por Tais Machado
Em tempos de ansiedades avassaladoras, onde
fantasmas assustam e a insegurança grita, eu preciso aprender a esperar.
Vivendo na era da velocidade, onde tudo pede
pressa, urgências saltitam a minha frente e embaralham minha vista, a
aceleração contínua pressiona e sinto-me atropelada, eu preciso aprender a
esperar.
Na época onde o instantâneo é exigência básica, o
imediatismo comanda desejos e dita ritmos, quando poucas horas se tornam
eternidade angustiante, eu preciso aprender a esperar.
Numa sociedade onde o acúmulo é regra, onde
conquistas são vitrines, onde ter ou parecer vale mais do que ser, eu preciso
aprender a esperar.
Quando o contexto é de uma suposta perfeição, onde
o belo é padronizado, a ditadura da moda se instala com força, e o que não está
pronto é desprezado, eu preciso aprender a esperar.
Eu preciso aprender não o desespero da fome, mas a
oportunidade de ser saciada e encontrar calmaria.
Diante de dias maus que me arrancam lágrimas, que
esfolam uma esperança enfraquecida pela dor prolongada, que furtam o sono que
já foi tranquilo, eu preciso aprender a esperar.
Esperar a noite da alma passar, o dia amanhecer, os
raios de luz mostrarem novas perspectivas e renovarem os passos outrora
cansados.
Eu quero aprender a esperar, com toda esperança, a
alegria que pode vir, que voltará após o amanhecer.
Esperar que as lágrimas sejam secadas e que um
caminho para novos risos se abram, e a celebração seja maior que antigos
lamentos.
Esperar por uma volta definitiva, daquele que
assegurou-me um novo mundo, falou sobre a cura das nações, de um brilho eterno,
onde não mais haverá espaço para noite, para assaltos, violências, injustiças,
apenas um dia sem fim, sol da eternidade.
Eu preciso aprender a esperar. Esperar a libertação
das ilusões, esperar a novidade de vida. Enquanto espero, aprender. Aprender a
conhecer e me solidarizar com as noites de tantos. Aprender com minhas
fragilidades e oferecer suporte ao necessitado, não porque eu seja melhor, mas
porque espero o melhor. Nessa esperança me reparto, e sou misteriosamente
acrescida. O que me estimula a aprender melhor, a viver atenta, a observar as
estrelas, os sinais dos tempos, a me aproximar em esperança viva.

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