A campanha de “Fulano” ou
“Beltrano”, seja quem for, “não me representa” merece reflexão. Pode vir a ser
tola ou até beirar a hipocrisia. Deputados e Senadores representam os grupos
que os elegeram. A democracia e o consenso se constroem com as diversas fatias
da sociedade respeitosamente debatendo nos fóruns próprios, pelas regras do
jogo. Temos representantes de sindicatos, de empresários, latifundiários,
ecologistas, atletas, escolas de samba, times de futebol, igrejas, minorias, maiorias
e tudo o mais. Por sinal, já que o assunto é quem te representa, você se lembra
em quem votou nas últimas eleições para deputado e vereador?
O risco do “não me representa”
é isolar a política como algo nefasto e vil que se faz lááááá em Brasília, láááá
longe e com a qual as pessoas não têm a menor relação, quando sabemos que a
política é o que fazemos todo dia, quando educamos nossos filhos para não jogar
papel na rua, quando decidimos não aceitar o “por fora” para liberar algo mais
rápido, quando damos passagem para um carro ou quando levantamos no ônibus para
alguém sentar. Política é tudo isso, inclusive não desistir de eleger gente
séria, mesmo que, às vezes, isso pareça difícil.
Na verdade, creio que devemos
misturar um pouco mais de política com educação, e muito dela com a
responsabilidade individual. Tem a ver com cada um cuidar do seu metro
quadrado, sem esquecer que temos algum poder sobre o metro quadrado do lado.
Tem a ver com respeitar as regras, sem prejuízo de querer melhorá-las, e mais
ainda com respeitar o diferente, tolerando o outro tanto quanto queremos ser
tolerados.
Mas eu começaria sugerindo a
você algo bem simplista, mas profundamente poderoso: seja você o primeiro a se
representar bem, cuidando do seu metro quadrado. Se puder, influencie o m² do
lado, mas que – antes – o seu próprio seja digno, feliz, honesto, correto. Que
você trate os outros como gostaria de ser tratado (a "Regra de
Ouro"). Se você fizer isso, mais do que ser representado por “a” ou por “b”,
você representará bem seu país e sua raça, a humana. Como disse Gandhi:
“Seja você a
mudança que deseja ver no mundo.”
5 comentários:
Excelente artigo! Abçs
Sou ateu, não gosto de fanáticos como Feliciano e nem de falsos profetas estelionatários do tipo dele. Todavia, o papel da maioria da mídia (maria vai com as outras) em cima deste deputado é ridículo. Quando Luana Piovani e cia tomam uma posição qualquer é preciso detida análise. Foi também assim no caso da hidrelétrica Belo Monte. Quanta hipocrisia e falta de informação. O nobre deputado tem as opiniões dele, das quais discordo em várias, mas não ouvi da boca dele qualquer injúria racial e nem homofóbica. Ele é contra o casamento gay e ponto. Eu sou a favor e ponto. Mas nós dois não gostaríamos de ver gays se beijando pela rua. Não que eles não tenham direito a isso. Pelo contrário. Só que eles mesmo devem entender que a transformação é recente e a "sociedade" não está preparada para tanto neste devido momento. Mais adiante pode ser que sim e eu respeitarei. Espero que ele também respeite. A comissão de direitos humanos pode até não estar em boas mãos, mas qual comissão está? No fundo eu nunca postei nada a respeito disto. Eu concordo com o senhor Dr. Willian, mas também falta ao brasileiro analisar sem a influência maldosa da mídia. Veja a entrevista dele para o Danilo Gentili. Alardearam que o Danilo ferrou com ele. Que nada. Ele se saiu muito bem. Parece ser um homem culto, inclusive. Discordo dele em muita coisa, mas não conheço nenhum presidente de comissão com a capacidade dele. Logo, é preciso respeitá-lo, principalmente nas nossas diferenças. Abraço professor!!
Realmente professor e nobre inspirador de muitos pré-servidores públicos e pós-servidores públicos, sábias palavras. Resumindo, acho que podemos sintetizar na seguinte ideia que sempre divulgo: falamos tanto em ESTADO DE DIREITO, mas esquecemos que para o termos efetivamente primeiro necessitamos de um ESTADO DE DEVERES - de todos! Um grande abraço
MuitOOO bom!
Abraços Professor.
esse é o cara
simpilsmete isso
sou aluono da Estácio e assistí sua palestra.
Postar um comentário