quarta-feira, 9 de julho de 2008

A final da Libertadores e os concursos públicos

Eu estava lá, com meu manto tricolor. Se você é tricolor, sabe o que eu senti. Se não é, pode estar dando uma risadinha. E, por ela, obrigado.
Há muito tempo eu não sentia na pele o que senti naquela fatídica quarta-feira. Tive dificuldades graves para comprar o ingresso (aliás, uma vergonha o que fizeram com a torcida), saí de casa, senti frio, tive os desconfortos do caminho e da demora. Resumindo, fiz minha parte, meu esforço. E depois de um jogo longo e emocionalmente traumatizante, perdemos.
Senti um gosto familiar na boca: perder. Aquela sensação de oportunidade desperdiçada, aquele desespero de imaginar quando ocorrerá outra chance de fazer a mesma coisa que não foi feita agora, ou chance ao menos parecida; quanto vai custar para ela aparecer, esperar e pagar o preço alto de chegar até uma final. Pior, além do gosto amargo de chegar tão perto e não levar, a certeza de que, no dia seguinte, todos os olhares, risinhos e ironias estarão voltados para você dizendo: você não conseguiu, não venceu, não foi bom o bastante.
É isso aí. Perder dói, ter de enfrentar o olhar e o coro dos flamenguistas no dia seguinte é um extra inevitável, mas o fato é que, excluída a dor de ver o Fluminense não vencer, encontrei, naquele dia, mais uma vez, no fundo de minhas reminiscências, dores que pensei que nunca mais iria sentir. Perder, perder, perder. Revi a vergonha e a frustração, o sentimento de inutilidade, de humilhação, tudo de ruim que se passa e se marca em nossa mente e na nossa alma quando ouvimos um "não", quando ficamos por um décimo, quando perdemos na última prova. Quando, simplesmente, não ganhamos o que fomos buscar.E, entre a frustração compartilhada com quase cem mil co-irmãos de sangue grená, branco e verde, como num relance tão surpreendente quanto lembrar dos concursos em que fui reprovado, também surpreendentemente surgiu algo que os concursos e os 42 km da maratona terminaram por ensinar.
Quer saber o quê? Então entre no meu site e leia o texto na íntegra!

7 comentários:

Kátia Barbosa disse...

Eu sou tricolor e também estive lá. Realmente foi uma sensação muito desagradável.
Quando comecei a ler este texto pensei que se tratava tão somente de futebol, tamanha a minha surpresa quado vi falava justamente do que mais me incomoda: não ter aproveitado as chances que eu tive. Comecei a estudar para concurso há mais de dez anos, hoje tenho 40, sou casada e mãe de uma pequena de 3 anos. Você não imagina como eu me desgasto em lamentar o tempo perdido! Não trabalhava todos os dias da semana, os concursos eram mais fáceis, hoje a concorrência é bem maior. Era solteira, sem tantos compromissos, enfim, tinha todo o tempo do mundo para estudar, mas não estudei com o compromisso necessário. Continuo tentando. Tenho como objetivo maior o Tribunal de Justiça do Rio, mais especificamente Comissário de Justiça. Existem comentários de um possível concurso a curto prazo, mas estou desanimada, não sei por onde começar. Mas ao mesmo tempo sinto imensamente dentro de mim o desejo de um cargo público, como eu sonho com isso!

Anônimo disse...

Excelente! Como um de seus co-irmãos tricolores eu sabia que vc ia comentar sobre o fluminense e concursos, sabia, eu tava só esperando o texto, não só pq eu senti essa dor tb mas pq eu sabia que isso ia me dar um "boost" ainda maior pra estudar, obrigado!

Lourdes disse...

Prezado William, não sou tricolor,mas confesso que sofri como todos tricolores. Fiquei torcendo até o fim, pois restava um fiozinho de esperança, pelos menos, nos sofridos penaltis. Porém, a sorte estava do outro lado.Apesar do bonito desempenho em campo,o time perdeu. Assim é com concurso público. Tenho me decepcionado muito, desde 2001 tento, tento, mas não consigo ser bem classificada, porém não perco a esperança, pois continuo estudando e um dia com certeza farei meu gol de placa. Um grande abraço e obrigada pela força que o senhor nos passa. Que Deus o proteja.

Anônimo disse...

Obrigada Willian pela paz e força que vc transmite a todos os concursandos.Eu ,conforme o seu time já perdi muita chance, mas sou brasileira e não desisto nunca. Fique com Deus, e um grande abraço.

Anônimo disse...

Obrigada Willian pela força que vc transmite aos concursandos. Eu, conforme o tricolor já perdi muitas chances, mas sou brasileira e não desisto nunca.Um dia desses deixo de jogar bola na trave, e farei meu gol de placa,estou batalhando para isto. Um grande abraço e fique com Deus.

Unknown disse...

Grande William, eu bem que desconfiava de que um cara benvolente, complacente e inteligente como você só poderia ser Tricolor.
Essa campanha do Fluminense na Libertadores serviu para enraizar ainda mais a minha paixão e a dos meus dois filhos,o mais velho de 8 anos e o mais novo de 5 anos de idade.
Sou servidor público do Ministério da Educação, atualmente estou prestando serviço no TRE-MA, mas continuo na labuta até alcançar meus objetivos.

Um forte abraço!
Clairton.

William Douglas disse...
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