Primeiro,
lembrar que os jogadores, com apagão ou não, com sete gols ou não, tentaram. E
isso não é vergonha nenhuma. Aliás, não tenho vergonha do placar e não preciso
esquecê-lo.
Eu
respeito e aplaudo meu time, e mais ainda o técnico. Ele sempre será o técnico
do nosso Penta. Não vai ser um jogo ruim que tirará isso dele.
Não
tenho vergonha alguma do jogo, embora esteja dilacerado com o resultado e o
placar elástico. Vergonha eu tenho é das agressões a um torcedor alemão, é de
brasileiros quebrando o Mineirão por causa da derrota, ou de vaiarem
nossa seleção. Lembro que na Copa ocorrida na Alemanha, após o time local
perder a semifinal, o estádio o aplaudiu, cantou para ele uma canção de
orgulho, honrou-o. Sinto vergonha é do preço dos nossos estádios, dos
viadutos que caem, das boates esquecidas (Kiss e outras), das refinarias mal
compradas e outras inconclusas, e tudo caro. Do meu time, sinto orgulho; dos
alemães, inveja.
Os
alemães, ah, os alemães! Espero que todos se lembrem que eles estão há seis
anos trabalhando esse grupo, que construíram (rápido e sem superfaturamento) um
Centro de Treinamento no Brasil para dar melhores condições aos atletas. Aliás,
fazem isso na educação etc., lá na Alemanha.
Espero
que todos lembrem que eles realizaram treinamentos ao meio-dia, sol a
pino.
Espero
que lembrem que não apostam nos valores individuais, embora os tenham, mas sim no time. Não têm tantos dribles, mas
passam a bola, jogam junto e o resultado disso é que, mesmo sem ser prioridade,
os valores individuais aparecem. Não têm “salvadores da pátria”, nem no time
nem na política.
Quem
perdeu não foi nosso time, quem perdeu esse último jogo
foi nosso jeito de ser brasileiros. Daí, éramos nós ali, todo o tempo. Vaiar o
time é vaiar nosso jeito coletivo de levar a vida. Quem deve pedir desculpas
não é o David Luiz, somos nós mesmos. E começar a jogar diferente. Quem precisa
de renovação não é a seleção brasileira: é nossa política, nosso serviço
público e cada cidadão que reclama da corrupção, mas vive de jeitinhos,
sonegando, trapaceando, fraudando, trabalhando ou estudando o menos que puder.
Desculpas, devemos todos. E, mais que elas, devemos a nós mesmos uma grande
mudança. Por isso, espero que ninguém esqueça esse dia.
Quanto
ao meu time, e minha camisa, me perdoem os que pensam diferente, mas sete gols
não matam um grande amor.
Sábado,
estarei no estádio com minha camisa. Vençam, ou não, estarei lá para aplaudi-los.
O grande jogo, aquele no qual não podemos ter nem apagão nem derrota, é o jogo
para mudar o jeito brasileiro de levar a pátria.
7 comentários:
Professor, finalmente uma cabeça pensante dentre tantos ignorantes que comentam o futebol. Entendo a paixão do brasileiro pelo futebol, paixão essa que vim conhecer estranhamente nessa Copa. Assisti a todos os jogos da Copa e passei dias acordada durante a madrugada para tentar comprar pelo site da Fifa um ingresso para um jogo do Brasil, tentativa em vão, mas uma tentativa apaixonada, pelo meu país, pelo futebol, pelo momento histórico.
De todo modo, as pessoas e, principalmente, os comentaristas de futebol estão crucificando o Felipão e a equipe técnica. Usam palavras de baixo calão, julgam, criticam, ofendem (inclusive o empresário do Neymar, se puder, dê uma lida num post dele no twitter - Wagner Ribeiro - uma vergonha). O que é isso, meu Deus???? Perder um jogo dentro de uma boa campanha, claro, foi uma derrota dura, mas que não justifica a veemência das ofensas. Imagine se fossem permitidas no Brasil as práticas que ocorrem no Oriente Médio, imagine o que veríamos: apedrejamento em praça pública, entre outras coisas.
O que me resta, como brasileira, é dizer: "Erga essa cabeça, mete o pé e vai na fé...". Outros jogos virão, outras vitórias virão e muitas outras derrotas virão, é assim que é... Não só no futebol, nas provas de concursos, na nossa vida!!!!!! Grande abraço e obrigada pelos ensinamentos.
Carolina
Excelente texto William! Sou tua fã há anos. Estou cursando Psicologia aos 49 anos para ser professora e pesquisadora - e você me ajudou! Vou prestar concursos para universidades - e você vai me ajudar de novo. Vou escrever papers, dissertações, teses etc - e vou contar contigo para isso também. Vamos continuar fazendo nossa parte por nós e pelos demais.
Abraço fraterno,
Adriana Mendonça
Campinas-SP
Nosso Show de bola!
Concordo com tudo escrito nesse texto. Grande abraço William.
E força Seleção Brasileira!
Belas palavras! Pena que nem todos os brasileiros "enxergam" dessa forma, ficam procurando culpados, no momento, imputando a responsabilidade ao técnico.
Espero, sinceramente, e estou orando por isso, que os brasileiros valorizem essa nação maravilhosa e que cresçam em todos os sentidos, podendo compreender que o "brasileiro com muito orgulho e com muito amor" não é só na vitória da seleção brasileira.
Abraço William, e que Deus continue abençoando você, sua família e toda essa nação.
Caracas! Vc tinha ingresso pra decisão do 3º lugar? Otimista hein!
Como é bom ler um texto assim, e comentários que aprovam essa linha de pensamento. Há dias que tento encontrar pessoas que pensam como eu. Aqui estão. Obrigada pelo texto, sábias palavras. Irei compartilhar.
Realmente a seleção é inspiradora e fez uma boa campanha, mas esse 7 x 1 é muito para cada um desses jogadores que ganham muito para fazer o pouco que fizeram, ainda assim tiveram tempo de fazer 28 propagandas e deixaram a defesa aberta, o estilo de jogo da Alemanha devia ter sido estudado, a Argentinha melhorou a defesa e o Brasil continuou com sua formação e mesmo tomando um banho não reagiu e o técnico só ficava sentado resmungando ao invés de acreditar e tentar mudar essa tragédia no time. Gosto muito da seleção vibrei muito com tudo, mas esse 7x1 é motivo para se envergonhar de um time que tem tudo do bom e do melhor e não faz por valer. Porém partilho totalmente com seu comentário a respeito dos torcedores, não é certo destruir estádios ou bater em alemães, mas sim levantar a cabeça e continuar acreditando. SOU BRASILEIRO E NÃO DESISTO NUNCA frase para reflexão.
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