Incidente em Antares foi o último romance escrito por Érico Veríssimo, em 1971, aborda o chamado Realismo Fantástico: - no ano de 1963 morrem sete pessoas em Antares( cidade fictícia). Como os coveiros estão em greve, os defuntos passam a vagar pela cidade, vasculhando a intimidade de parentes e amigos sem temer represálias.
A nossa Antares, situa-se em Santa Cruz, há cerca de 55 Km do centro da cidade do Rio de Janeiro, comunidade favelada plana, constituída de casas de alvenaria distribuídas em ruas e vielas. Dominada por marginais que exploram o comércio de drogas, tem se destacado no contexto das facções criminosas, por ter tornado-se exílio, daqueles que outrora ocupavam as “comunidades pacificadas”, pelas UPP.
Infelizmente, nosso Acidente, ocorreu com uma incursão que contou com a participação de 100 policiais. O objetivo da ação era verificar informações recebidas pelas áreas de Inteligência do Bope, de que líderes do tráfico fortemente armados ali reuniam-se. Quatro suspeitos foram mortos e outros oito foram presos. Gelson Domingos da Silva, de 46 anos, cinegrafista da TV Bandeirantes, fazia a cobertura jornalística, quando foi atingido por um tiro no peito morreu na manhã deste domingo (6). Gelson portava um colete a prova de balas dentro das normas legais vigentes, e que não suporta os tiros de projéteis de alta energia, utilizados em fuzis e carabinas.
Tratadas como armas de guerra, seriam em regra, exclusivas das forças armadas, bem como, os coletes que suportam seus tiros, sendo controlados na sua comercialização pelo Exército Brasileiro. Por outro lado, a legislação brasileira no que trata da Infortunística, parte da Medicina Legal, que trata dos Acidentes de Trabalho recomenda o uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPI), fornecidos pelo empregador e usados pelos empregados como profilaxia aos riscos genéricos e agravados… Portanto, na nossa opinião tecnicamente a lamentável perda do profissional antes de ser homicídio, foi Acidente de Trabalho, pela falta do EPI apropriado.
*ROGER ANCILLOTTI, médico legista e ex-diretor do IML-RJ
Um comentário:
Quando vi a matéria achei uma fatalidade sem culpados (exceto do traficante que atirou). Mas lendo o que você escreveu, sim, foi um acidente de trabalho. Coisa que não gosto é quando colocam a culpa na policia, pois eles erram e existem maus policiais, mas são a exceção e não a regra. Também não acho que a TV Bandeirantes tenha errado, pois essa profissão envolve um grande risco.
(Resolvi escrever isso devido ao seu curso "Concurseiros". Muito obrigada! Estou aprendendo a redigir melhor)
Abraços
Juliana
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