Artigo de André Balocco publicado no jornal O DIA
Debate do seminário ‘Rio, Cidade sem Fronteiras’, promovido pelo DIA e pelo Meia Hora, termina com proposta de bolsa para universitários moradores de favelas
Rio - Cinco debatedores e várias ideias
nas cabeças. Diante de uma plateia ávida por mostrar que há vida inteligente
nas comunidades, O DIA e o Meia Hora realizaram o segundo debate do seminário
‘Rio, Cidade sem Fronteiras’, no Morro dos Prazeres. Na mesa, André Ramos, da
Secretaria Municipal de Educação; Mário Pires, do Observatório de Favelas;
Jacson Lima, jovem produtor da comunidade; Charles Siqueira, ativista do Morro
dos Prazeres e produtor cultural, e Frei David, da Educafro, mediados pelo
editor-chefe do DIA, Aziz Filho. Do Frei David partiu o torpedo mais
consistente para transformar ideias em realidade — objetivo do seminário.

Mário Dias, Charles Siqueira, André Ramos, Frei David e Jacson: vista deslumbrante na porta do Casarão | Foto: André Mourão / Agência O Dia
“O Rio é pioneiro na criação de
cotas nas universidades. Que o seja também abraçando a ideia de dar um salário
mínimo de bolsa para os moradores de favela que chegam à universidade”,
provocou. “Conversei por e-mail com o governador Sérgio Cabral, e ele gostou da
ideia”.
Segundo o religioso, há no Rio ao menos 40 mil pessoas em condições de receber a bolsa — uma despesa mensal de R$ 27 milhões, aproximadamente. “É a grande alternativa para evitar a tentação do dinheiro fácil do crime”, pregou. “O investimento na bolsa de estudo é dez vezes menor do que o gasto com um prisioneiro”, comparou.
O frei apresentou ainda números do Ministério da Justiça mostrando que os assassinatos no país, na faixa dos 15 aos 29 anos, são seletivos. De acordo com a tabulação, quanto mais estudo, menos chance de ser assassinado. “A universidade é a alternativa para que a UPP não seja apenas política de segurança. É preciso trocar o comércio de drogas pelo estudo”, afirmou.
Nos Prazeres, o exemplo vem de longe dos gabinetes
Como transformar a cultura de uma comunidade abandonada por décadas e repleta de exemplos da truculência do tráfico? Se o Estado procura respostas, deve ir ao Morro dos Prazeres. Dois dos integrantes da mesa , o militante e produtor Charles Siqueira e o jovem ator Jacson Lima, são exemplos de que o caminho pode ser trilhado longe dos gabinetes.
Na apresentação, Charles narrou sua trajetória desde que chegou à comunidade, há 11 anos, e diz que só conseguiu mudar o paradigma quando decidiu trabalhar com as crianças. “Cheguei tentando impor minha realidade a garotos de 16, 17 anos. Nem me ouviam”, contou ele, que deu aulas de dança e criou o Galera.Com, produtora audiovisual, além de incentivar o Prazeres Tour, grupo de guias formado na comunidade para receber turistas estrangeiros.
Jacson é fruto deste trabalho. Bolsista no Ceat no 2º grau, conta que levou um susto ao ver a diferença entre a escola pública e a particular. “Foi muito difícil passar no 1º ano”, afirmou. Agora, enquanto trabalha na Fundação Darcy Ribeiro, batalha pela realização do sonho de estudar Relações Internacionais. Para tanto, a bolsa proposta por Frei David cairia como uma luva.
Segundo o religioso, há no Rio ao menos 40 mil pessoas em condições de receber a bolsa — uma despesa mensal de R$ 27 milhões, aproximadamente. “É a grande alternativa para evitar a tentação do dinheiro fácil do crime”, pregou. “O investimento na bolsa de estudo é dez vezes menor do que o gasto com um prisioneiro”, comparou.
O frei apresentou ainda números do Ministério da Justiça mostrando que os assassinatos no país, na faixa dos 15 aos 29 anos, são seletivos. De acordo com a tabulação, quanto mais estudo, menos chance de ser assassinado. “A universidade é a alternativa para que a UPP não seja apenas política de segurança. É preciso trocar o comércio de drogas pelo estudo”, afirmou.
Nos Prazeres, o exemplo vem de longe dos gabinetes
Como transformar a cultura de uma comunidade abandonada por décadas e repleta de exemplos da truculência do tráfico? Se o Estado procura respostas, deve ir ao Morro dos Prazeres. Dois dos integrantes da mesa , o militante e produtor Charles Siqueira e o jovem ator Jacson Lima, são exemplos de que o caminho pode ser trilhado longe dos gabinetes.
Na apresentação, Charles narrou sua trajetória desde que chegou à comunidade, há 11 anos, e diz que só conseguiu mudar o paradigma quando decidiu trabalhar com as crianças. “Cheguei tentando impor minha realidade a garotos de 16, 17 anos. Nem me ouviam”, contou ele, que deu aulas de dança e criou o Galera.Com, produtora audiovisual, além de incentivar o Prazeres Tour, grupo de guias formado na comunidade para receber turistas estrangeiros.
Jacson é fruto deste trabalho. Bolsista no Ceat no 2º grau, conta que levou um susto ao ver a diferença entre a escola pública e a particular. “Foi muito difícil passar no 1º ano”, afirmou. Agora, enquanto trabalha na Fundação Darcy Ribeiro, batalha pela realização do sonho de estudar Relações Internacionais. Para tanto, a bolsa proposta por Frei David cairia como uma luva.
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