha uma boa noite.

Pastorzão Michael Condé Prata disse...

Querido colega de Haggai. Como vai? Recebi seui artigo por uma ovelha (Clara) e me edificou muito. Deus continue usando você! Tudo de bom! Pastorzão.

Unknown disse...

Olá William Douglas, muito bom sua resposta. Penso exatamente isso, um cristão não pode ser duas pessoas, tudo em nossa vida deve ser santo. Devemos adorar a Deus em todo o tempo com nossa vida e testemunho, não dá para separar "mundo espiritual" de "mundo secular". Devemos ser uma só pessoa. Parabéns pelo livro, você e o Rubens são duas pessoas em que muito me alegro de poder um dia encontrar no céu, louvo a Deus pela vida de vocês.
"E até importa que haja entre vós heresias, para que os que são sinceros se manifestem entre vós." 1 Coríntios 11:19
Abraços, Rafael Araújo : )

Anônimo disse...

William, mais uma vez parabéns!!!!!!!

Admiro muito a sua sabedoria, colocações e a maneira como se porta em uma sociedade como a nossa. O seu ministério abençoa a minha vida e me impulsiona a ir além... Obrigada por dividir conosco! Muito obrigada!

Que Deus Te Abençoe!!!!!

TUCO disse...

Mais uma aula... Por vezes, a verdade dói, mas com uma explanação assim, a verdade faz pensar e se bem pensada, faz até mudar de rumo. Forte abraço.

Jhonathan disse...

Boa Noite Dr. William Douglas,

Nossa! Que texto fenomenal. Admiro o senhor, suas vitórias e audácias. Infelizmente, a sociedade atual se acostumou a aceitar o comodismo e a se contentar com migalhas - triste realidade.
Todos que não se dobram ao Sistema, certamente, serão alvos de "pedradas". Aqueles que têm opiniões fundamentadas e ideiais consistente irão incomodar os que não têm - infelizmente esses são a maioria.
Não sou tão eloquente, não sou bem sucedido, e nem tão inteligente quanto o Dr.,mas espero um dia chegar lá.
Doutor William, com o pouco que aprendi nestes 24 anos de vida, consigo defender minhas verdades,seja verbalmente e/ou de forma escrita - Sou um pouco criticado por isto.
Doutor William, tenho grandes sonhos, mas poucos acreditam em mim. Talvez, pois a maioria só conseguem olhar para o meu contexto, falta de condições e inexperiência. As vezes penso em desistir, mas, aí penso: Será que vale à pena desistir?
Creio que a minha vida tem um sentido e um propósito, por isso, não desisto.
Sinceramente, espero um dia ter o prazer de conhecê-lo pessoalmente, creio que Jesus Cristo irá proporcionar-me esse encontro - quando eu não sei, mas creio que Ele fará.
Para finalizar, nunca pare de nos fornecer conhecimento, pois um povo foi destruído por falta dele.
Desejo que Cristo Jesus ilumine e indireite os seus caminhos.
Desejo também que todos os seus sonhos, metas e objetivos realizem-se conforme o tempo e vontade de Deus.

Um pedido: Quando puder, visite o meu blog e deixe o seu comentário: http://naovosconformeiscomestemundo.blogspot.com.br/

Esse é o email: Jhonathanjmg@hotmail.com

Deus abençoe a você e a sua família.

Sucesso, Paz e Prosperidade,
Jhonathan

Kaline disse...

Parabéns pelo seu blog estou te seguindo, havia desanimado quanto aos estudos para concurso então meu esposo me mostrou suas palestras e voltei a me animar! Deus o abençoe!