quarta-feira, 19 de maio de 2010

Peça Demissão.

Venho, através desta, apresentar oficialmente meu pedido de demissão da categoria dos adultos. Resolvi que quero voltar a ter as responsabilidades e as idéias de uma criança de 8 anos no máximo. Quero acreditar que o mundo é justo e que todas as pessoas são honestas e boas. Quero acreditar que tudo é possível. Quero que as complexidades da vida passem despercebidas por mim, e quero ficar encantada com as pequenas maravilhas deste mundo. Quero de volta uma vida simples e sem complicações. Cansei dos dias cheios dos computadores que falham, montanhas de papeladas, notícias deprimentes, contas a pagar, fofocas, doenças e necessidade de atribuir um valor monetário a tudo o que existe. Não quero mais ter que inventar jeitos para fazer o dinheiro chegar até o dia do próximo pagamento. Não quero mais ser obrigada a ter que dizer adeus às pessoas queridas e, com elas, uma parte da minha vida. Quero ter certeza de que Deus está no céu e de que por isso tudo está direitinho neste mundo... Quero viajar ao redor do mundo num barquinho de papel que vou navegar numa poça deixada pela chuva. Quero jogar pedrinhas na água e ter tempo de olhar as ondas que elas formam. Quero achar que as moedas de chocolate são melhores do que as de verdade porque podemos comê-las e ficar com a cara toda lambuzada. Quero ficar feliz quando amadurecer a primeira manga, o primeiro abacate ou quando a jabuticabeira ficar pretinha de frutas. Quero achar que chicletes e picolé são as melhores coisas da vida! Quero poder passar as tardes de verão à sombra de uma árvore, construindo castelos no ar e dividindo-os com meus amigos. Quero que as maiores competições que eu tenha que entrar seja um jogo de bolas de gude ou uma pelada... Quero voltar ao tempo em que tudo o que eu sabia era o nome das cores, a tabuada, as cantigas de roda, "Batatinha quando nasce" e a "Ave Maria" e que isso não me incomodava nadinha porque eu não tinha a menor idéia de quantas coisas eu ainda não sabia. Quero voltar ao tempo em que se era feliz simplesmente porque se vivia na bendita ignorância da existência de coisas que podiam nos preocupar ou aborrecer. Quero poder acreditar no poder dos sorrisos, dos agrados, das palavras gentis, da verdade, da justiça, da paz, dos sonhos, da imaginação, dos castelos no ar e na areia. Quero estar convencida de que tudo isso vale muito mais do que o dinheiro! Por tudo isso, tomem as chaves do carro, a lista do supermercado, as receitas do médico, os cheques, os cartões de crédito, as identificações, as contas a pagar, a declaração de impostos, as "passwords" do meu computador e das contas do banco, e resolvam as coisas como quiserem. A partir de hoje, isso é com vocês, porque eu estou me demitindo da vida de adulto.

Agora, se você quiser discutir comigo essas questões, vai ter que me pegar... porque o pegador está com você!! E pra sair do pegador só tem um jeito: demita-se você também desta vida chata de adulto...

(Texto de Maria Clara Isoldi Whyte, baseado em original em inglês de autor desconhecido)

5 comentários:

Unknown disse...

Simplesmente lindo,são muitas as coisas que prendem um adulto nos dias de hoje,e acabam atrapalhando a nossa felicidade.Por isso eu tambem peço minhas contas......
abraço a todos....!
Felicidades!

Eduardo disse...

Entrei num túnel do tempo com esse texto. Muita coisa aí eu fiz. Morei numa casa com quintal grande. Era a casa da vovó. Eu brincava todas as tardes com um monte de crianças, vizinhos, irmãs, primos. Brincava de roda, corria descalço, ficava embaixo da mangueira, subia na goiabeira. Uma vez a turma... ACREDITEM, A GENTE FEZ ISSO MESMO: TIRAMOS OS PORCOS DA CASINHA DELES, LIMPAMOS TUDO ATÉ FICAR UM BRINCO E FOMOS ALMOÇAR LÁ, DENTRO DO CHIQUEIRINHO. Agora era a nossa casa. Não sei quem era mais porco, os bichinhos ou as crianças. E era aquela alegria!
Quando a vovó fazia bolo, a gente ficava na disputa para lamber a panela e a colher de pau com o resto da massa. E, aí, a gente sentava na porta da cozinha, que dava pro quintal, e ficava lá, saboreando aquela massa crua deliciosa.
A gente não tinha computador, nem video game, nem celular com joguinho, e vivia feliz da vida.
Ai, ai, que saudades que eu tenho da aurora da minha vida...
Tive uma infância feliz, mesmo sem ser rico.
Mas, até que hoje eu não me queixo. Acho que estou começando a entrar nos melhores momentos da minha vida adulta.

flor disse...

Os nobres sentimentos das crianças
deveriam estar em nós, gdes. Assim
amagia seria a nossa realidade!
Abç gde
Helena

Anônimo disse...

Como disse Jesus: "Precisamos ser como crianças para alcançarmos o Reino dos Céus".

Equipe Impactantes disse...

Certamente, nos preocupamos demais com nossos compromissos e nos esquecemos como a vida é bela. Como fui feliz na minha infância e quero continuar sendo agora. Quero que meus compromissos sejam prazerosos como quando me reunia com meus amiguinhos. Quero sentir o gosto e o prazer de cada coisa que existe. Quero ser feliz no agora da minha vida, simplesmente assim como uma criança de 32 anos. Com carinho para meus amiguinhos, Alexsandra Almeida