Estou há algumas semanas nos Estados Unidos, e ficarei mais algum tempo por aqui, com mulher e filhos. Estou curtindo bastante e não pense que esses momentos, nos quais digito, prejudicam minhas férias.
Gosto de falar de férias porque, como “guru”, apelido carinhoso que me foi dado e com carinho recebi, tenho, entre outras missões, a de mostrar o quanto vale a pena a dedicação aos concursos. Férias são uma das grandes coisas boas que os concurseiros recebem como prêmio pela extenuante, longa, difícil e cara jornada até a aprovação. Claro que o esforço é compensador, e não passar em concursos, ou ficar desempregado, subempregado ou em uma rotina louca é muito mais extenuante, longo, difícil e caro...
Também sou presidente do Conselho Editorial da Impetus e nesta função, assim como na atividade privada vinculada ao meu lado de professor no magistério, não tem como ter férias. Já tive de resolver algumas urgências, e ainda surgirão outras. Sei, porque dificuldades e urgências são da natureza da vida e mais ainda da natureza da atividade privada.
Em suma, férias reais, mesmo, só quem pode ter é o servidor público. Férias na iniciativa privada não são a mesma coisa, infelizmente. Lembro dos amigos que tiram férias se perguntando se serão demitidos na volta, ou dos amigos executivos ou empresários que não tiram férias nunca, às vezes nem arremedo delas (pois mesmo arremedo de férias já é uma coisa boa).
Registro que eu gosto, amo mesmo, todas as minhas atividades: magistrado, professor, consultor editorial, palestrante, escritor, militante da Educafro, marido, pai, filho, tio etc. Este ano, com a exclusividade na Rede LFG, surgiram outras: mais aulas na Rede, o Encontro com Notáveis (programa no qual já entrevistei a Ministra Eliana Calmon, o Ministro Ayres Britto e o Dr. Ophir Cavalcanti Jr., presidente nacional da OAB, e no qual ainda entrevistarei muita gente interessante), o NATA (Núcleo de Aperfeiçoamento em Técnicas de Aprendizagem), a atenção à Unidade Rio da rede etc. Em suma, os velhos e ainda novos desafios, alegrias, oportunidades, mas também responsabilidades e problemas a superar.
Pessoalmente, desconheço caminho para o crescimento que não envolva algum tipo de superação de desafios e obstáculos, que não demande uma carga maior ou menor de aborrecimentos. Se existe algum caminho fácil, ainda não o encontrei. Tudo o que conquistei foi com muito tempo, trabalho e aborrecimentos. Sempre parece demorar demais, mas como já disse Couture:
“O tempo se vinga de tudo o que
é feito sem sua colaboração.”
Demora, asseguro, mas chega.
Enfim, escrevo estas impressões para você pois, se está lendo essas minhas impressões, significa que está na estrada, e, por isso, venho dizer: se está estudando, treinando e fazendo o que deve,sua hora vai chegar. Toda terra prometida tem um deserto antes. Se você não está em férias, não pode tirá-las, ou não tem um lugar legal para ir (como diria Renato Russo), mas está a caminho, meus parabéns. Segure-se na estrada.
Não fique preocupado com as pessoas com vidas diferentes da sua. Jogue com as cartas que lhe vieram à mão. Mire nas que o inspiram, repare nas que estão pagando preços pessoais mais altos que o seu, seja grato pelo que tem, perceba o quanto você pode ir se ousar fazê-lo e vá viver sua vida, suas escolhas. Ressentimentos, inveja, reclamações, vitimização e procrastinação nunca levaram ninguém para frente. Muna-se de atitudes, pensamentos e comportamentos positivos e deixe o tempo fazer o que ele regularmente faz: devolver-nos, multiplicado, o que entregamos para ele.
Trabalhe. Muito, e duro, e de forma inteligente. E, claro, para aumentar a sua produtividade será preciso a disciplina para ter os períodos diários e semanais de descanso, e de recuperação após as provas. Mesmo que curtos, tais períodos são muito poderosos para recuperar energias e aumentar a capacidade e resultado de esforço por longos períodos.
Escrevo para você nesta deliciosa manhã de domingo, diretamente de Beverly Hills, Califórnia, para lhe dar animo para continuar. Seu lugar é aqui, no futuro. “Aqui” pode ser qualquer lugar que escolha (eu escolhi Beverly Hills por causa da filha, uma “Selenator”, se é que você conhece o que é isso, rs). Enfim, trabalhe do jeito que pode, sabendo que a direção é mais importante que a velocidade, e que quem semeia, colhe. Semeie. Por mais que pareça que não vai acontecer nunca, acontece. Para suas férias de um mês acontecerem, haverá um custo alto, mas tanto o sucesso quanto o fracasso têm seus respectivos preços. Não existe, na humanidade como hoje a conhecemos, a opção de não pagar preço algum: o máximo que podemos é escolher com qual dos preços preferimos arcar. Visualize seu futuro. Desenhe, fotografe, faça um quadro com as coisas que deseja, escreva uma carta para si mesmo no futuro, feche os olhos e sinta-se lá, onde quer e vai chegar um dia. Crie contato visual, auditivo e sensorial com seu futuro. Premedite suas vitórias. Não tenha receio nem encabulamento de oferecer a si mesmo uma visão do futuro desejado, e percepções e experiências cinestésicas do lugar onde você vai estar se fizer o que precisa ser feito, pelo tempo necessário. Em seguida, reveja seu planejamento sobre onde precisa melhorar, onde pode se aperfeiçoar só um pouquinho.
O progresso decorre de crescimentos pequenos e constantes que sejam incorporados a sua rotina. Se você for melhorando um pouquinho de nada a cada dia, ao longo da linha do tempo se transformará em um espetacular candidato, em um concurseiro experiente, adestrado e altamente capacitado. Comemore cada passo, cada evolução, por mínima que seja. Comemore até mesmo as reprovações, pois apenas gente corajosa vai lá ouvir um “não” (e ninguém ouve “sim” sem ouvir muitos “nãos” antes. Logo, comemore cada “não” que tirar. Mas o “sim” demanda aperfeiçoamento: sempre corrija alguma coisa de um “não” até o próximo). Comemore reprovações por poucos pontos: elas mostram que você está melhorando e que se continuar assim daqui a pouco irá parar de bater na trave. Enfim, escrevo para dizer que se você está no caminho, mantenha-se nele. E aperfeiçoe-se, pois isso é da natureza da vitória. Digo isso a partir das minhas férias, prazerosas, e tendo na memória quantas vezes perdi de muito, quantas vezes enfiei a cara na trave, quantas vezes sacrifiquei, sofri, até chorei, algumas delas de raiva. Mas toda raiva e frustração, sempre transformei em vontade. Cada sentimento, atitude e comportamento ruim, fui, ao longo de anos, transmutando em coisas positivas por saber que eram mais eficientes para me dar aquilo que eu queria.
Conto como fiz para que saiba que funciona. Escrevo para sugerir as paradas necessárias para manter corpo, mente e espírito produtivos, e para desejar boas férias longas, quando você terminar de pagar o preço para fazer jus a elas. Sobre mim, compartilho algumas impressões, como faz um amigo a outro: 1) Parar para trabalhar um pouco durante as férias é altamente prazeroso, acredite. Eu naturalmente acordo cedo, antes de todos, daí, tenho uma a duas horas para ler, orar, escrever, fazer as contas para não estourar o orçamento (sim, servidores públicos possuem orçamento, rs, não dá para sair chutando o balde e comprar toda a Califórnia).
2) Estou quase concluindo que bom mesmo é 2 a 4 horas de trabalho por dia, e o resto apenas diversão, família, amigos, boa comida, esportes, diversão e coisas do gênero. Espero que a humanidade evolua para isso! rs
3) Registro que, nos últimos séculos, apesar do avanço tecnológico, acabamos perdendo muitas coisas essenciais, em especial a convivência. As pessoas não têm tempo para si nem para ninguém. Não sabem mais ficar quietas, ou sem tablets ou mobiles, nem escutar o outro. Invejo os homens de outrora, que iam com os filhos para a faina do dia, e com eles comungavam o passar do tempo, a caça, a lavoura ou o que fosse. Eu seria um feliz sapateiro se meus filhos passassem comigo o dia inteiro a pregar solas e costurar couro. Creio que a amizade, o trabalho, os valores morais, a masculinidade, a intimidade, todos esses pontos são rituais que se transmitem quase por osmose, e raramente por palavras. E, para isso, é preciso tempo de convivência que nos foi sequestrado pela modernidade. Homens e mulheres vêm perdendo o contato com os filhos, e não creio que a troca venha sendo compensadora. Imagino como seriam melhores as noites em casa, após a jornada do dia, se fosse vivida sem eletricidade, sem telas digitais, LED, cristal, plasma ou polyester, qualquer coisa que seja.
4) Apesar das perdas, sigo meus próprios conselhos: jogo com as cartas que tenho, e aproveito bastante o que puder de tudo. Meu planejamento estratégico pessoal tem uma missão bem definida e simples: viver o máximo possível antes de morrer.
5) Comecei workaholic, consegui evoluir para hard-worker, mas às vezes me pego pensando em trabalho entre uma atração e outra, ou na fila de uma montanha russa. Vejo meu filho excitado, ainda sorvendo uma alegria absolutamente imensa por ter sido “aprovado” na régua de medir altura, e por meia polegada poder ir a uma nova aventura. Eu, menino, não tive isso, não sei como é. Só tive dinheiro para ir a parque temático quando já tinha 1,83m de altura. Mas pela cara dele é algo entre passar em 1º lugar para Defensor Público e completar 1.000.000 de ouvintes. Ele, ali, naquela fila, é resultado de meu pai andar 20km por dia para sair do meio da roça, e de eu ter cumprido minha jornada mais fácil, pavimentada pelo pai que saiu do mato e me deu condições de estudo. Se meus filhos estudarem também, imagino meus netos em lugares ainda melhores. O fato é que sou grato a meu pai, que fez ensino médio em troca de cuidar dos porcos do dono do colégio particular em um lugar que, na sua época, não havia escola pública que fosse além do ensino fundamental. O que sempre digo nas palestras é que cada geração tem uma missão a cumprir. Se isso acontecer, deixaremos um legado melhor para nossos filhos, o que inclui um planeta com água e temperaturas suportáveis.
Mas, voltando ao ponto, quando me vejo fugindo para o trabalho no meio do parque, tento me concentrar no fato de que, como diziam os Beatles, “a vida é o que acontece enquanto você presta atenção em outras coisas”, e me corrijo: a vida, mesmo, é ali, com os filhos, rindo, em uma fila, onde a maior tarefa é não deixá-los cair da mureta onde insistem em se pendurar enquanto aguardamos. A vida é levar a filha para o KMart para comprar a mesma roupa que usa a Selena Gomez, e comemorar achar seu último pôster em tamanho natural, no fundo de uma loja de souveniers ao lado da Calçada da Fama. É descobrir que ela ficou feliz em tirar uma foto ao lado das estrelas dos Muppets e da Penélope Cruz. O resto todo existe para fomentar esses momentos, o riso, a intimidade, onde eles mesmo ainda não sabem de quase nada. Eles não imaginam o quanto existe de problemas a resolver nesse nosso mundo complicado, com pessoas complicadas, e a gente apenas torce para ficar por aqui tempo suficiente para tentar ajudar a explicar as medidas básicas das coisas. Mas isto não é para agora, porque temos, daqui a pouco, de ir a outro lugar legal para mais uma foto.
São impressões que ficam, mais na memória do que na tela das máquinas. São impressões que não tive de meu pai, que trabalhava direto de segunda a sábado para poder dar conta. Ele saia antes de eu acordar e voltava depois de eu dormir. No domingo, eu o via de manhã e à noite na Igreja, pois dormia durante toda a tarde para se recuperar da semana árdua Só fui ter mais intimidade com ele já adulto, mas sei que meu contato com meus filhos tem o dedo do pai que trabalhava em três lugares diferentes. Não sei qual a fase do leitor, em qual geração está, se na que trabalha como louco, apenas para dar estudo aos filhos, ou se já tem, como eu, um pouco mais de condições de curtir a vida e brincar ao menos parte das férias. Apenas sei que o que você fizer, ecoará pela eternidade, como diria o Gladiador (você já sabe que amo filmes).
6) Vivo pela fé, ou, se não quiser usar esta palavra, pela esperança de que um dia haverá, no Paraíso, um lugar e tempo, eternos, para vivermos a intimidade e apenas as coisas boas, sem nos preocuparmos com sustento, com homens doentes matando ou estuprando, com homens públicos desviando verbas. Tenho fé em um mundo perfeito, sem doença ou sofrimento, e de que eu caminho para lá enquanto passo por esta vida. Tenho fé em que um dia poderemos estar todos juntos. Isso me alivia de muitos sofrimentos, pois viver a vida sem esperanças é, a meu ver, quase insuportável. Felizmente, mercê de Deus, pais dedicados, professores e muito esforço, tenho uma vida boa e sobre ela pesa a leveza da esperança.
7) Essas são minhas impressões rápidas nesta manhã de domingo. As carinhas boas que venho vendo, na face da esposa e filhos, são impressões gentis que a vida me decalca na memória e alma. Espero que na de meus filhos fiquem decalcados esses momentos, a sensação de encantamento que produzem, não tanto pelos brinquedos mas pela intimidade, pela companhia ao longo do dia. Impressões de férias.
Desejo a você, que me lê, suas boas férias e alegrias. Mais que tudo, que viva o dia de hoje com esperança. Vamos jogar com as cartas que temos, vamos viver a vida mesmo enquanto temos de prestar atenção a outras coisas. Um dia, as férias ficam maiores. Um dia, a esperança dá as caras e vira nossa boa realidade. Que nossas melhores esperanças se concretizem.
6 comentários:
Parabéns pelo texto, William!
Professor, obrigado por mais este texto. Estou na estrada, e sempre dou uma passada aqui para ler ou reler seus escritos. "Keep it going",e boas férias por aí!
Dr. Wiliam estou enviando esta carta por este veículo por motivo de não ter outro veículo de comunicação para usar.
Esta mesma carta enviei para o Senador Rodrigo Rolemberg.
Exmo Sr. Rodrigo Rollemberg
Senador da República
Exmo Sr. Wiliam Douglas
Juiz Federal de Direito
Senhores, boa noite.
Neste sábado 12-10-12 estive assistindo a TV Senado “reprise da audiência pública sobre projeto de lei para concurso público”, e naquele momento me credenciei para escrever essa carta sobre o tema em tela.
A meu ver a estrutura posta pela constituição não condiz com a realidade e está provado, teórica e concretamente, causando engessamento do servidor e prejuízos para os cofres públicos, senão vejamos:
O inciso II do artigo 37 da constituição diz que a investidura em cargo ou emprego público depende de aprovação prévia em concurso público de provas ou de provas e títulos, de acordo com a natureza e a complexidade do cargo ou emprego, na forma prevista em lei, ressalvadas as nomeações para cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração.
Não quero falar aqui o que os doutores já falaram na audiência pública, mas sim trazer fato novo.
Nos órgãos públicos existem castas de servidores desqualificados se protegendo, não dando chance para os servidores qualificados.
Para contrapor a essa situação existe também o órgão que não investe na formação profissional de seus servidores, desprestigiando-os vez que já contam com a experiência trabalhada, aproveitando a primeira oportunidade aparecida para afastá-los sob o título de não terem qualificação (diploma) para exercerem tal atribuição, alocando os recém chegados (novos servidores). Diga-se de passagem, eles serão alfabetizados pelos servidores afastados.
Nessa terra regrada com miscelânea comportamental da Administração Pública, surgem os mais diversos frutos ruins suportados pelos cofres estatais, tais como: queda de produtividade, seja pelas doenças (depressão, bornout etc) e descompromisso com a República.
A meu entender a lei deverá fazer uma nova leitura do inciso II da CR para a investidura em cargo ou emprego público, além dos já mencionados.
1- Destinar um percentual de vagas, no concurso público, a serem preenchidas exclusivamente por servidores já efetivados na instituição (nos seus cargos de níveis inferiores). Grito nesse momento que nada tem a ver com o instituto da promoção.
Essa medida visa melhorar a qualidade dos serviços públicos prestados, vez que quem assumirá o cargo é uma pessoa que detém grau de escolaridade exigido e experiência profissional na repartição.
O concurso público para essas vagas obedecerá às mesmas regras do certame externo.
2- Transformar os cargos genéricos existentes para cargos áreas fins para todos os setores.
Se é verdade que a Constituição da República afirma que os cargos públicos têm sua complexidade, então também é verdade que essa afirmativa deve ser usada para contratar pessoal com as profissões desempenhadas, vez que a atribuição do cargo seria a mesma atribuição da profissão.
Nessa nova leitura do inciso II do art. 37 da CR, diminuiria a movimentação dos servidores dentro de um órgão, aumentando a qualidade dos serviços prestados.
Respeitosamente,
Belém/Pa, 13 de outubro de 2012
Daniel Martins Fernandes
daniel.danielmf@gmail.com
(91) 83348454 e 32442985
Olá William, na verdade só vim registrar minha satisfação em ter conhecido(AINDA não pessoalmente, uma pessoa inspiradora tanto pra minha vida quanto para tantos outros. E o melhor de tudo é saber que hoje, tudo o que você é, tudo o que você se tornou é para honrar e glorificar o nome de Jesus Cristo, reconheço o propósito de Cristo em sua vida. Parabéns William, não pelo sucesso, mas por você ser um sucesso :) Priscila Neves
Dizeres fantásticos que só podem vir de uma pessoa fantástica e iluminada. Boas férias!
Dizeres fantásticos que só podem vir de uma pessoa fantástica! Esteja certo de que é um excelente exemplo para a sociedade e está exercendo com maestria seu papel de ser humano. Boas férias!
Postar um comentário