Nós, representantes das comunidades
brasileiras cristã e acadêmica, adiante assinados, secundados ainda por outros
representantes do povo também subscritos que, embora professem crença diversa
ou, até mesmo, não sejam filiados a qualquer religião, se sensibilizaram e
ofereceram seu apoio, vimos, respeitosamente, dirigir a V.Exa. o seguinte
apelo:
A situação que desejamos seja solucionada
é a dos candidatos pertencentes à comunidade judaica, que, por guardarem o
sábado, não podem realizar a prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem)
antes do pôr do sol, atualmente sendo obrigados a aguardar no local e fazer a
prova à noite, em situação extremamente penosa e, contudo, de facilíssima
solução, que nenhum prejuízo ou inconveniente traria a quem quer que seja.
Apela-se à sensibilidade de V.Exa. para,
tão e simplesmente, que sejam determinadas as providências cabíveis, no sentido
de que a próxima edição do Enem e também as sucessivas sejam realizadas, como
aliás o era até pouco tempo atrás, em dois domingos e não mais em um único fim
de semana.
Seria uma solução muitíssimo menos
gravosa, seguramente, do que constranger os que guardam o sábado a chegarem aos
locais de prova junto com os demais inscritos e fazê-los esperar por horas, até
o cair da noite, como hoje lamentavelmente se faz, para que, afinal, iniciem
uma avaliação que, como se sabe, é complexa, extensa e, por que não dizer,
também decisiva para a vida acadêmica e para a vida profissional dos milhares e
milhares de brasileiros que buscam ascensão em todos os níveis. Além das horas
de espera, após fazer as provas no período noturno, o intervalo para descanso
até o dia seguinte, em que ocorrerá nova prova, é insuficiente.
Em situações mais gravosas para o país,
como o serviço militar, por exemplo, a Constituição providencia solução
alternativa. Aqui, por maior razão, deve existir sensibilidade, pois o que se
almeja é tão somente que as provas voltem a ser, como antes, apenas aos
domingos.
Apelamos ainda para a sensibilidade de
V.Exa., não apenas como governante, mas também como mulher e mãe, a fim de
resguardar os jovens, os quais merecem a oportunidade de competir em igualdade
de condições, porém, a situação atual não assegura esse estado.
Entendemos desnecessário e gravoso, e
completamente fora da cultura de paz, harmonia e tolerância que caracterizam o
país, deixar mais de 30 mil jovens em situação altamente prejudicial a seu
desempenho, com graves prejuízos ao processo de seleção para o ensino superior.
Acreditamos que com boa vontade e sabedoria este assunto possa ser resolvido.
Embora não acometidos diretamente pelo problema, buscamos V.Exa. munidos do
espírito de fraternidade que une todos os brasileiros e que é, dentro de
muitos, um dos maiores exemplos que nossa pátria oferece ao mundo.
Aproveitando o ensejo para manifestar a
nossa mais alta estima e consideração por V.Exa., por seu compromisso com os
valores democráticos e por sua história de luta pela liberdade, e pelos
direitos humanos, e confiando ainda em sua sensibilidade, subscrevemo-nos.
Respeitosamente,
APEB – Associação dos Parlamentares
Evangélicos do Brasil
CIMEP
- Conselho Interdenominacional de Ministros Evangélicos do Brasil
CONCEPAB – Confederação dos Conselhos de
Pastores do Brasil
EDUCAFRO /FAECIDH – Francisco de Assis
Cidadania, Inclusão e Direitos Humanos
FENASP
– Fórum Evangélico Nacional de Ação Social E Política
JURISTAS DE CRISTO – Associação de
Juristas Evangélicos
Abner Ferreira – Pastor, Presidente da
Convenção das Assembleias de Deus Ministério de Madureira/RJ
Antônio dos Santos – Deputado Estadual/SE
e Presidente da APEB
David Santos – Padre Franciscano, Diretor
Executivo da EDUCAFRO / FAECIDH
Fátima Pelaes – Deputada Federal/AP e
Vice-presidente da Frente em Defesa da Família do Congresso Nacional
Fernanda Marinela – Prof. Direito
Administrativo
Francisco Paixão – Pastor, Presidente da
CONCEPAB
Henrique Afonso – Deputado Federal/AC
Ney Maranhão – Juiz do Trabalho/PA e
Professor
Paulo Cremoneze – Advogado, Colaborador da Prelazia Pessoal do
Papa e Cavaleiro da Ordem Equestre
do Santo Sepulcro de Jerusalém
Roberto de Lucena – Deputado Federal/SP
Rodolfo Pamplona – Juiz do Trabalho/BA e
Professor
Rogério Greco – Procurador de Justiça/MG e
Professor
Rubens Teixeira – Professor e Pastor da
Assembleia de Deus
Marcelo Crivella – Senador
Silas Câmara – Deputado Federal/AM
William Douglas – Juiz Federal/RJ e Professor
Wilton Acosta – Pastor, Presidente do FENASP
4 comentários:
Concordo plenamente. Uma coisa é você não compactuar com o que prega esta ou aquela religião. Outra coisa é o respeito que se deve ter por aquelas pessoas que não professam o mesmo credo religioso que o nosso. Daí, mais uma vez, anuir com o que diz o senhor e todos que comungam do mesmo pensamento.
Bela iniciativa!
Parabéns!
Concordo plenamente. Uma coisa é você não compactuar com o que prega esta ou aquela religião. Outra coisa é o respeito que se deve ter por aquelas pessoas que não professam o mesmo credo religioso que o nosso. Daí, mais uma vez, anuir com o que diz o senhor e todos que comungam do mesmo pensamento.
Concordo com a maioria do que é dito pelo nobre juiz e admiro muito sua coerencia (na maior parte das vezes) e seu trabalho, tanto na area pública como na privada. No entanto não compreendo e nem vejo realidade nessa insistencia em definir cristãos como perseguidos (pelo menos não num país onde mais de 80% da população é cristã, sejam católicos, crentes ou espiritas - e isso vem de bem antes do seu nascimento). Os que recebem pedras aqui nesse país por causa de religião, caro juiz, são os de religião de matriz africana e os que não acreditam em Deus. Esses sim sofrem todo tipo de preconceito, e muitas vezes são obrigados a esconder suas afinidades ideologicas para conviver em socidade com os cristãos sem serem tachados do que quer que seja. Gostaria de entender de onde parte tamanha perseguição imáginaria de uma mente que, na maioria das vezes, é racional e metódica.
Postar um comentário