Após ouvir lixeiros desejarem “feliz 2010”, Boris Casoy disse “... que m----, dois lixeiros desejando felicidades do alto de suas vassouras... (risos) ... dois lixeiros... o mais baixo da escala do trabalho.” O episódio chocou. As reações que está sofrendo são exageradas? Ou ele as merece? Os lixeiros desejaram a todos (inclusive a ele, portanto) “paz, saúde, dinheiro, trabalho” e o que se seguiu foi, usando sua terminologia, “uma vergonha”.
O pedido de desculpas, protocolar, não teve eficácia, talvez até o contrário. A oposição entre a imagem do apresentador e o comentário em off, revelador de uma visão elitista e preconceituosa, frustrou a ideia de respeito a todos e ao telespectador (imaginem o filho de um gari ouvindo isso). A rudeza dos comentários não se resolve por ter sido um acidente e não é fácil pedir desculpas pelo que se é ou pensa. Contudo, até que ponto a diferença entre nós e o Boris reside apenas no azar que ele deu pelo vazamento? O quanto de Boris existe em cada brasileiro?
Quando alguém se refere ao ponto “mais baixo na escala do trabalho” pode estar se referindo ao conteúdo moral ou social da atividade (como, por exemplo, criticar o tráfico ou a agiotagem), pelos riscos ou pela remuneração reduzida. A atividade de lixeiro não é nociva à sociedade. Nocivo seria, para a saúde e meio ambiente, que eles não atuassem. Como o risco não é tão grande, por eliminação, resta a remuneração. E aí reside um preconceito que resiste: julgar a dignidade das pessoas, ou das profissões, de acordo com sua remuneração. Há que se reconhecer que nem sempre existe equilíbrio entre a importância social de uma função e os ganhos que esta proporciona. E não se pode confundir o desejo de melhorar de vida ou ganhar mais, e a admiração por quem logra isto, com uma postura de menoscabo com as funções menos rentáveis.
Todo trabalho é digno. O que existe, em cada ofício, são pessoas que agem bem e outras não. Existem servidores públicos, CEO’s, lixeiros, jornalistas e juízes dignos e indignos, o que se define pela forma como exercem sua atividade. Mais que isso, Jesus dizia que “a vida do homem não consiste na abundancia dos bens que possui”.
Se você, leitor, julga alguém melhor ou pior levando em consideração o quanto a pessoa ganha, ou como se veste, ou onde mora, é preciso reconhecer que em você há, escondido, um pouco desse lado sombrio que o Boris revelou ter. Talvez o lado positivo desse episódio seja a reflexão sobre até que ponto ele não revela nossos preconceitos em off.
Camila Pitanga, que faz o papel de uma faxineira na novela global, afirmou que anda pelo estúdio sem ser cumprimentada quando está com os trajes da personagem. Feliz pelo papel ser convincente, não deixou de anotar como é estranho ficar “invisível”, Esse fenômeno já foi objeto de estudo por um professor da USP que, vestido de faxineiro, ficou “invisível” na universidade, por anos. Em suma, quem deixa de ver o faxineiro, não deixa de ter seu lado Boris. Não que o Boris seja de todo mal, ele não é. Ninguém é. Somos todos humanos, com nossos lados luminosos e sombrios.
Boris também errou ao analisar a função de lixeiro. Os "'garis" são figuras simpáticas à população, vivem de bom humor e, ao lado dos carteiros, têm índices de aprovação e confiança que fazem corar os Poderes, a igreja e a imprensa. Infelizmente, estas instituições não são eficientes para limpar seus respectivos “lixos” como os garis o são com o lixo que lhes cabe. Por fim, não esquecer que – com seu jeito e ginga – um gari ilustra o vídeo institucional da bem sucedida campanha “Rio 2016”. No Rio, os concursos para gari são concorridíssimos.
Certa vez, fui a uma festa na casa de um Procurador do Ministério Público do Trabalho (negro e onde grande número de convidados eram afrodescendentes). Fui com meus dois filhos e a babá do mais novo. Ela, negra, não está acostumada a ir a festas com tantas pessoas da sua cor. Em restaurantes e colégios caros, só para dar dois exemplos, é raro encontrar pessoas negras. Depois da festa, perguntei à babá o que ela achou e sua resposta foi: “Achei muito diferente, Dr. William. As pessoas olhavam para mim!”. De fato, quem reparar vai ver quantos ignoram os trabalhadores mais humildes, quando não chegam a destratá-los. Naquele ambiente raro, a jovem experimentou a “não invisibilidade”.
E você, leitor? Cumprimenta seu lixeiro? O garçom? A babá da vizinha? O porteiro? Você os vê? Aquele áudio procura você. Se você se julga, ou julga os outros, por quanto ganha, por qual carro tem, ou se não tem um, então o episódio pode revelar esse lado do Boris em seu cotidiano. Melhor que apenas discutir o que fez o Casoy é também questionarmos até que ponto reconhecemos o valor de todo e qualquer trabalho honesto.
O pedido de desculpas, protocolar, não teve eficácia, talvez até o contrário. A oposição entre a imagem do apresentador e o comentário em off, revelador de uma visão elitista e preconceituosa, frustrou a ideia de respeito a todos e ao telespectador (imaginem o filho de um gari ouvindo isso). A rudeza dos comentários não se resolve por ter sido um acidente e não é fácil pedir desculpas pelo que se é ou pensa. Contudo, até que ponto a diferença entre nós e o Boris reside apenas no azar que ele deu pelo vazamento? O quanto de Boris existe em cada brasileiro?
Quando alguém se refere ao ponto “mais baixo na escala do trabalho” pode estar se referindo ao conteúdo moral ou social da atividade (como, por exemplo, criticar o tráfico ou a agiotagem), pelos riscos ou pela remuneração reduzida. A atividade de lixeiro não é nociva à sociedade. Nocivo seria, para a saúde e meio ambiente, que eles não atuassem. Como o risco não é tão grande, por eliminação, resta a remuneração. E aí reside um preconceito que resiste: julgar a dignidade das pessoas, ou das profissões, de acordo com sua remuneração. Há que se reconhecer que nem sempre existe equilíbrio entre a importância social de uma função e os ganhos que esta proporciona. E não se pode confundir o desejo de melhorar de vida ou ganhar mais, e a admiração por quem logra isto, com uma postura de menoscabo com as funções menos rentáveis.
Todo trabalho é digno. O que existe, em cada ofício, são pessoas que agem bem e outras não. Existem servidores públicos, CEO’s, lixeiros, jornalistas e juízes dignos e indignos, o que se define pela forma como exercem sua atividade. Mais que isso, Jesus dizia que “a vida do homem não consiste na abundancia dos bens que possui”.
Se você, leitor, julga alguém melhor ou pior levando em consideração o quanto a pessoa ganha, ou como se veste, ou onde mora, é preciso reconhecer que em você há, escondido, um pouco desse lado sombrio que o Boris revelou ter. Talvez o lado positivo desse episódio seja a reflexão sobre até que ponto ele não revela nossos preconceitos em off.
Camila Pitanga, que faz o papel de uma faxineira na novela global, afirmou que anda pelo estúdio sem ser cumprimentada quando está com os trajes da personagem. Feliz pelo papel ser convincente, não deixou de anotar como é estranho ficar “invisível”, Esse fenômeno já foi objeto de estudo por um professor da USP que, vestido de faxineiro, ficou “invisível” na universidade, por anos. Em suma, quem deixa de ver o faxineiro, não deixa de ter seu lado Boris. Não que o Boris seja de todo mal, ele não é. Ninguém é. Somos todos humanos, com nossos lados luminosos e sombrios.
Boris também errou ao analisar a função de lixeiro. Os "'garis" são figuras simpáticas à população, vivem de bom humor e, ao lado dos carteiros, têm índices de aprovação e confiança que fazem corar os Poderes, a igreja e a imprensa. Infelizmente, estas instituições não são eficientes para limpar seus respectivos “lixos” como os garis o são com o lixo que lhes cabe. Por fim, não esquecer que – com seu jeito e ginga – um gari ilustra o vídeo institucional da bem sucedida campanha “Rio 2016”. No Rio, os concursos para gari são concorridíssimos.
Certa vez, fui a uma festa na casa de um Procurador do Ministério Público do Trabalho (negro e onde grande número de convidados eram afrodescendentes). Fui com meus dois filhos e a babá do mais novo. Ela, negra, não está acostumada a ir a festas com tantas pessoas da sua cor. Em restaurantes e colégios caros, só para dar dois exemplos, é raro encontrar pessoas negras. Depois da festa, perguntei à babá o que ela achou e sua resposta foi: “Achei muito diferente, Dr. William. As pessoas olhavam para mim!”. De fato, quem reparar vai ver quantos ignoram os trabalhadores mais humildes, quando não chegam a destratá-los. Naquele ambiente raro, a jovem experimentou a “não invisibilidade”.
E você, leitor? Cumprimenta seu lixeiro? O garçom? A babá da vizinha? O porteiro? Você os vê? Aquele áudio procura você. Se você se julga, ou julga os outros, por quanto ganha, por qual carro tem, ou se não tem um, então o episódio pode revelar esse lado do Boris em seu cotidiano. Melhor que apenas discutir o que fez o Casoy é também questionarmos até que ponto reconhecemos o valor de todo e qualquer trabalho honesto.
27 comentários:
Caro William:
concordo em gênero, número e grau com todo o seu artigo, incluindo a muito bem vinda lembrança do "manto da invisibilidade" que os profissionais da limpeza vestem. Só discordo no que acho que você aliviou demais a barra do Casoy.
Casoy é mais do que um elitista e preconceituoso: ele é um militante político orgânico da extrema-direita brasileira. Na juventude, foi membro do famigerado CCC (Comando de Caça aos Comunistas), passado que ele não assume e nega mas não combate o que foi o CCC e vários contemporâneos seus atestam sua participação naquele grupo fascista. Atitude muito diferente teve outro politicamente conservador da mídia brasileira, o apresentador Flavio Cavalcanti, que ao ser imputada a pecha de dedo-duro durante a ditadura militar, foi para a tv em seu programa e bradou: "não sou dedo-duro, não admito ser chamado de dedo-duro, e se tem um tipo de gente que eu detesto é dedo-duro".
Casoy merecia, isso sim, ser demitido da Band por justa causa, por incitar o preconceito de classe.
Carlos Arthur,
Obrigado pelo comentário. Mas eu disse que o que ele fez é uma vergonha, preconceituoso, elitista... e ainda disse que errou quanto a analisar o ofício. Tentei não aliviá-lo, mas puxar o debate para (também, e citei
o "também" no texto) discutir o paradigma.
Valeu o retorno! Abraço forte!
Excelente artigo, professor. Na própria gravação, ouve-se a aprovaçâo de outras pessoas ao comentário. E o senhor chama a atenção nesse artigo para o fato das pessoas no Brasil não reconhecerem o preconceito, vive-se esse mito de uma sociedade livre de preconceitos, que é uma mentira. É muito mais difícil combater uma coisa que é "invisível".
Muito bom o artigo,até o indiquei para alguns amigos.Foi lamentável o comentário do Boris,muito preconceituoso.Como ele mesmo poderia ter dito:"Isso é uma vergonha."
Sempre muito bem colocadas suas opiniões e devo admitir que em certas ocasiões já me peguei não vendo os invisíveis sociais.
Parece uma tendência egoísta que temos de evitar aquilo não tendemos a valorizar.
Não hajo assim no dia a dia, aliás sempre fui muito sociável com todas as pessoas ao meu redor, mas situações diferentes reações diferentes.
Porém nunca tratei ou desrepeitei alguém cuja profissão eu não admirasse.
Realmente choca o que ouvimos. Mas o que mais me incomoda neste episódio foi o fato de só conhecê-lo quando eu mesma fiz um comentário preconceituoso e a pessoa que ouvia disse que havia se lembrado de tal fato. Venho, com vergonha, constatar que todos nós estamos sujeitos a, em algum momento, mostrar o que de pior temos. Nem preciso dizer o nó que deu na minha garganta e tem dado todo hora que lembro e vejo que cometi erro semelhante. No início eu me justifiquei, até porque todos que me conhecem sabe que não é do meu perfil agir assim. Mas o pior sentimento que existe é a vergonha de nós mesmos. Só a pessoa que ouviu sabe desse comentário, mas a mim dói como se todo o Brasil soubesse. E no primeiro momento que ouvi a declaração do jornalista, pensei exatamento o que o sr. disse: Como pedir desculpas do que se pensa. Como eu posso me retratar do que pensei naquele momento? A lição que levo disse tudo é que não devemos nos acostumar com qualquer situação elitista, e andar em constante vigilância e pés no chão.
Abraço
Não, claro que não. Boris não é totalmente mal, nem um homem absolutamente insensível. Mas talvez isso seja um julgamento também, não é? Convenhamos, os aspectos mais nauseabundos dos seres humanos são aqueles que se escondem atrás de pseudo-moralismos. Julguemos por esse lado: isso sim é uma vergonha, mas é claro que nós, que já fomos sobremaneira discriminados pela nossa condição de pobreza já temos uma opinião acerca do assunto: não é assim tão mal quando você não finge ter asco usando o seu ego pra desculpar uma verdade pessoal. Se você repudia a profissão ou não gosta da condição social de alguém, não finja que não viu - é ridículo, e é falta de respeito, creio eu. Mas afinal, quem é que pode julgar Bóris? E se a intenção dele ao invés de ofender foi demonstrar contradição? Quanto de Bóris existe em mim? Eu sou o Bóris, ora essa! A diferença é que toda vez que falo desses assuntos, falo com a experiência de alguém que já morou em um barraco, e que já esteve mais perto do lado negro da força.
Não vou entrar no mérito da discussão, pois todas as pontuações que foram feitas estão de acordo com meus pensamentos. Mas gostaria de mencionar um fato que aconteceu comigo. Gosto de correr na rua, e em uma dessas corridas passou um "caminhão de lixo" e os garis que atrás estavam me cumprimentaram. Não deu outra, dei um "tchauzinho" pra eles e todos pareceram felizes. Acredita que fui repreendida por tal atitude? E ainda chegaram a comentar que eu teria "um pezinho na senzala". Pode?
Por coincidência ontem eu enviei esse vídeo do pobre Boris a todos os meus amigos. Todos lamentaram o triste comentário deste grande âncora de telejornal, que há muito tempo era visto com certa credibilidade. Mesmo se retratando após o episódio ele não conseguiu apagar a mancha deixada. Boris foi muito infeliz, que essa repercussão venha a torná-lo mais humilde.
Peço a Deus que me torne uma pessoa mais humilde para que eu jamais pise em alguém. E se alguma vez eu errei nesse sentido, oro pela Sua infinita misericórdia em minha vida, porque afinal sou ser humano e o erro me é inerente.
Que o nosso irmão jornalista ore a Deus para receber seu perdão.
Dr. William parabéns pelo artigo. Eu endosso.
Abraço fraterno.
Realmente aparece algumas pessoas com tom de aprovação no vídeo após o lamentável discurso. Não sei o que seria pior, elas concordarem mesmo com o Boris ou então por receio da "figura importante" que é o dito cujo, não argumentá-lo acerca desse preconceito.
Todas as profissões são dignas, mas para mim a profissão de gari só não é mais importante que a de médico. No mesmo nível de importância. Depois vêm aquelas profissões que envolvem a nossa sobrevivência imediata: camponeses e operários da contrução civil. Todo o resto é perfumaria.
Quando aquele senhor falou aquela coisa tão feia dos pobres garis, fiquei ofendida como se fosse comigo.
Incrível o comentário desse imbecil, que já tem idade suficiente para pelo menos aprender a respeitar os outros.
Ele (judeu que é), deveria ser totalmente contra qualquer tipo de racismo e preconceito, mas pelo que se nota é fácil se "defender" dos "ataques" contra os judeus (e gays, no caso dele) e ao mesmo tempo atacar pessoas MUITO mais dignas do que ele.
Pobre infeliz...
Boicote total a qualquer emissora onde estiver !
Eu ainda não me peguei em nenhuma atide de "Boris", graças a Deus sempre consgui tratar a todos como ser humano, sejam juízes, promotores, médicos, fachineiros, babás, advogados, professores e etc. A condição de ser humano, infelizmente é relegada, sobreposta por características fulgazes, ou esteriótipas. Cosegui nascer pobre, preto e gordo, e devido a um esforço conjunto de toda minha família estudei em uma das melhores escolas de Ensino Médio da minha cidade, talvez lá eu soube um pouco o que é ser invisível, afinal meu pai não tinha um bom carro, não era dono de nada, pode até seja coisa da minha cabeça, mas com exceção de um grande amigo meu, eu nunca fui convidado para viagens, visitas em casas de colegas, festas, ou passeios com o resto da turma, apenas para o futebol, mas acho que eu gostava daquilo, contudo uma coisa eu tenho certeza, tenho hoje mais colegas da escola pública na qual estudei até a 8º série, que era pública e ainda recebia uma imensa quantidade de alunos provenientes de um orfanato, do que colegas da escola particular que cursei o Ensino Médio, com relação as mulheres parece que é pior ainda, pois como moro em uma cidade muito pequena, é comum encontrarmos vários ex colegas de classe, e alguns homens me cumprimentam, já as mulheres, como sempre digo, nem para xingar. Mas a estigmação social impregnada na cultura mundial, infelizmente assola a todos aqueles que, por alguma característica, é considerada inferior. Ahh só para lembrar, o grande amigo meu, também veio da escola pública.
Este tipo de atitude preconceituosa, elitista e arrogante é típica dos fascistas, e Boris Casoy é um fascista de longa data. Além de ter sido membro do CCC, subiu no jornalismo no Grupo Folha pelas mãos de Otávio Frias, dono do jornal na época da ditadura militar e reconhecidamente um dos financiadores da famigerada Oban - Operação bandeirantes, que veio a ser o embrião do sinistro DOI-CODI.
Vocês podem achar que eu estou sendo chato por politizar e ideologizar a questão, mas é que ela é política e ideológica mesmo! Só isso explica que hoje a jornalista Barbara Gancia - certamente não por coincidência, articulista da FSP - venha DEFENDER Boris Casoy em seu artigo, chegando a dizer que "não vê preconceito" na fala e acusar a ësquerda de fazer "campanha contra Boris, por ele ser tido como homem de direita". Só posso concluir que BG está agradando a seu velho patrão, o fascista Otávio Frias, ao defender o igualmente fascista Boris Casoy. E não venham me dizer que a questão não é política nem ideológica...
Professor William
Cada vez mais me convenço da sua capacidade e serenidade em abordar um assunto.
Seu artigo nos leva a uma reflexão necessária:Precisamos fazer uma cirurgia moral em nós mesmos!
Como somos nos bastidores...
Abraço gde
Helena
"O pedido de desculpas, protocolar, não teve eficácia, talvez até o contrário. A oposição entre a imagem do apresentador e o comentário em off, revelador de uma visão elitista e preconceituosa, frustrou a ideia de respeito a todos e ao telespectador"
Perfeito seu ponto de vista, também confirmei minhas suspeitas a respeito de Boris, um tanto quanto elitista e preconceituoso. O que adianta a pessoa ser esclarecida (estudos) se não tem um pingo de noção para reconhecer a importância da pessoa como ser humano? Como o mesmo diria... "isso é uma VERGONHA!"
Prof. William a cada dia que passa lhe respeito mais , simplesmente perfeito esse artigo do Boris. Sou Negra (mulata na verdade) e no cursinho preparatório para concurso que faço aqui em Curitiba, sou praticamente uma alienígena. O engraçado são os preconceituosos "bonzinhos" eles não se acham preconceituosos, tenho amigos muito queridos que simplesmente não conseguem definir a minha cor/raça, sabem que branca não sou, mas daí a dizer q sou afrodescentente eles acham ofensivo/desconfortável e pq ? pq ser afrodescentente está associado a algo inferior, esse é o famoso preconceito velado
Me identifiquei com o comentário da Andreza, pois algo do tipo também aconteceu comigo. Quando eu era criança morava em um condomínio e vez ou outra ia no parquinho brincar com a filha da empregada lá de casa, resultado: as criança do prédio deixaram de brincar comigo, pois eu "andava com quem lavava os pratos".
Parece mentira que crianças de 10/11 anos possam ser tão cruéis, mas hoje vejo que isso deve ter sido apenas a cópia do comportamento dos pais.
O comentário do Casoy sem dúvida foi ridículo, mas a verdade é que essas coisas acontecem todos os dias,longe dos estúdios de televisão e costumam passar batidas, como se fossem a coisa mais normal do mundo.
Caro William
Excelente tudo o que dizeste, pois nos traz a tona tudo aquilo que no mais profundo de nosso íntimo encontrasse escondido, e reflitamos, para não cometermos o que esse ser repugnante cometeu, julgar as pessoas pela aparência.
Caro William
Peço venia, para sanear o texto anteriormente enviado.
Excelente tudo o que disseste, pois nos traz à tona tudo aquilo que no mais profundo de nosso íntimo encontra-se escondido, e reflitemos, para não cometermos o que esse ser repugnante cometeu, julgar as pessoas pela aparência.
Caro William,
Gostaria de fazer um trocadilho "o não dito pelo dito do Bóris"...q dizer, o que foi dito pelo Casoy todos sabemos e lamentamos, visto sob a ótica das manifestações de repúdio em todo o país...sob outra perspectiva seria possível uma outra interpretação? Como vc vê isso?
Outra perspectiva: sabemos que a TV nos permite uma análise do dito literalmente (palavras)e do como foi dito (gestos.. tom dos risos ( sarcático,(arrogante, preconceituoso), irônico (crítica social)..etc...que também dizem da verdadeira intenção da mensagem...
Eu não vi....eu li versões...
Então eu me pergunto, querendo fazer o papel do advogado do diabo: "dois lixeiros...o mais baixo da escala de trabalho..." Interpretação: Considerando q o jornalista tem adotado como prática, supomos (e é o q o tom do noticiário nos induz a ...) uma perspectiva crítica diante daquilo q é noticiado daí a sua marca "Isto é uma vergonha",aqui haveria uma crítica velada no sentido de que o jornalista não estaria desconsiderando com "o mais baixo da escala social.." o fato de "Quem são os garis para dirigirem-se a mim e ao país...pobres coitados...Esse povo ñ se coloca no seu lugar" e coisas arrogantes desse tipo..., mas o fato de diante das ceias fartas, dos shoppings lotados, do faturamento do comércio, da falácia das mensagens natalinas dos políticos, etc e tal, os funcionáros da limpeza pública, "O mais baixo da escala do trabalho" estarem ali representando, com sua mensagem, o verdadeiro e autêntico espírito natalino da fraternidade universal,ou seja, a mensagem de Cristo, de humildade, caridade, não consumismo, igualdade etc...??
O Não dito do Bóris poderia, por trás do dito, ser essa mensagem de crítica ....???"Que M___"Isto é uma vergonha", nesse contexto, poderia ser " Como o Brasil é injusto e contraditório!!! Diante de tanto consumismo natalino, de cada um só pensar em ter para si, a TV de plasma, o celular de última geração, etc.. e dane-se se a distribuição de renda não é justa, se os trabalhadores não são respeitados em seus direitos, etc e tal...os garis, o mais baixo da escala do trabalho, os que estão excluídos do "Natal do Umbigo" são os q vem dizer com sua mensagem "do alto de suas vassouras" (como tudo é contradição, não é do alto dos seus trenós,....mas, do alto da humildade (dignidade) da sua atividade) "..é preciso retirar o lixo natalino das ruas e das mensagens de Natal equivocadas".
Quero deixar claro que ñ estou defendendo Bóris Casoy...( não sabia até então nada sobre sua vida pregresa até ler alguns comentários aqui, o q não me fez formar uma opinião sobre a pessoa dele, uma vez q as intenções do q é dito servem àqueles q dizem e passam por seus crivos particulares...enfim,poderia ser um outro formador de opinião.O q quero dizer, é que vale é o cuidado com a ética em relação ao q se diz e como se diz e que é importante ouvir a opinião dos outros brasileiros, afinal, em rede nacional, qualquer opinião, comentário diz respeito a todos... e a dignidade ferida, na sua universalidade)merece uma resposta à altura....Um Mainard da vida, um Bóris, um Arruda ( depois ainda vem pedir desculpas pelo seu mau-caristismo " olha, me desculpem por estar roubando o dinheiro de vocÊs"...)acham q podem dizer o q querem e ficar impunes, sem uma resposta q os façam recuar diante da imoralidade do que dizem...Sem falar do último pronunciamento infeliz do cônsul representante da África, no Brasil....agora é moda???
ISTO.... É UMA VERGONHA!!!!
ÓTIMOARTIGO COMO TANTOS OUTROS QUE JÁ ESCREVEU........
A questão não é julgar o Casoy pelo que ele foi, é ou será. A discussão vai muito além disso. No nosso país o preconceito ainda existe em todas as classes sociais, independente em qual delas você esteja, você de alguma forma já foi, é ou será preconceituoso com alguma coisa, e já sofreu algum tipo de preconceito. O preconceito a que me refiro não é apenas econômico, mas também racial, religioso, cultural. Basta nascer em uma determinada região do país e já irá sofrer um preconceito. Isso é realmente lamentável. Enquanto o ser humano não começar a refletir sobre seus atos e sobre a sua insignificância diante do universo, e começar a ver que todos somos feitos de carne e osso e que um dia iremos morrer independente se você é um Dr. ou um Gari...
Bom dia, William!
Se um gari ganhasse o mesmo que um juiz, ainda existiria ese tipo de preconceito?
Obrigado,
Antonio Baracat
Bom dia, William!
Se um gari ganhasse o mesmo que um juiz, ainda existiria ese tipo de preconceito?
Obrigado,
Antonio Baracat
Caros amigos,
Obrigado pelas postagens!
O momento é de reflexão, tanto no contexto externo como no interno.
Abraço a todos!
TEXTO FANTÁSTICO.PARABÉNS.
REALMENTE VALE UMA GRANDE REFLÊXÃO.
NEM VOU QUESTIONAR O QUE ESTE INFELÍZ FALOU.
NÓS NOS ESCANDALIZAMOS,MAS MUITAS VEZES SOMOS BORIS,EM PENSAMENTOS.
ARLETE TRENTINI DOS SANTOS
CIDADE DE GASPAR,SC
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