segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Passarela com curvas

Fico me perguntando como deveriam sofrer as mulheres magrinhas naquela época em que os pintores consideravam musas apenas as mulheres mais portentosas. É... os tempos mudam! Veio o tempo das modelos altas e magras, e até mesmo o das macérrimas, anoréxicas, literalmente morrendo de fome. Mas o pior da modernidade nem foi isso, mas o photoshop: esse recurso tecnológico que leva a todos os não “photoshopizados” a sensação de feiura, débito plástico e imperfeição física. Quantas pessoas não se sentiram feias na hora da nudez só porque a nudez, ou semi-nudez, da mídia não é sincera? Quantas não são as modelos e atrizes que, mesmo nuas, ou semi-nuas, estão a vestir na pele inteira o photoshop?
Devia haver uma lei proibindo o photoshop, talvez, para redimir a autoestima dos homens e mulheres que não andam nas capas das revistas.
Quantos meninos e meninas andam fazendo bobagens, ou operações, para se colocarem no formato adequado, como se a raça humana fosse assim: peças de encaixar, como ovos padronizados que precisam ficar no tamanho exato da caixa de isopor?
Num mundo tão complicado, onde a tirania da beleza esquálida e dos padrões não humanos que alguns estilistas engendraram faz tanto mal, é uma alegria ver que nem tudo está perdido. Falo do Fashion Weekend Plus Size, onde desfilarão moças lindas, livres - elas e nós - da ditadura da anorexia.
Abaixo todas as ditaduras que pretendem impor um padrão de beleza: são bonitas as altas e as baixinhas, são bonitas as claras, as negras, são bonitos todos os tipos de cabelo, todas as formas de mulher. Quem escolhe que só é bonita uma mulher alta, macérrima não entende nada de diversidade e, aposto, muito menos ainda de mulher.
Entre as maldades feitas com quem foge ao padrão de beleza propugnado há a falta de cuidado com o desenho das roupas. O problema é que aqueles que desenham as peças para pessoas plus size não parecem tão esmerados, e seguem linhas como se todas tivessem que se vestir quase com uniformes.
Além de ser um mercado numeroso e em crescimento - razões comerciais e capitalistas suficientes para levar essas pessoas a sério - creio que aprender a desenhar com estilo e graça para todas é algo que refere-se à civilidade e ao respeito à dignidade da pessoa humana.
Erra quem pensa que “direitos humanos”, “democracia”, “respeito” etc são termos meramente jurídicos e que só interessam em alguns cenários ou espaços sociais. Respeitar a diversidade e ver a beleza que há em cada uma das formas e cores de cada ser humano é um valor que se tem ou não dentro da gente. Se ele existir, vai valer em tudo, desde fazer roupas até aprovar um candidato numa seleção de emprego; se não existir, vamos continuar a discriminar pessoas tanto nas passarelas quanto nas ruas, empregos e empresas.
Por tudo, então, o Fashion Weekend Plus Size é o mais bonito dos desfiles. Bonito porque mostra gente bonita, e as magras também o são, e bonito porque mostra para todo mundo que a beleza não tem regra, peso ou altura. Assim como o feio também não.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Poesia

Síndrome, abstinência, vício - 15.11.08

Eu sou o viciado que quer mais um pico antes de se internar,
o bêbado, o alcoólatra que quer um último copo antes de parar,
o condenado que vê a forca mas degusta bem seu prato predileto,
o suicida que fuma seu último cigarro antes do heróico gesto covarde,
o astronauta sem ar que olha uma última vez o horizonte antes de desmaiar na reentrada na Terra,
o soldado que beija o filho antes de partir,
o médico que reza antes de operar.
Eu sou todas as coisas incompletas, todas as coisas por faltar.
Sou o bailarino na última dança,
o único marinheiro que foi para a sereia sem nem precisar de canto,
que provou do recife só para ver os olhos dela,
seus seios, seu dorso, seu sorriso mais franco, seu gemido, seu arfar, a nuca,
ela andando, ela bebendo, ela indo,
toda sua atração física e metafísica acontecendo.
Sou astronauta fora de órbita querendo aterrisar no Atlântico,
sou a nave enfrentando a atmosfera, mas não sem antes uma última volta ao redor da lua, sem um passeio pelo outro canto da rua,
não sem o último trago, sem uma última dança. E, se não beber, não tragar, não me picar, tudo bem: amei cada segundo do meu vicio, hauri cada átimo dele enquanto houve, do oceano, do mergulho, da falta de ar e do ar em excesso, da chuva dentro do corpo, dela saindo.
Sinto fome, frio, sede, solidão, acho que sou mesmo um astronauta, numa estação espacial, sozinho, olhando a Terra, seus oceanos, Índico, Atlântico, Pacífico, procurando onde dormem sereias, onde nadam, onde andam.
Procuro um telescópio, olho a altitude, o astrolábio, o GPS, todos os instrumentos, olho,
procuro um botão de voltar no tempo: não encontro, estou um século atrasado.
Só quero beber mais uma taça, só mais uma, depois eu volto, aterriso, aos trancos.
Só quero um cigarro antes do tiro ser dado e de o projeto gentil penetrar meu coração já dilacerado,
sorridente, quero da janela olhar a lua uma última vez antes de ser eletrocutado.
Só quero dançar um último tango antes de quebrar a perna no bueiro,
só quero meu último trago, depois cedo, volto, calo, morro, durmo, passo, só não esqueço.
Sempre que olhar o mar vou ficar nervoso, tenso: bebi água salgada e nunca mais serei o mesmo. Toquei física e metafisicamente uma estrela, pousei na lua, de uma estrela que olhei por anos,
adormeci sobre seu corpo, mergulhei fundo, bebi, provei mágica estelar e marítima alguns segundos.
Sorte de astronauta, agora durmo.
Mas antes, antes, antes, eu quero meu último copo, nem que só um gole, preciso beber de novo antes de partir.
Meu copo, a taça, um tango, um trago, uma dança.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Fraude no concurso da PRF

Carta aos aprovados honestamente e aos demais interessados

Prezados colegas,

Tendo em vista a grande quantidade de emails e mensagens sobre a suspeita de fraude no concurso da PRF, preferi elaborar resposta única, que está no meu site, em .pdf, disponível para todos os interessados.
O link é http://www.williamdouglas.com.br/admin/uploads/FraudePRF.pdf

Abraço fraterno,
William Douglas

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Chat do Fantástico

No link abaixo é possível ouvir minhas dicas sobre concurso público durante o chat do Programa Fantástico (TV Globo). No meu site há outras dicas também.

http://globoradio.globo.com/RadioClick/Player/9/0,,KY1168259-5943,00.html