Um amigo meu, professor de física a quem
admiro muito, era cético em relação a Deus. Ele conta:
"Não havia nada nem ninguém,
naquela época, que me fizesse crer nas ações de Deus em nossas vidas. Acreditava
que avançávamos às cegas e por meio de tentativa e erro. Deus estava muito
ocupado com seus projetos pessoais e jamais um ser insignificante como eu de
mente inquieta, alma precária, e atrelado ao reino patético da futilidade,
teria privilégios em formar laços de afeto com o nosso Pai Celestial. Entre
servo e Senhor não há diálogo, pensava. Com uma pontinha de arrogância
imaginava-me semelhante a Fernando Pessoa: 'Se Deus quer mesmo me conhecer que
se me apresente'. E de mais a mais, eu estava muito ocupado com os negócios e
com a vida, só mesmo um milagre para provocar uma mudança de ideia e de
comportamento."
A história de meu amigo é longa, não
vou contá-la toda, contarei só um pedacinho. Achei o máximo, pois a história é
contada por um professor de Física, homem de ciência. Certa feita ele, católico
só por tradição, foi à igreja durante um louvor na Festa da Misericórdia, em
uma tarde de domingo. Vejam o que ele conta:
“O início da cerimônia se deu em
torno das 15 horas e o término estava previsto para as 19 horas. Em torno das
15h30min, o padre da minha paróquia desceu do altar, com o ostensório envolvido
em sua batina, dizendo que Jesus estava ali. Olhei para a cena e disse: Jesus,
se o senhor estiver aqui mesmo me dê um sinal! Em seguida, coloquei a mão no
ostensório justamente sobre o vidro que cobre a hóstia. Imediatamente veio um
calor do metal para a minha mão, semelhante à imersão do braço em um balde com
água morna, algo em torno de 80° C. O calor fluiu lentamente pela mão, subiu
pelo braço e foi parar no peito. Fiquei terrivelmente incomodado com aquela
sensação. Ele sapecava. Não sabia o que estava acontecendo. Comecei a chorar de
forma descontrolada e compulsiva até o final da celebração. Por fim, subi no
altar e falei sobre o acontecido. As pessoas ficaram boquiabertas. Não poderia
deixar de compartilhar aquele momento de graça com o restante da assembleia.
O fato de o calor fluir
espontaneamente do ostensório (um corpo em torno de 25°C) para o meu braço
(aproximadamente 36°C) é fisicamente impossível, pois de acordo com as leis da
termodinâmica, o calor flui espontaneamente do corpo quente para o corpo frio;
e não de um corpo frio para um corpo quente. Isso pode acontecer se o
ostensório estivesse ligado numa fonte externa de energia. É o que acontece nos
refrigeradores das nossas casas. Diante desse enigma, só existem duas atitudes:
uma nos conduz ao absurdo, a outra, ao mistério. Como nada estava ligado a nada
e o fluxo de calor aconteceu, é porque a fonte externa de energia era ELE.
Enfim, tive a prova definitiva e científica de Sua presença. E minha forma de
ver e de viver a vida alterou radicalmente.
Havia distorções graves entre as
minhas crenças e a ciência. O milagre força os limites de nossa credulidade. A
fé em Deus exige a morte da teimosia. Acreditar em Deus, para mim, acenou uma
perspectiva satisfatória, consistente e enriquecedora. Seria a coisa mais
patética se eu me comportasse diferente, pois é inconcebível a um homem depois
de ter recebido essa graça e essa misericórdia, não agir de acordo.
Quando revelei tudo isso ao padre,
ele disse:
"Meu filho, você está tão perto
de Deus quanto escolhe estar.”
Bem, esta é uma história de dois
cristãos católicos: um padre e um paroquiano que não estava muito chegado a Deus,
mas que agora está. Eu sou cristão protestante, ajudo uma Oscip franciscana, a
Educafro, converso muito com amigos católicos sobre nosso Jesus, sobre o Jesus
em que acreditam todos aqueles que se apresentam como cristãos. Esse Jesus
incomum e extraordinário que é o elo comum, último e indesistível, e que deve
colocar católicos e protestantes, cada qual com suas teologias, diante de nossa
afinidade infinita: o Cristo.
Fico muito feliz ao ver um padre
fazendo a obra de Deus, e Deus tocando de forma gentil e individualizada cada
um que O procura, inclusive esse meu amigo aí, o famoso Professor Pachecão, que
ministra suas aulas de maneira apaixonada e inovadora. Ele, que já foi cético,
e depois agnóstico, hoje é um professor de física que experimentou uma corrente
elétrica diretamente com Deus.
Espero que saiba, leitor, e nunca
esqueça, que esse Deus que falou comigo e com o Pachecão também quer ter
intimidade com você. E, como disse o padre, você estará tão perto de Deus
quanto escolher estar.
2 comentários:
Texto lindo!!Amei!
que legal! tive o cd do Pachecão para estudar na epoca do vestibular. isso faz...uns 15 anos ou quase... fico tao feliz de saber! acho que ele era de BH. é este mesmo? Tb tve esse encontro com Jesus ha exatos 5 anos. abraçao DR. William!
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